quarta-feira, 1 de abril de 2026

Regressão pecaminosa: o abandono da verdade.


"Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido." (Hebreus 5:12)

Há uma tristeza legítima que brota deste texto; não apenas a tristeza do autor sagrado ao contemplar a imaturidade dos crentes, mas também a dor pastoral diante de um povo que, tendo recebido instrução sólida, não a preserva com fidelidade.

O diagnóstico de Hebreus é severo: o problema não é falta de ensino, mas falta de retenção. Não é ausência de luz, mas desprezo por ela. O tempo passou, a instrução foi dada, os fundamentos foram estabelecidos e, ainda assim, há regressão.

Isso revela algo mais profundo do que simples fraqueza: revela um coração que não se firmou na verdade.

Quando considero essa realidade à luz do que foi ensinado acerca das influências pagãs que, ao longo da história, penetraram na cultura e, por vezes, na própria igreja, a exortação se torna ainda mais necessária. Não se trata de ignorância. Trata-se de consciência acompanhada de negligência.

E aqui há um agravante que precisa ser exposto com toda clareza.

Há uma diferença entre aquele que nunca soube e aquele que, tendo conhecido, decide ignorar. O primeiro pode estar em erro por desconhecimento; o segundo, por rejeição. E, nesse ponto, vem à mente uma ideia frequentemente atribuída a Albert Einstein: um cérebro que se expande ao assimilar uma nova verdade jamais retorna ao seu estado anterior.

Aplicando isso ao campo espiritual, o que se evidencia é ainda mais sério: aquele que foi exposto à verdade não pode voltar à condição de inocência. Pode até tentar agir como se não soubesse, pode até relativizar o que aprendeu, mas já não é ignorante, é resistente.

Um homem que nunca foi instruído pode tratar determinada realidade como mito ou irrelevância. Mas aquele que foi ensinado, que compreendeu, que discerniu (e ainda assim escolhe ignorar) não está em ignorância, está em deliberada rebeldia com a verdade.

Isso aprofunda o diagnóstico de Hebreus: não se trata apenas de imaturidade, mas de regressão consciente.

O que entristece não é apenas o abandono da prática, mas o modo como isso ocorre. Enquanto havia liderança firme, enquanto havia ensino constante, houve conformidade externa. Mas bastou a mudança de liderança (bastou que outro pastor assumisse, talvez sem o mesmo zelo ou conhecimento) para que aquilo que antes era tratado como convicção passasse a ser tratado como opcional.

Isso não é maturidade. Isso é instabilidade.

E mais do que isso: isso revela um desejo pecaminoso de agradar a homens.

A verdade não pode ser condicionada à presença de quem a ensina. Convicções bíblicas não podem depender da voz que as proclama, mas da autoridade daquele que as revelou. Quando a prática muda conforme o pastor muda, não se está seguindo a Cristo; está-se seguindo homens.

Essa postura é incompatível com a maturidade que o texto de Hebreus exige. Quem deveria ser mestre, tornou-se novamente aprendiz. Quem deveria sustentar a verdade, tornou-se dependente do ambiente.

E há ainda um aspecto mais grave.

Alguns não apenas abandonam o ensino; passam a se beneficiar daquilo que antes sabiam ser incompatível com a fé cristã. Utilizam elementos oriundos de práticas pagãs como meio de lucro, explorando culturalmente aquilo que já foi discernido biblicamente como inadequado.

Aqui, a Escritura oferece um paralelo contundente no episódio ligado ao culto de Diana dos Efésios, narrado em Atos dos Apóstolos 19. Ali, artesãos lucravam com a venda de objetos ligados à deusa e, ao verem o avanço do evangelho, levantaram oposição não por zelo religioso genuíno, mas por interesse financeiro.

O ponto central não era devoção; era lucro.

E quando a verdade ameaça o ganho, a verdade é rejeitada.

O mesmo princípio se repete quando práticas culturalmente aceitas, mas teologicamente comprometidas, são mantidas não por convicção bíblica, mas por conveniência econômica. Isso não é neutralidade. Isso é comprometimento com o erro por amor ao ganho.

Diante disso, a exortação de Hebreus se impõe com todo o seu peso:

  • Já deveria haver maturidade.
  • Já deveria haver firmeza.
  • Já deveria haver capacidade de discernimento.

Mas o que se vê é regressão.

E uma regressão agravada pelo fato de que não é ignorância, mas recuo deliberado diante de uma verdade já conhecida.

Portanto, é necessário dizer com clareza: não basta ter aprendido: é preciso preservar. Não basta ter compreendido: é necessário permanecer. A verdade não pode ser tratada como algo circunstancial, ajustável conforme o contexto ou a liderança.

Aquele que foi alcançado pela verdade não pode fingir que nunca a conheceu. A consciência foi ampliada. A responsabilidade também.

Aquele que é conduzido pela verdade não se molda como a água que assume a forma do recipiente. Antes, permanece firme, ainda que o ambiente mude, ainda que a liderança mude, ainda que o custo aumente.

A maturidade cristã se manifesta precisamente nisso: constância.

E, portanto, a chamada é ao arrependimento.

Arrependimento por ter relativizado o que Deus já havia esclarecido.

Arrependimento por ter seguido homens em vez de permanecer na verdade.

Arrependimento por, em alguns casos, transformar em meio de ganho aquilo que deveria ser rejeitado por fidelidade a Cristo.

Porque, no fim, a questão não é apenas sobre práticas externas.

É sobre fidelidade.

E aqueles que, pelo tempo, já deveriam ser mestres, são agora chamados a abandonar a instabilidade, rejeitar o pragmatismo e firmar-se, de uma vez por todas, na verdade que receberam.