“O Senhor é bom para todos, e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras.” (Salmo 145.9)
“Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?” (Romanos 2.4)
“Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou...” (Efésios 2.4)
Ao avançarmos no estudo dos atributos comunicáveis, chegamos a uma verdade que revela o caráter benevolente de Deus: Ele é bom.
A bondade de Deus pode ser compreendida como a disposição perfeita do Seu ser em comunicar bem às suas criaturas. Deus não é apenas justo e santo, Ele também é benigno, misericordioso e gracioso.
Essa bondade não é algo externo a Deus, nem uma reação às circunstâncias. Ela procede do próprio ser divino. Deus é bom em Si mesmo, e tudo o que Ele faz expressa essa bondade de forma perfeita.
A Escritura afirma que o Senhor é bom para todos. Isso nos mostra que há uma dimensão da bondade divina que se estende a toda a criação. Deus sustenta, preserva e concede benefícios até mesmo àqueles que não O reconhecem.
Essa expressão da bondade é frequentemente chamada de benevolência comum, que é o cuidado geral de Deus para com todas as suas criaturas.
No entanto, a Escritura também revela uma forma mais profunda e específica dessa bondade, especialmente direcionada ao Seu povo. E é aqui que entram suas principais expressões: misericórdia, graça e longanimidade.
A misericórdia de Deus diz respeito à Sua compaixão para com aqueles que estão em miséria. Deus vê a condição caída do homem e, movido por Sua própria natureza, age com compaixão.
A graça de Deus, por sua vez, se refere ao favor imerecido concedido a pecadores culpados. Não apenas éramos miseráveis, éramos culpados diante de Deus. E ainda assim, Ele nos concede favor.
Já a longanimidade de Deus aponta para Sua paciência. Deus suporta o pecado por um tempo, não executando imediatamente o juízo que seria justo, mas dando espaço para arrependimento.
E é exatamente isso que o apóstolo Paulo destaca: a bondade de Deus conduz ao arrependimento.
Essa verdade precisa ser bem compreendida.
A bondade de Deus não é tolerância ao pecado. Ela não significa que Deus ignora o mal ou que nunca julgará. Pelo contrário, Sua longanimidade tem um propósito: levar o pecador ao arrependimento.
Quando essa bondade é desprezada, ela não se torna desculpa, torna-se agravante.
Isso nos leva a um equilíbrio importante.
Deus é bom, mas Sua bondade não anula Sua justiça.
Ele é misericordioso, mas não inocenta o culpado sem redenção.
Ele é paciente, mas não para sempre no mesmo sentido.
Essa compreensão evita distorções comuns:
um conceito de bondade que transforma Deus em permissivo
ou um conceito de justiça que elimina a graça
Em Deus, bondade e justiça coexistem perfeitamente.
E essa verdade também molda a vida do crente.
Primeiro, ela nos conduz à gratidão. Tudo o que recebemos, inclusive o que não percebemos, é expressão da bondade de Deus.
Segundo, ela nos chama ao arrependimento. A bondade de Deus não deve ser desprezada, mas respondida com mudança de vida.
Terceiro, ela nos molda eticamente. Se Deus é bom, o Seu povo deve refletir essa bondade.
Mas, novamente, é essencial manter a precisão: essa resposta não nasce da capacidade natural do homem.
O mesmo Deus que é bom é aquele que opera no crente tanto o querer quanto o realizar. A prática da bondade é fruto da graça operando no coração.
Assim, o crente não apenas recebe a bondade de Deus , mas ele é transformado para refleti-la.
Portanto, conhecer a bondade de Deus é ser confrontado com Sua generosidade, conduzido ao arrependimento e chamado a viver de forma coerente com esse caráter.
Rev. Julio Pinto