sexta-feira, 19 de junho de 2026

TEMA 50: O DIA DO SENHOR

  E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera.” (Gn 2.2-3)

 Do céu lhes fizeste ouvir a tua voz; deste-lhes juízos retos, leis verdadeiras, estatutos e mandamentos bons. O teu santo sábado lhes fizeste conhecer...” (Ne 9.13-14)

 Achei-me em espírito, no dia do Senhor...” (Ap 1.10)

 

Entre todas as instituições divinas relacionadas ao culto e à vida do povo de Deus, poucas foram tão debatidas ao longo da história da igreja quanto o Dia do Senhor. Alguns sustentam que o quarto mandamento foi completamente abolido na Nova Aliança. Outros defendem que nenhuma mudança ocorreu entre a observância judaica do sábado e a prática cristã posterior. Há ainda aqueles que tratam a separação de um dia para Deus como mera tradição eclesiástica sem fundamento moral permanente.

 As Escrituras, porém, apresentam um caminho diferente.

 O princípio de um dia separado para Deus não nasce no Sinai, mas na criação. Posteriormente, esse princípio é formalmente revelado e incorporado à Lei Moral por intermédio de Moisés. Finalmente, com a ressurreição de Cristo, o povo de Deus passa a reunir-se no primeiro dia da semana, celebrando não apenas a criação original, mas a nova criação inaugurada pelo Redentor.

Alguns aspectos relacionados à reunião pública da igreja, à comunhão dos santos e aos meios de graça já foram amplamente desenvolvidos nos Temas 45 e 46. Da mesma forma, questões relacionadas à autoridade de Cristo sobre o culto e os limites da autoridade eclesiástica foram tratadas nos Temas 44 e 47. Nosso objetivo aqui será concentrar-nos especificamente na doutrina do Dia do Senhor, em seu fundamento bíblico, desenvolvimento histórico-redentivo e significado para a igreja da Nova Aliança.

 

1. O fundamento criacional do dia santo

 A primeira referência bíblica ao dia santo não aparece em Israel. Não aparece em Moisés. Não aparece no Sinai. Ela aparece na própria criação. Moisés registra: “E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou...” (Gn 2.3). O texto é extremamente significativo porque antecede: 

  • a queda;
  • a formação de Israel;
  • a aliança mosaica;
  • toda distinção cerimonial posterior.

 Antes mesmo da existência de um povo pactual organizado, Deus já havia estabelecido um padrão temporal para a humanidade.

 Seis dias de trabalho.

Um dia separado para Deus.

 O descanso divino não deve ser entendido como fadiga. Afinal de contas, Deus Todo-Poderoso não se cansa. O descanso tão somente representa a conclusão da obra criadora e o estabelecimento de um padrão para Suas criaturas.

Esse fato possui enorme importância teológica. O princípio de um dia santo não surge de uma necessidade cultural, nacional ou cerimonial. Ele nasce da própria ordem criada por Deus.

Por essa razão, a tradição reformada historicamente reconheceu que o fundamento do Dia do Senhor é criacional antes de ser implementado como código de lei por meio de Moisés. A partir disso, não podemos entender o sábado apenas como um código legal restrito à nação de Israel e posteriormente abolido na Nova Aliança. Tampouco podemos reduzi-lo a uma simples norma civil ou cerimonial. Seu fundamento repousa na própria ordem criada por Deus, razão pela qual o princípio de um dia separado para o Senhor permanece relevante para o Seu povo em todas as épocas da história da redenção.

 

2. O Sinai não criou o sábado, mas o revelou

 Ao chegarmos ao quarto mandamento encontramos a ordem: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar.” (Êx 20.8). A expressão “Lembra-te” merece atenção. Ela aponta para uma realidade cujo fundamento já existia anteriormente.

Contudo, isso não significa que toda a humanidade possuísse, desde Adão, o mesmo grau de revelação positiva e explícita que posteriormente seria entregue a Israel. O próprio Neemias esclarece essa questão: “O teu santo sábado lhes fizeste conhecer...” (Ne 9.14).

Precisamos valorar em muito a fala de Neemias. Ele reconhece que Deus concedeu ao Seu povo um conhecimento especial, explícito e pactual do sábado por intermédio de Moisés. Portanto, o Sinai não cria o princípio moral do dia santo. O Sinai o revela formalmente. O Sinai o incorpora à Lei Moral escrita. O Sinai o regulamenta para o povo da aliança.

Essa compreensão harmoniza-se perfeitamente com o ensino de Paulo: “Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração...” (Rm 2.15). Assim como os demais princípios da Lei Moral possuíam raízes anteriores à sua codificação mosaica, também o princípio do dia santo já estava presente na ordem criada por Deus.O que ocorre no Sinai é uma ampliação e formalização dessa revelação.

Por isso, o fundamento do quarto mandamento não é a saída do Egito, não é uma cerimônia levítica, não é uma sombra tipológica. O próprio Decálogo remete novamente à criação: “Porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra...” (Êx 20.11).

 

3. Emaús e a inauguração do Dia do Senhor

 Nos Temas anteriores já demonstramos que a igreja apostólica passou a reunir-se regularmente no primeiro dia da semana. Entretanto, existe um episódio particularmente significativo que merece atenção especial.

Na última Páscoa celebrada com Seus discípulos, Cristo instituiu a Ceia do Senhor em substituição ao antigo rito pascal. Naquela ocasião declarou: “Porque vos digo que, desde agora, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus.” (Lc 22.18). A Ceia foi estabelecida no contexto da inauguração do Reino.

Após Sua ressurreição, no próprio primeiro dia da semana, encontramos o conhecido episódio dos discípulos no caminho de Emaús. Primeiramente, Cristo lhes expõe as Escrituras: “E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.” (Lc 24.27). Posteriormente: “Tomando ele o pão, abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu.” (Lc 24.30). A linguagem empregada por Lucas é a mesma utilizada na instituição da Ceia. Veja: “E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu...”. (Lc 22.19). Essa é o mesmo tipo de linguagem utilizada para expressar o momento da ceia em outros textos do NT.

Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo.” (Mt 26.26)

E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” (At 2.42)

No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão...” (Atos 20.7)

Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?” (1 Co 10:16)

 

 Percebam que é impossível ignorar a sequência apresentada.

  1.  No primeiro dia da semana:
  2. Cristo reunido com Seus discípulos;
  3. expõe as Escrituras;
  4. parte o pão.

 

Além disso, Lucas registra que foi precisamente naquele momento que “se lhes abriram os olhos” (Lc 24.31). O texto não apresenta o reconhecimento ocorrendo durante a caminhada nem imediatamente após a exposição das Escrituras, mas no contexto do partir do pão. Logo em seguida os discípulos recordam como seus corações ardiam enquanto Cristo lhes expunha as Escrituras (Lc 24.32). Palavra e partir do pão aparecem novamente unidos em uma mesma cena, ambos ministrados pelo próprio Cristo ressurreto; e ambos no primeiro dia da semana, domingo, o dia da ressurreição.

A partir desse momento, a igreja passará a reunir-se regularmente nesse mesmo dia para ouvir a Palavra e participar da comunhão do corpo de Cristo.

Não se trata de uma mudança arbitrária promovida pelos apóstolos.

É o próprio Senhor ressurreto conduzindo Seu povo à realidade da nova criação.

 

4. O Dia do Senhor e os meios de graça

 A relação entre o Dia do Senhor e os meios de graça já foi amplamente desenvolvida nos Temas 45 e 46.

 Ali vimos:

  • o dever de congregar (Hb 10.24-25);
  • a comunhão dos santos;
  • a centralidade do culto público;
  • a administração da Ceia do Senhor;
  • a edificação mútua do corpo de Cristo.

 

Por essa razão não repetiremos aqui toda a argumentação anteriormente apresentada.

Basta observar que a prática apostólica, a partir do exemplo de Cristo, demonstra que o primeiro dia da semana tornou-se o momento ordinário da reunião da igreja.

Lucas registra: “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão...” (At 20.7); Paulo emenda: “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte...” (1Co 16.2); João assinala: “Achei-me em espírito, no dia do Senhor...” (Ap 1.10).

A expressão utilizada por João demonstra que o primeiro dia da semana já possuía identidade própria entre as igrejas.

Era o Dia do Senhor.

O dia especialmente dedicado ao culto cristão.

Esse entendimento é reforçado também pelo desenvolvimento histórico-linguístico do termo. Na tradição latina, especialmente na Vulgata de Jerônimo, a expressão grega kyriakē hēmera (Ap 1.10) é traduzida como dies dominicus, literalmente “dia do Senhor”. A partir desse uso consolidado, o primeiro dia da semana passou a ser identificado na prática da igreja como o “dia dominical”, termo que evoluiu nas línguas modernas para “domingo” (do latim dies dominicus, “dia do Senhor”). Assim, não se trata de uma designação posterior desvinculada do texto bíblico, mas de uma continuidade histórica da compreensão eclesiástica de que o “dia do Senhor” de Apocalipse 1.10 corresponde ao primeiro dia da semana, já observado como dia regular de reunião e culto pelas igrejas apostólicas.

 

5. Obras de necessidade e misericórdia

Uma das maiores distorções históricas relacionadas ao dia santo foi o legalismo farisaico. Os líderes religiosos haviam transformado o mandamento divino em um sistema sufocante de proibições humanas. Cristo combateu repetidamente esse erro. Quando Seus discípulos colheram espigas no sábado, Jesus respondeu: “O Filho do Homem é senhor do sábado.” (Mt 12.8). Em outra ocasião afirmou: “Logo, é lícito, nos sábados, fazer o bem.” (Mt 12.12)

As curas realizadas por Cristo no sábado não representavam violação do mandamento. Representavam sua correta interpretação. O dia santo jamais foi instituído para impedir atos de misericórdia. Jamais foi instituído para impedir obras de necessidade. Jamais foi instituído para produzir sofrimento.

Ao contrário.

O sábado foi feito para benefício do homem. O princípio permanece válido para o Dia do Senhor. A separação do dia não elimina:

 

  • atos de misericórdia e compaixão;
  • cuidados relacionados à preservação da vida e da saúde;
  • necessidades providenciais e inadiáveis da existência humana;
  • serviços indispensáveis ao bem-estar público, especialmente os ligados à saúde, segurança e ordem social.

O que se proíbe é a transformação do dia santo em simples continuação da rotina comum.


 6. O Dia do Senhor como antecipação escatológica

 O Dia do Senhor não aponta apenas para trás, não nos faz recordar apenas a criação, nem apenas a ressurreição. Ele também aponta para frente. O autor de Hebreus nos mostra dizendo: “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus.” (Hb 4.9).

Esse repouso definitivo ainda não foi plenamente alcançado. A igreja continua peregrina, continua enfrentando lutas, continua vivendo em um mundo caído. Mas cada Dia do Senhor funciona como uma antecipação do descanso futuro, assim como a Ceia antecipa as bodas do Cordeiro, o Dia do Senhor antecipa o descanso eterno da nova criação.

Por essa razão, a observância do Dia do Senhor nunca deve ser vista como mero dever externo. Ela é um sinal semanal da esperança cristã, pois em cada reunião da igreja proclama:

  • Cristo ressuscitou.
  • Cristo reina.
  • Cristo voltará.
  • E o descanso definitivo ainda nos aguarda.

 

Conclusão

 

1.       O Dia do Senhor não nasceu da tradição humana.

2.       Não nasceu da autoridade de concílios.

3.       Não nasceu de convenções eclesiásticas.

4.       Seu fundamento encontra-se na criação.

5.       Sua revelação foi formalizada no Sinai.

6.       Sua administração foi transformada pela ressurreição de Cristo.

7.       Sua observância foi praticada pela igreja apostólica.

8.       Sua consumação aponta para o descanso eterno prometido ao povo de Deus.

 

Por isso, ao reunir-se no Dia do Senhor, a igreja não apenas cumpre um mandamento. Ela celebra a criação, a redenção, a ressurreição, a nova criação. E antecipa, ainda que imperfeitamente, o glorioso descanso que aguarda todos aqueles que pertencem ao Senhor da Igreja.

 

 

 

Rev. Júlio Pinto

Devocional - Quando o Sentimento Cala a Sabedoria

  Mateus 7.6

"Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem."

Há momentos em que o coração deseja fazer algo que parece nobre, piedoso e até amoroso. Entretanto, nem tudo o que parece bondade é verdadeira sabedoria. As Escrituras nos ensinam que o amor cristão jamais deve ser separado do discernimento espiritual. Quando o bom senso é abandonado, a insensatez aflora; e quando os sentimentos assumem o governo da alma, a verdade bíblica passa a ser tratada como mera opinião, em vez de regra para a vida.

No contexto do Sermão do Monte, Jesus não está ensinando seus discípulos a desprezarem pessoas. O Senhor está ensinando que existe um tempo para falar e um tempo para silenciar; um tempo para insistir e um tempo para reconhecer que a insistência se tornou inútil. As "coisas santas" e as "pérolas" representam as preciosas verdades do Reino de Deus. Os "cães" e "porcos" simbolizam aqueles que, naquele momento, demonstram desprezo deliberado e hostilidade para com essas verdades.

O ensino de Cristo exige algo que muitas vezes nos falta: discernimento. Nem toda porta está aberta. Nem todo debate deve ser prolongado. Nem toda insistência é virtude. Há ocasiões em que continuar oferecendo aquilo que é santo a quem persistentemente o despreza não é demonstração de amor, mas falta de sabedoria.

O coração humano frequentemente resiste a essa verdade. Movidos por afeto, apego emocional ou pela esperança de mudar alguém por nossas próprias forças, insistimos onde Deus não nos mandou insistir. Continuamos investindo energia, tempo e emoções em situações que já evidenciaram rejeição consciente à verdade. Nesse ponto, os sentimentos passam a dirigir nossos passos, enquanto a Palavra de Deus permanece ignorada.

Mas há um outro lado dessa mesma advertência que também merece atenção. Nem sempre são apenas os que rejeitam a verdade que se deixam governar pelos sentimentos. Muitas vezes, aqueles que observam a situação de fora também são influenciados por emoções em vez de pelo discernimento bíblico.

Quando alguém rejeita a sã doutrina e passa a resistir à correção, é comum que surjam conflitos. A verdade confronta o erro, e o erro frequentemente responde com hostilidade. Não raramente, os que ensinam, exortam e defendem fielmente as Escrituras tornam-se alvo de críticas, acusações e rejeição. Entretanto, observadores superficiais tendem a enxergar apenas a reação emocional daquele que foi confrontado. Vendo sua tristeza, indignação ou ressentimento, concluem precipitadamente que o problema está em quem ensinou a verdade.

Assim, o sentimento passa a ocupar o lugar do juízo bíblico. Em vez de perguntarem: "O que as Escrituras ensinam sobre esta questão?", muitos perguntam apenas: "Quem parece mais ferido?". Em vez de examinarem se a doutrina apresentada é verdadeira, avaliam apenas o impacto emocional que ela produziu.

A própria defesa de Estêvão diante do Sinédrio ilustra perfeitamente essa realidade. Após percorrer a história da redenção e demonstrar como Israel repetidamente resistiu à revelação divina, ele concluiu sua mensagem com uma acusação contundente: "Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram os vossos pais, também vós o fazeis. Qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Eles mataram os que anteriormente anunciavam a vinda do Justo, do qual vós agora vos tornastes traidores e assassinos" (At 7.51-52). Observe que o problema não estava na falta de clareza da mensagem, nem na ausência de testemunhas fiéis. Os profetas falaram da parte de Deus, mas foram rejeitados. A verdade foi proclamada, mas foi desprezada. E, em vez de se submeterem à Palavra, aqueles homens voltaram sua ira contra o mensageiro. A reação deles confirma o padrão denunciado por Jesus: quando o coração se endurece, não apenas rejeita as pérolas da verdade, mas frequentemente se levanta contra aqueles que as entregam.

Esse comportamento é natural dos ímpios. Os profetas foram rejeitados por denunciarem o pecado. Os apóstolos foram perseguidos por proclamarem a verdade. O próprio Cristo foi odiado porque sua luz expunha as trevas dos homens. Em todos esses casos, havia pessoas mais sensibilizadas pela reação dos rebeldes do que pela fidelidade daqueles que anunciavam a Palavra de Deus.

A advertência de Jesus nos ajuda a compreender essa realidade. Os que pisam as pérolas não se limitam a rejeitá-las. O texto afirma que podem voltar-se contra quem as oferece. O desprezo pela verdade frequentemente evolui para hostilidade contra os seus mensageiros. E aqueles que julgam apenas pelas emoções do momento acabam, muitas vezes sem perceber, tomando partido contra os que permanecem fiéis às Escrituras.

Isso não significa que todo mestre esteja automaticamente certo ou que toda crítica seja injusta. A própria Bíblia ordena que tudo seja examinado à luz da Palavra. Contudo, significa que a fidelidade à verdade não deve ser medida pela popularidade de quem a proclama nem pela reação emocional de quem a recebe. O padrão continua sendo a Escritura.

O coração não foi criado para governar a vida; foi criado para ser governado pela verdade de Deus. O conhecimento bíblico não foi dado apenas para informar o intelecto, mas para moldar os afetos, corrigir os desejos e ensinar o coração a amar aquilo que Deus ama e rejeitar aquilo que Deus rejeita.

Muitas dores poderiam ser evitadas se aprendêssemos essa lição. Quantas vezes pessoas são feridas porque ignoram advertências claras das Escrituras? Quantas vezes relacionamentos, projetos e até ministérios são conduzidos não pela sabedoria divina, mas pela insistência emocional? E quantas vezes homens e mulheres fiéis são injustamente rejeitados porque outros preferiram seguir a narrativa emocional dos que resistem à verdade, em vez de examinar cuidadosamente aquilo que Deus diz em Sua Palavra?

Cristo é o exemplo perfeito dessa sabedoria. Embora fosse a própria Verdade encarnada, nem sempre respondeu aos seus acusadores. Em diversas ocasiões, recusou-se a alimentar a incredulidade deliberada daqueles que não buscavam aprender, mas apenas atacar. Sua conduta não era falta de amor, mas perfeita submissão à vontade do Pai.

O discípulo de Cristo deve aprender a mesma lição. O coração encontra segurança não quando segue seus impulsos, mas quando se submete à Palavra de Deus. Sentimentos mudam; a verdade permanece. Emoções oscilam; a sabedoria divina permanece firme. Quando o conhecimento bíblico governa o coração, a vida é conduzida com discernimento. Quando o coração rejeita esse governo, a insensatez encontra espaço para florescer.

Que o Senhor nos conceda não apenas conhecimento da verdade, mas também a coragem de permanecer ao lado dela, mesmo quando isso significar desagradar aqueles que preferem seus sentimentos à voz das Escrituras.

Oração

Senhor, livra-nos da insensatez que nasce quando seguimos nossos próprios impulsos em vez da Tua Palavra. Dá-nos discernimento para agir com amor sem abandonar a sabedoria, e ensina-nos a submeter nossos sentimentos à verdade revelada nas Escrituras. Guarda-nos também de julgar segundo as aparências ou segundo as emoções dos homens. Que saibamos amar a verdade acima de nossas preferências e permanecer fiéis à Tua Palavra, ainda que isso nos custe incompreensão ou rejeição. Em nome de Jesus. Amém.


Rev. Júlio Pinto

quinta-feira, 18 de junho de 2026

De qual modo você dirige sua espiritualidade? Econômico, conforto ou esportivo?

Quando os discípulos perguntaram a Jesus por que Ele ensinava por parábolas, a resposta do Senhor revelou muito mais do que uma simples diferença entre crentes e incrédulos. Frequentemente, a atenção é direcionada para o aspecto profético do texto, onde Cristo cita Isaías e mostra que muitos ouviriam sem entender e veriam sem perceber (Mt 13.10-17). Entretanto, há um detalhe que merece atenção especial: os discípulos também não entendiam as parábolas.

A diferença não estava no fato de uns compreenderem imediatamente e outros não. Naquele momento, ninguém compreendia plenamente. A diferença estava na atitude diante da própria ignorância.

Os discípulos ouviram a parábola e reconheceram que não sabiam seu significado. Por isso perguntaram. Aproximaram-se de Cristo. Buscaram explicação. Admitiram sua limitação.

Os fariseus, por outro lado, possuíam uma postura completamente diferente. A falsa segurança produzida pelo orgulho religioso os impedia de reconhecer sua própria cegueira. Enquanto os discípulos diziam, em essência, "não entendemos, ensina-nos", os líderes religiosos agiam como quem já sabia tudo o que precisava saber.

A humildade abriu o caminho para o conhecimento. O orgulho fechou a porta da compreensão.

Podemos ver isso em outros lugares da Escritura.

Por meio do profeta Jeremias, Deus prometeu:

"Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência" (Jr 3.15).

Observe que Deus não prometeu pastores que emocionariam o povo ou que produziriam experiências religiosas. A promessa era de pastores que alimentassem o rebanho com conhecimento.

O conhecimento da verdade sempre fez parte dos meios estabelecidos por Deus para a maturidade espiritual de seu povo.

Mas a responsabilidade não pertence apenas aos pastores.

O profeta Malaquias já afirmava: 

"Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a instrução" (Ml 2.7).

Há duas responsabilidades complementares nesse texto.

Primeiro, o sacerdote deve possuir conhecimento suficiente para ensinar. Segundo, o povo deve procurar esse conhecimento.

O texto não apresenta um povo passivo. Não descreve pessoas acomodadas esperando que toda instrução lhes seja entregue sem esforço. Pelo contrário, afirma que os homens devem buscar a instrução.

A ignorância nunca foi apresentada na Escritura como uma virtude.

Talvez uma boa ilustração para isso esteja nos carros modernos.

Muitos veículos atuais oferecem diferentes modos de condução. Com o simples toque de um botão, o motorista pode escolher entre o modo econômico, o modo conforto e o modo esportivo.

Algo semelhante acontece na vida espiritual.


O crente econômico

O modo econômico foi projetado para gastar menos energia possível.

O motor responde de forma mais suave. O consumo é reduzido. O esforço é mínimo.

Infelizmente, muitos cristãos vivem assim.

Encontram um texto difícil e não investigam.

Ouvem uma doutrina que não compreendem e não perguntam.

Deparam-se com uma dúvida e simplesmente convivem com ela.

Não leem.

Não estudam.

Não consultam seus pastores.

Não buscam livros.

Não conversam com irmãos mais experientes.

Vão à igreja sem muito compromisso e com baixa frequência. 

Preferem permanecer na zona de conforto da ignorância.

Não se revoltam contra aquilo que não sabem.

Acomodam-se.

São como aqueles que escutam uma parábola e seguem adiante sem jamais perguntar o seu significado.


O crente conforto

O modo conforto oferece uma experiência intermediária.

Há algum envolvimento do motorista, mas sem grandes exigências.

Esse retrata o cristão que possui certo interesse pelo conhecimento.

Ele pergunta ocasionalmente.

Vai a igreja com maior frequência. 

Lê quando surge uma oportunidade.

Procura esclarecimentos quando o assunto lhe desperta curiosidade.

Existe desejo de aprender, mas não há grande intensidade.

Seu crescimento acontece, porém não lentamente como o econômico, mas também não usando todo seu potencial. 

Sua busca pelo conhecimento depende muito das circunstâncias.

Quando é conveniente, ele avança.

Quando exige mais dedicação, ele desacelera.


O crente esportivo

No modo esportivo, tudo muda.

A resposta do motor torna-se imediata.

O veículo consome mais combustível.

O desempenho é maximizado.

É evidente que há um custo maior, mas também há um resultado superior.

Assim é o cristão que não suporta permanecer na ignorância.

Quando encontra um texto difícil, ele investiga.

Não falta aos cultos, é frequente na igreja. 

Quando surge uma dúvida, ele pergunta.

Quando encontra uma aparente contradição, ele pesquisa.

Ele conversa com seus pastores.

Consulta comentários.

Compara Escritura com Escritura.

Lê bons livros.

Participa das oportunidades de ensino da igreja.

Não porque deseja exibir erudição, mas porque ama a verdade de Deus.

Ele sabe que a ignorância não é uma condição apropriada, mas um problema a ser combatido.

Foi exatamente essa postura que os discípulos demonstraram diante de Cristo.

Eles não compreenderam as parábolas, mas não permaneceram satisfeitos em não compreendê-las.

Aproximaram-se do Mestre.

Perguntaram.

Buscaram explicação.

E receberam mais luz.

A história da igreja mostra que todo crescimento espiritual significativo sempre esteve ligado a essa disposição humilde de aprender. Deus envia pastores para ensinar. Os ministros devem guardar o conhecimento. Mas o povo de Deus também deve procurá-lo diligentemente.

A pergunta, portanto, não é se sabemos tudo.

Nenhum cristão sabe.

A verdadeira pergunta é: o que fazemos quando descobrimos que não sabemos?

O discípulo humilde aproxima-se de Cristo e busca entendimento.

O orgulhoso finge que sabe.

O preguiçoso acomoda-se.

Mas o cristão maduro acelera sua busca pela verdade, porque sabe que conhecer a Deus mais profundamente vale muito mais do que o combustível gasto ao longo do caminho.


Rev. Julio Pinto 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

TEMA 49 - O ESTADO E O MAGISTRADO CIVIL (PARTE III)

 10. O dever cristão de oração pelas autoridades

Se o magistrado civil é uma instituição estabelecida por Deus, segue-se naturalmente que a igreja possui responsabilidades espirituais para com aqueles que exercem a autoridade pública. Entre essas responsabilidades, destaca-se a oração. Paulo exorta: “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito.” (1Tm 2.1-2)

A força dessa exortação torna-se ainda mais evidente quando lembramos o contexto histórico em que foi escrita. Paulo não estava vivendo sob um governo cristão. Não havia um império comprometido com os valores do evangelho. Pelo contrário, o Império Romano tornava-se progressivamente, e cada vez mais, hostil à fé cristã, e o próprio Nero provavelmente ocupava o trono quando essa carta foi escrita.

Ainda assim, o apóstolo não ordena que a igreja amaldiçoe os governantes.

Não ordena que a igreja abandone a oração por eles.

Não ordena que a igreja os trate como se estivessem fora do alcance da providência divina.

A ordem é clara: orar. Orar para que Deus conceda sabedoria, para que a justiça prevaleça, para que a ordem seja preservada, para que a igreja possa cumprir sua missão sem impedimentos desnecessários.

Essa mesma realidade aparece no Antigo Testamento. Quando Judá foi levado para o exílio, o Senhor ordenou por intermédio de Jeremias: “Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz.” (Jr 29.7). Mesmo vivendo em Babilônia, o povo de Deus deveria buscar o bem comum da sociedade em que estava inserido. Essa orientação permanece válida para a igreja em todas as épocas.

Esse princípio ilustra uma verdade mais ampla acerca da unidade das Escrituras. As doutrinas do Novo Testamento não surgem desconectadas da revelação anterior, como se os apóstolos introduzissem ensinamentos inteiramente novos e sem fundamento prévio. Pelo contrário, a revelação do Novo Testamento desenvolve, esclarece e aplica aquilo que Deus já havia revelado anteriormente. Não é por acaso que Cristo e os apóstolos constantemente fundamentam seus ensinos nas Escrituras do Antigo Testamento. Expressões como “está escrito”, “para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta”, “como está escrito na Lei”, ou outras semelhantes aparecem repetidamente ao longo do Novo Testamento, demonstrando que a fé cristã está edificada sobre uma revelação progressiva, coerente e unificada. A ordem para orar pelas autoridades em 1Timóteo 2, portanto, não constitui uma inovação apostólica, mas a continuidade de um princípio que já se encontrava claramente estabelecido nas Escrituras do Antigo Testamento.

Assim, o cristão pode discordar de governantes, pode denunciar injustiças e pode resistir a leis pecaminosas quando estas exigem desobediência a Deus. Contudo, jamais pode abandonar o dever de interceder pelas autoridades constituídas, independentemente da época em que vive, pois essa responsabilidade acompanha o povo de Deus ao longo de toda a história da redenção.

 

11. A participação dos cristãos na vida pública

Outro erro recorrente consiste em imaginar que a piedade cristã exige completo afastamento das responsabilidades públicas da sociedade. As Escrituras não sustentam esse pensamento, tampouco o comportamento. Ao longo da história da redenção encontramos homens piedosos ocupando funções relevantes em governos e administrações civis.

Há claro exemplos como o de José que tornou-se governador do Egito. A narrativa de Gênesis registra que, após interpretar os sonhos de Faraó, foi elevado à posição de autoridade sobre todo o reino: “Disse Faraó a José: Vês que te faço autoridade sobre toda a terra do Egito.” (Gn 41.41). Podemos também apontar a Daniel que exerceu funções governamentais sob diferentes impérios. “Então, o mesmo Daniel se distinguiu destes presidentes e sátrapas, porque nele havia um espírito excelente...” (Dn 6.3). Ainda podemos citar a Neemias que serviu como oficial do rei da Pérsia. “Eu era copeiro do rei.” (Ne 1.11).

Nenhum desses exemplos apresenta participação pública como incompatível com fidelidade espiritual. Pelo contrário. Todos demonstram que Deus pode usar Seus servos em diferentes esferas da vida social.

 

A pergunta que deve reger essa questão nunca pode estar em torno de simplesmente participar ou não participar. A questão é participar sob o senhorio de Cristo. A Escritura não exige que todo cristão se envolva diretamente em funções políticas. Mas também não proíbe que o faça.

O princípio fundamental permanece o mesmo: qualquer vocação legítima deve ser exercida para a glória de Deus.

Esse princípio aparece de forma particularmente clara nas instruções de Paulo aos coríntios. O apóstolo escreve: “Foste chamado sendo escravo? Não te preocupes com isso; mas, se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade. Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente, o que foi chamado sendo livre é escravo de Cristo... Cada um permaneça diante de Deus naquilo em que foi chamado.” (1Co 7.21-24). Observe que Paulo não exige mudança imediata da condição social, econômica ou profissional como requisito para servir a Cristo. O evangelho não destrói automaticamente as vocações legítimas nas quais o homem se encontrava quando foi chamado. Antes, santifica-as e as submete ao senhorio de Cristo.

O escravo convertido podia servir a Deus como escravo; o homem livre podia servir a Deus como homem livre. Se surgisse oportunidade legítima para melhorar sua condição, poderia aproveitá-la. Entretanto, sua utilidade para o Reino não dependia dessa mudança. O fator determinante não era a posição ocupada, mas a fidelidade a Cristo dentro dela.

O mesmo princípio aplica-se às diversas esferas da vida pública. O cristão não é obrigado a abandonar uma vocação legítima simplesmente porque se converteu. Seja como agricultor, comerciante, magistrado, militar, professor, servidor público ou ocupante de função política, permanece a mesma exigência: exercer sua vocação debaixo da autoridade de Cristo, obedecendo à Sua Palavra e buscando a glória de Deus. A questão central nunca é meramente onde o cristão está, mas como ele serve ao Senhor no lugar onde foi colocado por Sua providência.

 

12. Cristo como Rei das nações

Uma das maiores deficiências da teologia moderna consiste em restringir o senhorio de Cristo à esfera privada da religião. As Escrituras apresentam quadro muito mais amplo. Cristo não é apenas Rei da igreja, é Rei do universo. O Salmo 2 descreve a rebelião das nações contra Deus e contra Seu Ungido: “Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido...” (Sl 2.2). Entretanto, a resposta divina é não deixa dúvidas: “Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião.” (Sl 2.6). O salmo continua: “Pede-me, e eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão.” (Sl 2.8).

O Novo Testamento identifica esse Rei como o próprio Cristo. Após Sua ressurreição, o Senhor declara: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.” (Mt 28.18). Essa autoridade não representa uma concessão que Cristo jamais possuíra anteriormente como Filho eterno de Deus. Como o próprio Senhor afirma em Sua oração sacerdotal: “E, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo.” (Jo 17.5).

A exaltação descrita no Novo Testamento refere-se à manifestação pública, histórica e mediatorial da glória e autoridade que pertenciam ao Filho desde toda a eternidade. O Cristo encarnado, crucificado e ressurreto é entronizado como Mediador diante de toda a criação. Paulo nos ajuda dizendo: “Acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir...” (Ef 1.21). E continua: “E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja.” (Ef 1.22).

João igualmente descreve Cristo como: “A fiel testemunha, o primogênito dos mortos e o soberano dos reis da terra.” (Ap 1.5). E mais adiante emenda: “Rei dos reis e Senhor dos senhores.” (Ap 19.16)

·        Portanto, nenhum governante exerce autoridade independente.

·        Nenhum parlamento legisla acima de Cristo.

·        Nenhuma corte está além de Seu governo.

·        Nenhuma nação escapa ao Seu domínio.

·        Toda autoridade humana existe sob o cetro do Rei exaltado.

 

13. O juízo de Deus sobre governantes e povos

A mesma Escritura que ensina o governo providencial de Deus sobre as nações também ensina Seu juízo sobre elas. Nenhum povo permanecerá eternamente acima da justiça divina. Nenhum império escapará ao tribunal do Senhor. Temos essa certeza não somente pela fé que espera, mas porque a própria história bíblica fornece inúmeros exemplos do exercício dessa justiça na história. Os mesmos reis que Deus levanta, Ele também derruba. As mesmas nações que prosperam sob Sua providência podem ser abatidas quando persistem em sua soberba, idolatria e rebelião contra Sua Lei.

·        O Egito foi julgado.

·        A Assíria foi julgada.

·        Babilônia foi julgada.

·        Israel foi julgado.

·        Judá foi julgado.

 

O Senhor declarou contra a Assíria: “Ai da Assíria, cetro da minha ira...” (Is 10.5). Pouco depois, o mesmo Deus que utilizou a Assíria para disciplinar Israel anuncia juízo contra ela. Babilônia tornou-se instrumento do castigo divino contra Judá. Entretanto, posteriormente, também recebeu condenação.

O caso de Nabucodonosor ilustra de forma impressionante esse princípio. Após exaltar-se em orgulho, declarou: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei...” (Dn 4.30); e imediatamente veio a sentença divina. Ao final do episódio, o próprio rei reconhece: “Segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão...” (Dn 4.35).

·        Os governantes podem ignorar essa realidade.

·        As nações podem zombar dela.

·        Mas nenhuma delas conseguirá escapar ao julgamento de Deus.

·        O Senhor continua governando a história.

 

Conclusão

A doutrina bíblica do magistrado civil preserva simultaneamente duas verdades fundamentais.

·        Primeiro, o Estado é uma instituição legítima estabelecida por Deus.

·        Segundo, o Estado não é absoluto.

·        O magistrado é ministro de Deus, mas continua sendo servo.

·        A igreja deve respeitar as autoridades civis, mas jamais deve adorá-las.

·        O cristão deve obedecer às leis legítimas, mas jamais deve obedecer ao pecado.

·        A igreja não governa o Estado.

·        O Estado não governa a igreja.

·        Ambos permanecem debaixo do senhorio de Cristo.

Ao final da história, reis e súditos, governantes e governados, magistrados e cidadãos comparecerão diante do mesmo tribunal. Por isso a advertência do Salmo 2 continua ecoando através dos séculos: “Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos advertir, juízes da terra. Servi ao Senhor com temor e alegrai-vos nele com tremor. Beijai o Filho para que se não irrite e não pereçais no caminho...” (Sl 2.10-12)

·        O Estado existe por Deus.

·        O magistrado serve diante de Deus.

·        As nações pertencem a Deus.

·        E Cristo reina sobre todos.

 

Soli Deo Gloria.

 

Rev. Júlio Pinto

terça-feira, 9 de junho de 2026

TEMA 49 - O ESTADO E O MAGISTRADO CIVIL (PARTE II)

CONTINUAÇÃO

 

5. Os limites da autoridade do Estado

Se as Escrituras ensinam que a autoridade civil procede de Deus, elas também ensinam com igual clareza que essa autoridade não é absoluta. O magistrado é ministro de Deus, não substituto de Deus. Sua autoridade é real, mas derivada; legítima, mas limitada; elevada, mas subordinada ao Senhor que a concedeu.

O erro mais perigoso na compreensão do Estado consiste em transformar uma autoridade delegada em autoridade suprema. Quando isso ocorre, o governo passa a reivindicar prerrogativas que pertencem exclusivamente a Deus. A história está repleta de exemplos desse tipo de usurpação. Imperadores foram adorados como deuses. Reis reivindicaram autoridade espiritual absoluta. Estados modernos passaram a legislar como se fossem a fonte última da moralidade. Em todos esses casos, a criatura procurou ocupar o lugar do Criador.

 

As Escrituras jamais concedem tal posição ao magistrado.

 

Quando Israel recebeu instruções acerca da monarquia, o próprio rei foi colocado debaixo da Lei de Deus: “Também, quando se assentar no trono do seu reino, escreverá para si um traslado desta lei num livro, do que está diante dos sacerdotes levitas. Tê-lo-á consigo e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o Senhor, seu Deus, a fim de guardar todas as palavras desta lei e estes estatutos, para os cumprir; para que o seu coração não se eleve sobre os seus irmãos e não se aparte do mandamento, nem para a direita nem para a esquerda...” (Dt 17.18-20)

Observe a profundidade do texto. O rei não está acima da Lei. O rei encontra-se debaixo da Lei. Ele governa, mas também deve obedecer.

 

O mesmo princípio aparece no Salmo 2: “Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos advertir, juízes da terra. Servi ao Senhor com temor e alegrai-vos nele com tremor. Beijai o Filho para que se não irrite...” (Sl 2.10-12). Os governantes não são chamados a receber adoração, são chamados a adorar. Eles próprios permanecem sujeitos ao governo de Cristo.

Por isso, toda autoridade civil encontra seus limites na própria autoridade de Deus. Nenhum magistrado possui direito de exigir aquilo que Deus proíbe ou de proibir aquilo que Deus ordena.

·        O Estado não governa a consciência.

·        O Estado não define a verdade.

·        O Estado não determina o conteúdo da fé.

·        O Estado não ocupa o lugar da igreja.

·        O Estado não substitui o senhorio de Cristo.

 

6. Quando obedecer a Deus antes dos homens

Precisamente porque a autoridade civil possui limites, as Escrituras também reconhecem situações extraordinárias nas quais o povo de Deus deve recusar obediência ao magistrado. Esse princípio não nasce de espírito revolucionário. Nasce da própria soberania de Deus. Quando uma autoridade humana exige aquilo que contradiz a Palavra de Deus, a obediência ao Senhor torna-se prioritária.

As parteiras hebreias constituem um dos primeiros exemplos dessa realidade. Faraó ordenou: “Quando servirdes de parteiras às hebreias... se for filho, matai-o...” (Êx 1.16). Mas o texto continua: “As parteiras, porém, temeram a Deus e não fizeram como lhes ordenara o rei do Egito...” (Êx 1.17). Elas desobedeceram ao rei porque obedeceram a Deus.

Séculos mais tarde, os amigos de Daniel enfrentaram situação semelhante. Diante da ordem para adorar a imagem de ouro levantada por Nabucodonosor, responderam: “Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará... Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses...” (Dn 3.17-18). Daniel igualmente recusou submeter-se ao decreto que proibia a oração: “Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa... três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava...” (Dn 6.10)

O Novo Testamento mantém exatamente o mesmo princípio. Quando as autoridades judaicas proibiram a pregação do evangelho, Pedro e João responderam: “Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus.” (At 4.19). Pouco depois afirmaram: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.” (At 5.29). Veja que os apóstolos não estavam rejeitando toda autoridade civil ou religiosa. Estavam apenas reconhecendo que existe uma autoridade superior à qual todas as demais devem se submeter.

Portanto, a submissão cristã jamais é cega, é consciente, reverente e é limitada pela própria Palavra de Deus. Quando Estado e Escritura entram em conflito direto, o cristão deve permanecer ao lado da Escritura.

 

7. A relação entre igreja e Estado

Uma das questões mais importantes da teologia política cristã consiste em compreender corretamente a relação entre igreja e Estado. As Escrituras ensinam que ambas as instituições procedem de Deus. Contudo, não foram criadas para desempenhar as mesmas funções.

O Estado recebeu a espada                     X             A igreja recebeu as chaves.

O Estado administra justiça civil           X            A igreja administra os meios de graça.

O Estado protege a ordem pública         X            A igreja proclama o evangelho.

 

O próprio Cristo ensinou esse princípio quando afirmou: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” (Mt 22.21). A declaração não estabelece autonomia absoluta entre as esferas, como se Deus governasse apenas a religião enquanto César governasse o restante da vida. Pelo contrário. Ambos pertencem a Deus. Mas cada esfera possui competências distintas.

O próprio Cristo declarou: “O meu reino não é deste mundo.” (Jo 18.36). Seu reino certamente governa este mundo, mas não mediante os mecanismos próprios dos reinos terrenos. A igreja não avança por coerção política, avança pela Palavra, pelo Espírito e pela graça.

Ao mesmo tempo, Romanos 13 demonstra que o Estado também serve aos propósitos divinos. Assim, igreja e Estado não são inimigos, mas também não são a mesma instituição. São administrações distintas da providência de Deus.

 

8. O erro do erastianismo

Ao longo da história, uma das grandes distorções dessa relação foi o chamado erastianismo. O erastianismo ensina que o Estado possui autoridade suprema sobre a igreja. Nesse modelo, governantes civis passam a controlar: doutrina, disciplina, ordenações, governo eclesiástico, culto. Em vez de Cristo governar Sua igreja por meio dos oficiais que Ele mesmo instituiu, o governo civil passa a exercer controle espiritual.

As Escrituras rejeitam esse conceito. O próprio Cristo declarou: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja...” (Mt 16.18). A igreja pertence a Cristo, não pertence ao Estado.

Igualmente, Paulo escreve aos presbíteros de Éfeso: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus...” (At 20.28). Observe que foi o Espírito Santo quem constituiu os oficiais da igreja. Não foi César, nem o Senado e também não foi o Estado.

Por isso, a igreja deve respeitar a autoridade civil em sua esfera legítima, mas jamais pode entregar ao Estado a autoridade espiritual que pertence exclusivamente a Cristo.

 

9. O erro da teocracia eclesiástica

O erro oposto consiste em permitir que a igreja assuma funções que Deus entregou ao Estado. Se o erastianismo submete a igreja ao Estado, a teocracia eclesiástica procura submeter o Estado à administração direta da igreja. Historicamente, isso produziu confusões graves entre autoridade espiritual e autoridade civil. Contudo, Cristo jamais entregou à igreja a espada civil.

Quando Pedro tentou defender o Senhor mediante violência física, Cristo respondeu: “Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão.” (Mt 26.52). Paulo emenda dizendo que: “... as armas da nossa milícia não são carnais...” (2Co 10.4). A igreja possui autoridade verdadeira, mas é autoridade espiritual.

A igreja deve: proclamar, ensinar, exortar, disciplinar, administrar sacramentos; ela não governa por coerção civil. Cristo governa Sua igreja mediante Sua Palavra e Seu Espírito. Por isso, a solução bíblica não está nem no domínio do Estado sobre a igreja, nem no domínio da igreja sobre o Estado. Ambos permanecem debaixo do senhorio de Cristo, exercendo funções distintas dentro da ordem estabelecida por Deus.

 

(Continua na Parte III: oração pelas autoridades, participação cristã na vida pública, Cristo como Rei das nações e o juízo de Deus sobre governantes e povos.)

 

Rev. Júlio Pinto

sábado, 6 de junho de 2026

TEMA 49 - O ESTADO E O MAGISTRADO CIVIL (PARTE I)

Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.

(Romanos 13.1)

 

Ao longo da história da igreja, poucas áreas sofreram tantas distorções quanto a compreensão da autoridade civil. Em algumas épocas, o Estado foi elevado a uma posição quase divina, como se possuísse autoridade absoluta sobre todas as esferas da vida humana. Em outras, surgiram movimentos que praticamente negaram a legitimidade do governo civil, tratando toda autoridade política como uma consequência ilegítima da queda. Entre esses extremos, as Escrituras apresentam uma doutrina equilibrada, segundo a qual o magistrado civil é uma instituição criada por Deus, investida de autoridade real, porém limitada, destinada à preservação da ordem, da justiça e da paz na sociedade humana.

A compreensão correta dessa doutrina torna-se ainda mais necessária porque a Bíblia não trata apenas da relação do cristão com a igreja, mas também de sua relação com a sociedade, com os governantes e com as estruturas civis instituídas por Deus. O mesmo Senhor que governa Sua igreja é também o Rei das nações. A mesma Escritura que ordena a submissão aos presbíteros também ordena a sujeição às autoridades civis legítimas.

Por isso, o cristão precisa compreender simultaneamente duas verdades fundamentais. A primeira é que o Estado não é um mal necessário surgido apenas da corrupção humana. A segunda é que o Estado não possui autoridade absoluta. Ele existe por ordenação divina, mas permanece debaixo da autoridade suprema do próprio Deus.

 

1. A instituição divina do magistrado civil

As Escrituras ensinam claramente que a autoridade civil não se origina da mera vontade dos homens. Embora governos específicos possam surgir mediante processos históricos diversos, a própria existência da magistratura civil é uma instituição estabelecida por Deus. Paulo ensina:

Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.” (Rm 13.1-2)

Observe cuidadosamente a força da afirmação apostólica. Paulo não diz que apenas algumas autoridades procedem de Deus, mas que toda autoridade, mesmo aquelas que não as consideremos como legítimas, possuem origem última na providência divina. Essa verdade aparece repetidamente ao longo das Escrituras.

Daniel declara diante de Nabucodonosor: “Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder; é ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes.” (Dn 2.20-21). A ascensão e a queda dos governantes não escapam ao controle divino.

O livro de Provérbios ensina: “Por mim reinam os reis, e os príncipes decretam justiça; por mim governam os príncipes e os nobres, todos os juízes da terra.” (Pv 8.15-16).  O texto não atribui a autoridade política à autonomia humana, mas à providência soberana de Deus.

Pedro reafirma a mesma doutrina: “Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem.” (1Pe 2.13-14).

Assim, a existência do magistrado civil faz parte da ordem criada e preservada por Deus para o governo do mundo.

Essa verdade corrige dois erros opostos. Primeiro, corrige a tendência revolucionária que trata toda autoridade como inimiga da liberdade humana. Segundo, corrige a idolatria política que transforma o Estado em fonte autônoma de autoridade. O governo existe porque Deus o instituiu. Mas existe como servo de Deus, não como substituto de Deus.

 

2. O propósito do governo civil

Se Deus instituiu o magistrado, surge naturalmente a pergunta: para qual finalidade? A Escritura responde que a função principal do governo civil consiste na manutenção da justiça e da ordem pública.

Paulo diz: “Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.” (Rm 13.3-4)

Observe os elementos presentes:

  • promoção do bem;
  • contenção do mal;
  • exercício da justiça;
  • punição dos criminosos;
  • preservação da ordem.

Pedro emprega linguagem semelhante: “...como enviadas por ele tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem.” (1Pe 2.14).

A autoridade civil recebe a espada precisamente porque Deus lhe confiou responsabilidade judicial. Por essa razão, o Estado não existe para administrar os meios de graça, não existe para pregar o evangelho, não existe para administrar os sacramentos, nem para exercer o ministério espiritual confiado por Cristo à Sua igreja. Essas responsabilidades pertencem à esfera ministerial da igreja.

A igreja foi encarregada da pregação da Palavra, da administração dos sacramentos e do exercício da disciplina eclesiástica. Contudo, a regeneração em si não é produzida pela igreja, mas pelo Espírito Santo, que opera soberanamente através dos meios ordinários de graça estabelecidos por Deus. Ao magistrado foi confiada outra esfera de atuação: a preservação da justiça civil.

Essa distinção é fundamental porque evita tanto o secularismo radical quanto a confusão entre igreja e Estado.

®    O governo civil protege a ordem temporal.

®    A igreja proclama a redenção eterna.

 

3. A autoridade civil como ministra de Deus

Uma das expressões mais impressionantes de Romanos 13 é a maneira como Paulo descreve o magistrado. Ele afirma: “...visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem...” (Rm 13.4). Pouco depois acrescenta: “Porque os magistrados são ministros de Deus...” (Rm 13.6).

O termo utilizado pelo apóstolo é extremamente significativo. O governante é chamado de ministro de Deus. Isso não significa que ele seja sacerdote. Não significa que seja membro da igreja. Não significa sequer que seja convertido. Significa que ocupa um ofício instituído por Deus para cumprir determinada função dentro da ordem providencial.

 Essa verdade torna-se ainda mais impressionante quando lembramos quem governava o Império Romano quando Paulo escreveu essas palavras. Provavelmente Nero. Um homem que posteriormente perseguiria a igreja. Ainda assim Paulo reconhece a legitimidade da magistratura civil.

A Escritura apresenta diversos exemplos semelhantes. Faraó foi levantado pela providência divina: “Mas, deveras, para isto te levantei: para mostrar em ti o meu poder...” (Êx 9.16). Veja como Nabucodonosor foi chamado: “...Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo...” (Jr 25.9). Ciro recebeu uma designação extraordinária: “Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro...” (Is 45.1). Até Pilatos ouviu de Cristo: “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada...” (Jo 19.11)

Portanto, a legitimidade da autoridade não depende necessariamente da piedade pessoal daquele que governa. O ofício continua sendo ordenado por Deus.

O governante prestará contas a Deus pelo modo como exerce esse ofício. Mas sua autoridade não se torna automaticamente ilegítima por causa de sua impiedade pessoal.

 

4. A obrigação cristã de sujeição às autoridades legítimas

Como consequência dessa doutrina, o cristão possui deveres concretos diante das autoridades civis. Paulo determina: “É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência.” (Rm 13.5). Observe a profundidade da afirmação. A obediência civil não se fundamenta apenas no medo da punição. Ela possui dimensão moral, espiritual e de consciência.

O mesmo texto prossegue: “Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço. Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.” (Rm 13.6-7)

Igualmente, Paulo exorta: “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade...” (1Tm 2.1-2).

Assim, é dever de todo cristão:

  • obedecer às leis legítimas;
  • pagar tributos legítimos;
  • honrar as autoridades;
  • orar pelos governantes.

Isso não significa concordância irrestrita com todas as decisões políticas. Significa reconhecimento da ordem estabelecida por Deus.

A cultura contemporânea frequentemente glorifica a rebeldia contra qualquer forma de autoridade. Entretanto, a Escritura ensina que o espírito permanentemente insubmisso não constitui virtude cristã. O povo de Deus não é chamado à anarquia. É chamado à submissão piedosa dentro dos limites estabelecidos pela própria Palavra de Deus.

(Continua na Parte II: Os limites da autoridade civil; obedecer a Deus antes dos homens; igreja e Estado; erastianismo; teocracia eclesiástica.)

 

Rev. Júlio Pinto