segunda-feira, 3 de março de 2025

Objeções ao texto VITÓRIA DE TRUMP E O FUTURO DA ESQUERDA

 

  O texto em vermelho abaixo é intitulado: VITÓRIA DE TRUMP E O FUTURO DA ESQUERDA e tem autoria dita como sendo de Frei Betto, possivelmente disponível em algum site de internet. Recebi esse texto através da rede WhatsApp, num grupo e, segue algumas refutações históricas e ideológicas. As inserções das refutações estão em preto após o texto entremeadas com as frases tiradas do próprio original.

 

      Como outrora se dizia à luz de categorias marxistas, a correlação de forças mudou. Após a Segunda Grande Guerra, o avanço da União Soviética e o êxito da Revolução Chinesa (1948) estabeleceram um equilíbrio pendular no mundo conhecido como Guerra Fria.

      Os países capitalistas metropolitanos, em especial da Europa Ocidental, adotaram políticas social-democratas que beneficiaram a classe trabalhadora. O objetivo do Estado de bem-estar social era evitar que fosse atraída pela agenda comunista. A elite entregou os anéis para não perder os dedos.

      Antonio Candido dizia que a maior conquista do socialismo não tinha ocorrido nos países que o adotaram, e sim na Europa Ocidental que, por temê-lo, concedeu direitos aos trabalhadores. Derrubado o Muro de Berlim (1989), os direitos também vieram abaixo.

      Como Hitler e Mussolini encarnavam o que se considerava direita, se assumir como tal era tido como politicamente incorreto. No Brasil, após a redemocratização (1985), na polarização partidária o PT representava a esquerda e o PSDB, a direita, embora este partido traga em sua sigla a marca de social-democracia.

      Dissolvida a União Soviética (sem que se disparasse um único tiro) e derrubado o Muro de Berlim, a direita decidiu “sair do armário”. Hoje, a polarização ideológica não é entre esquerda e direita, é entre direita e extrema-direita, como Kamala e Trump. Em nosso país, diante do avanço da extrema-direita, boa parte da direita tenta se disfarçar de “centro”. É o caso do PDT, do MDB e de outros, que não advogam uma sociedade pós-capitalista.

      A eleição de Trump é a cereja do bolo que faltava à ascensão da direita no mundo. Sem dúvida, ela haverá de anabolizar a extrema-direita no Brasil. A diferença entre direita e extrema-direita é que a primeira respeita as regras da democracia burguesa; a segunda, as ignora e adota medidas autocráticas. O tema tem sido exaustivamente tratado por autores como Roger Eatwell, Matthew Goodwin e Cas Mudde.

      Como ficam os partidos progressistas como PT, PSOL, PcdoB, UP e outros? Pelo andar da carruagem (eleição de Trump e resultados das eleições municipais) dificilmente haverão de amealhar um número significativo de votos nas eleições de 2026.

       O próximo Congresso, a ser eleito em 2026, será tão ou mais conservador que o atual. Quem garante isso? O orçamento secreto, agora apelido de emendas parlamentares. Nenhum cacique municipal ou estadual correrá o risco de perder a boquinha na próxima legislatura federal. Quem vai querer abrir mão dessa cornucópia da qual jorram, a cada ano, bilhões de reais a serem embolsados por 81 senadores e 513 deputados federais?

      Quais as alternativas para a esquerda e os partidos progressistas? Um dos desafios é lidar política e profissionalmente com as redes digitais. Não se pode depender de iniciativas pessoais ou grupais. Se um partido quer emitir mensagens (análises de conjuntura; dados do governo progressista; contrapontos às fake news da direita etc.), deverá contar com equipes de profissionais especializados em mídias digitais e politicamente identificados com as propostas de esquerda. Não repetir o erro de certas campanhas eleitorais de candidatos de esquerda, cujos marqueteiros são de direita... Há que se ter equipes que se revezem de 8 em 8 horas de modo a atuar 24h por dia, de domingo a domingo. E cujos conteúdos emitidos tenham linguagem popular e sejam de forte impacto visual.

      O que levou Lula três vezes à presidência da República? Não foi a perícia dos marqueteiros nem as alianças partidárias, e sim o trabalho de base, de educação política, que acumulou em torno dele vultoso capital eleitoral. Trabalho desenvolvido em todo o Brasil a partir da década de 1970, através das comunidades de base das Igrejas cristãs, dos movimentos populares, do sindicalismo combativo, da militância remanescente da luta contra a ditadura. Trabalho conduzido pela pedagogia de Paulo Freire.

      Por que agora as classes populares dos EUA votaram em Trump? Por que há “pobres de direita”? Por que só a direita consegue promover, hoje no Brasil, manifestações de rua com número significativo de pessoas?

      Tomemos o exemplo de dona Maria. Diarista, sentia-se excluída, oprimida, condenada à invisibilidade. Ansiava, como é natural, sair do círculo do inferno. Sonhava em ser socialmente reconhecida e respeitada, como todo ser humano. Não lhe bastava ter um nome, documentos de identidade e uma atividade para sustentar, mal, a sobrevivência dela e dos filhos. Desejava “algo mais” que lhe imprimisse identidade social, sejam bens materiais (moradia, escola para os filhos, renda maior), sejam bens simbólicos (cultura, qualificação profissional, aprimoramento de seus dons artísticos).

      Maria se sentia humilhada pela árdua jornada diária. Abandonada pelo marido, buscava conciliar seu trabalho de faxina com o cuidado dos filhos. Além de trabalhar muito, passava horas do dia no transporte coletivo e se sabia socialmente invisível. O filho adolescente queria ao menos um tênis de marca para ser socialmente reconhecido. Os sonhos de consumo podiam torná-lo vulnerável aos tentáculos da criminalidade.

      Tudo mudou no dia em que Maria ingressou em uma comunidade religiosa que a trata como “irmã”, se interessa por sua vida, ajuda-a a transpor dificuldades. Para consolidar esse reconhecimento, ela abraçou a ideologia da comunidade. O pastor ou o padre a convenceu de que essa sociedade - capitalista - oferece oportunidades a todos, basta abandonar os vícios. Assim, deixou de gastar seu minguado salário em apostas e cigarros. Agora mira as famílias abastadas, em cujas casas faz faxina, como abençoadas por Deus, graças à prosperidade alcançada. Ainda que as pessoas continuem considerando-a uma “ninguém”, Maria aprendeu na Igreja que Deus a ama como filha e isso alimenta sua autoestima.

      Mesmo que o governo dê a Maria moradia própria graças ao “Minha casa, minha vida” e uma renda adicional através do Bolsa Família; e mesmo que seus filhos tenham escolas e empregos, ela não dará o salto epistêmico da ideologia da direita para a esquerda.

      Maria se inocula da naturalização do sistema capitalista por todos os meios que a cercam: a cultura que respira, as famílias que a contratam, a TV, o rádio, as redes digitais em seu celular. Como analisa o sociólogo estadunidense Seymour Martin Lipset em sua obra “Political man”, Maria admira pessoas ricas e poderosas, vota em políticos que prometem combater a politicagem, a corrupção, e tratar com mão de ferro bandidos e traficantes de drogas.

      Maria só dará o salto epistêmico quando participar de uma comunidade que a convença de que Deus não criou o mundo para que a humanidade se dividisse em pobres e ricos, nem uma sociedade onde uns poucos esbanjam muito e muitos clamam por um prato de comida. Ou quando se integrar a um movimento popular que, além da organização para adquirir casa própria ou uma área no campo onde possa produzir, ofereça a ela uma educação política que a faça entender as causas das desigualdades sociais, da criminalidade, da dependência de drogas.

       Na cabeça de Maria, homens como Trump e Bolsonaro merecem sua admiração porque são duros com a bandidagem e, por isso, os “frouxos” tratam de acusá-los injustamente de toda sorte de mentiras. Maria não sonha em ter a vida das madames para as quais trabalha. Sonha em andar pelas ruas sem medo de lhe roubarem a bolsa ou o celular; em ver os filhos empregados; em ter seu bairro com saneamento e ruas asfaltadas. Jamais imaginou que se na sociedade houvesse menos ricos, haveria também menos pobres. Ela nunca teve oportunidade de receber educação política. Por isso, vota confiante na direita, como nos EUA eleitores votaram majoritariamente em Trump, convencidos de que ele fará a roda da história girar ao contrário e o sonho americano se fará realidade para todos.

      Se a esquerda brasileira não tirar Paulo Freire das prateleiras, reabrir equipes e escolas de educação popular, capacitar militantes para atuar junto às classes populares, assumir a ética como princípio inegociável, trocar o projeto de poder pelo projeto de Brasil, ela haverá de sofrer, em 2026, sua pior derrota desde o fim da ditadura em 1985.

 

 

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

 Texto original com as devidas inserções de correções. 

Como outrora se dizia à luz de categorias marxistas, a correlação de forças mudou. Após a Segunda Grande Guerra, o avanço da União Soviética e o êxito da Revolução Chinesa (1948) estabeleceram um equilíbrio pendular no mundo conhecido como Guerra Fria

         Entretanto, essa visão simplista ignora o papel fundamental do Ocidente na expansão dos direitos individuais e na contenção dos regimes totalitários que massacraram milhões de pessoas sob o pretexto de igualdade.

     A afirmação de que os regimes comunistas da União Soviética e da China representaram avanços na busca pela igualdade é falaciosa e ignora o custo humano dessas experiências. A realidade histórica revela que esses regimes, longe de promoverem a igualdade, se tornaram verdadeiros exemplos de totalitarismo, massacrando milhões de pessoas desde a primeira investida do comunismo por Stalin.

        O Holodomor, um genocídio proposital de milhões de ucranianos por Stalin, é um claro exemplo do que o regime soviético foi capaz de fazer em nome da implementação de sucesso do comunismo em seu país. O governo soviético não hesitou em usar a fome como uma arma política, resultando na morte de entre 3 a 7 milhões de ucranianos, sem contar os milhões de outras vítimas que sofreram com os expurgos e as purgas estalinistas.

        Na mesma linha, a implementação do comunismo na China sob Mao Tsé-Tung causou a morte de milhões durante o “Grande Salto Adiante e a Revolução Cultural”. Durante o Grande Salto Adiante (1958-1962), por exemplo, a política desastrosa de coletivização forçada e a má gestão agrária resultaram em uma fome que matou estimados 45 milhões de pessoas. A Revolução Cultural (1966-1976) levou à destruição de toda uma geração, com milhões sendo perseguidos, torturados e mortos.

       A outra questão que precisa ser esclarecida é visão simplista que opõe “fascismo” a “comunismo” como opostos absolutos e que ignora uma realidade histórica revelando um entendimento pobre das ideologias políticas desses regimes. Embora os regimes de Hitler e Mussolini sejam, pela esquerda, classificados como fascistas e de direita, muitos dos ideais que implementaram e defenderam surpreendentemente encontram seus pares com os princípios adotados simplesmente por partidos de esquerda contemporâneos, no Brasil e em outros países, especialmente no que diz respeito ao controle estatal e à centralização do poder. O que é totalmente avesso às políticas conservadoras liberais de direita em qualquer tempo na história; mas é visto, ainda hoje em certo nível, em todos os países comunistas.

       Digo ‘em certo nível’ pois após o período de vivência da desastrosa implementação do comunismo na China, por exemplo, que foi o país com o maior número de mortos; a China adotou uma série de reformas implementadas a partir do final da década de 1970 sob a liderança de Deng Xiaoping, que marcou uma mudança significativa na condução financeira do país, dentro de seu regime comunista, que foi a adoção de uma economia de mercado. Mesmo assim, o regime continua totalitário em vários aspectos, a começar por repressões severas às liberdades individuais e por haver um único partido político no país, e ai de quem ousar se levantar, ou falar algo contra esse partido.

        O regime de Hitler na Alemanha e o regime de Mussolini na Itália eram abertamente nacionalistas, mas também defendiam uma forte intervenção estatal na economia e na vida social, muito em linha com o que se observa em regimes de esquerda, tanto no passado quanto no presente. O próprio nome do partido nazista fala por si só, Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei – NSDAP); ou seja: Essa foi a primeira versao do PT só que na Alemanha Nazista. Hitler, por exemplo, defendeu a criação de um Estado forte, onde o governo central controlava a produção, inclusive com a utilização de empresas estatais e um sistema de economia planejada para garantir o poder do Estado. Isso é algo que se alinha com a visão socialista de controle estatal dos meios de produção, como defendido pela esquerda. O que também é o extremo oposto das políticas conservadoras liberais.

      Mussolini, que fundou o regime fascista na Itália, também implementou um sistema de corporativismo, onde o governo controlava fortemente os sindicatos e os setores econômicos, promovendo um modelo de economia que deixava de lado o livre mercado em favor de um planejamento centralizado. Os sindicatos, sob o regime fascista, eram usados como ferramentas para garantir a fidelidade ao Estado, e não para representar interesses independentes dos trabalhadores. Os sindicatos eram apenas mais um instrumento de controle de massas. 

       Essa ideia de controle dos sindicatos e da produção pelo Estado é também um pilar central da ideologia de muitos partidos de esquerda contemporâneos, que defendem a estatização de setores estratégicos da economia e a centralização do poder no governo. Que, acerca disso, precisamos lembrar dos pretensos sindicatos como que preocupados com o trabalhador; e essa é uma estória só para quem acredita em papai Noel e na Tinker Bell. Na real, aqui a verdade apareceu como foi o caso de atuantes políticos de esquerda no Brasil à época do regime militar entre as décadas de 1960 a 1990, quando atuavam como sindicalistas. A história que ninguém (a esquerda) quer contar é sobre a manipulação dos sindicatos aos trabalhadores incentivando-os a entrarem em greve e depois vendiam o fim das greves para os empresários obtendo seus lucros como bons capitalistas selvagens.  

       Além disso, tanto o regime de Hitler quanto o de Mussolini procuraram implementar uma ideologia de “coletivismo nacional” – um conceito de unidade da nação sob um Estado forte, onde os interesses do indivíduo eram subordinados ao coletivo. Isso ecoa, e não é coincidência, a ideia de um Estado totalitário que controla todas as esferas da vida, sendo o mesmo princípio defendido tanto pelo socialismo como pelo comunismo, como visto ainda hoje na Rússia, China, Coréia do Norte, Venezuela e seus pares.

       Como já visto, os regimes fascistas e nazistas, embora se apresentassem como anticomunistas, carregavam os mesmos princípios que hoje são característicos de movimentos de esquerda, como o controle da produção pelo governo, a defesa das estatais e a centralização do poder econômico e político, bem como a defesa e criaçao dos sindicatos como formas de controle do trabalhador. O fascismo e o socialismo, ambos regimes totalitários, compartilhavam um desprezo pelos direitos individuais e uma crença na intervenção do Estado para moldar e controlar a sociedade. Ambos os regimes eram profundamente estatistas e se opunham ao livre mercado, favorecendo uma forma de planejamento centralizado da economia. O que é a própria expressão da esquerda dos dias atuais.

       Portanto, vê-se que a narrativa de que os regimes de Hitler e Mussolini são completamente opostos aos ideais da esquerda é falaciosa. Embora o fascismo se baseasse em um nacionalismo extremo, e na criação de uma identidade nacional homogênea, o que ambas ideias não definem ser de direita, fez uso de métodos de controle social e econômico que também foram empregados pelos regimes de esquerda, como o totalitarismo estatal, o controle da produção e a interdependência entre governo e sindicatos. O controle das estatais e a centralização da economia são, de fato, princípios que também estão na base de muitos partidos de esquerda até hoje.

       Atualmente, embora as circunstâncias possam ser diferentes, encontramos nos partidos de esquerda que ainda se baseiam nesses mesmos princípios autoritários, mesmo que a retórica da igualdade e da justiça social seja mantida, um mero conto da carochinha.

 

  Os países capitalistas metropolitanos, em especial da Europa Ocidental, adotaram políticas social-democratas que beneficiaram a classe trabalhadora. O objetivo do Estado de bem-estar social era evitar que fosse atraída pela agenda comunista

         No entanto, tal narrativa esquece que o desenvolvimento econômico proporcionado pelo capitalismo foi o verdadeiro motor para a melhoria das condições de vida, e não concessões feitas por medo do comunismo. Uma prova disso é o que a China promoveu de mudança na sua área econômica após ter matado milhões de chineses com a implementação do regime comunista. O crescimento econômico da China se deve a uma série de reformas implementadas a partir do final da década de 1970 sob a liderança de Deng Xiaoping que introduziu a economia de mercado, mas manteve o status ditatorial para área social e política.

 

  Antônio Candido dizia que a maior conquista do socialismo não tinha ocorrido nos países que o adotaram, e sim na Europa Ocidental que, por temê-lo, concedeu direitos aos trabalhadores. Derrubado o Muro de Berlim (1989), os direitos também vieram abaixo      

           A queda do Muro de Berlim em 1989 não representou o fim dos direitos dos trabalhadores na Europa Ocidental, mas sim a derrocada definitiva de um sistema que se sustentava por meio da repressão e do fracasso econômico. A afirmação de que o socialismo teria forçado os países ocidentais a conceder direitos ignora que a prosperidade europeia foi resultado de políticas liberais e democráticas, enquanto os países socialistas mergulharam na estagnação econômica, na repressão política e na miséria da população.

        A Alemanha Oriental, antes da reunificação, era um exemplo claro do fracasso econômico socialista. Apesar de estar localizada na mesma região geográfica que a próspera Alemanha Ocidental, sua economia permaneceu atrasada, com severas restrições às liberdades individuais e um Estado policialesco que mantinha sua população sob vigilância constante. Após a queda do regime comunista, a reunificação alemã demonstrou que a adoção de políticas de livre mercado era o caminho para o crescimento e a prosperidade.

      O caso da Coreia do Norte é outro exemplo do embromo comunista. Enquanto a Coreia do Sul, adotando uma economia de livre mercado, tornou-se uma potência econômica global, a Coreia do Norte permaneceu isolada, mergulhada na fome e na repressão extrema. O contraste entre os dois países evidencia como o comunismo real é um engodo pregando que iria gerar progresso mas o que acontece é justamente a imposiçao de sofrimentos inimagináveis à sua população até os dias de hoje.

        Cuba, outro experimento comunista implementado com sucesso, mostra como continua a enfrentar dificuldades severas, mesmo após décadas de promessas revolucionárias. A economia da ilha depende de subsídios externos e do turismo, enquanto os cubanos sofrem com a escassez de produtos básicos e a repressão política. A promessa de igualdade deu lugar à pobreza generalizada e à falta de liberdade pessoal.  Essa é a real situaçao do comunismo: O comunismo só funciona enquanto há dinheiro alheio sendo gasto. Acaba-se o dinheiro, a realidade comunista aparece: fome, miséria, repressao política, caça aos direitos individuais e o fim da liberdade em todos os aspectos. 

        O caso mais recente, a Venezuela, ilustra como políticas socialistas podem levar rapidamente um país próspero à ruína. Detentora das maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela experimentou décadas de crescimento antes da adoção do modelo chavista. Sob um regime socialista, o país passou por hiperinflação, desabastecimento e uma crise humanitária que levou milhões de cidadãos ao exílio. E, vimos a realidade da população venezuelana que, vítima do colapso socialista em seu país, buscou refúgio no Brasil durante o governo anterior, atravessando a fronteira pelo Estado de Roraima. Essa realidade influenciou de tal maneira a política local, que tornou Roraima o estado com o maior número de prefeituras avessas às políticas comunistas, como demonstrado nas últimas eleições municipais.

         A atual realidade do Brasil segue o mesmo caminho. Após um período de franco crescimento econômico e saldo positivo em caixa deixado pelo último governo findo em 2022[1], o país agora enfrenta um cenário de rombo econômico devido à implementação de políticas comunistas. O avanço do intervencionismo estatal, o aumento descontrolado dos gastos públicos e a insegurança jurídica afastam investimentos, geram desemprego e comprometem a estabilidade financeira da nação[2]. Assim como nos outros exemplos históricos, a guinada ao socialismo demonstra ser um erro que custa caro à população.

          Esses exemplos históricos demonstram que o socialismo não foi o motor do progresso dos trabalhadores no Ocidente. Pelo contrário, onde foi aplicado, gerou atraso político e econômico, repressão à população, e perseguição aos oponentes políticos e o fim das liberdades individuais. 

        A prosperidade em vários aspectos e os direitos dos trabalhadores, as liberdades de expressão, política e religiosa foram conquistadas dentro de democracias liberais, onde se provou o crescimento econômico, onde também a inovação e liberdade de consciência permitiram melhores condições de vida para toda a população.


   Como Hitler e Mussolini encarnavam o que se considerava direita, se assumir como tal era tido como politicamente incorreto

        No entanto, essa categorização ignora que tanto o nazismo quanto o fascismo eram fortemente estatistas, intervencionistas e coletivistas, características que se alinham às ideias da esquerda ao invés do liberalismo conservador. A defesa de estatais, o controle governamental da produção e a dependência do povo ao Estado são elementos comuns entre os regimes de Hitler, Mussolini e os partidos de esquerda.

 

No Brasil, após a redemocratização (1985), na polarização partidária, o PT representava a esquerda e o PSDB, a direita, embora este partido traga em sua sigla a marca de social-democracia. 

         Essa divisão artificial ignora o fato de que o PSDB sempre teve uma orientação progressista e nunca representou uma direita autêntica, diferentemente do que ocorre em democracias maduras. Na realidade, o PSDB e seus correlatos sempre fizeram parte da chamada "teoria das tesouras", sendo apenas uma versão mais lenta e disfarçada do projeto político do PT. A parceria entre Fernando Henrique Cardoso e Lula sempre existiu, e ambos colaboraram para a perpetuação do mesmo esquema de poder sob rótulos diferentes.

 

  Dissolvida a União Soviética (sem que se disparasse um único tiro) e derrubado o Muro de Berlim, a direita decidiu “sair do armário”. Hoje, a polarização ideológica não é entre esquerda e direita, é entre direita e extrema-direita, como Kamala e Trump

        Essa colocação falaciosa corrompe a realidade ao confundir conservadorismo com extremismo, enquanto ignora a radicalização da esquerda, que flerta abertamente com ideologias autoritárias.

 

  A eleição de Trump é a cereja do bolo que faltava à ascensão da direita no mundo. Sem dúvida, ela haverá́ de anabolizar a extrema-direita no Brasil

        A diferença entre direita e extrema-direita é que a primeira respeita as regras da democracia burguesa; a segunda, as ignora e adota medidas autocráticas. O tema tem sido exaustivamente tratado por autores como Roger Eatwell, Matthew Goodwin e Cas Mudde. A real diferença é que a esquerda tem dificuldades em aceitar a democracia quando não está no poder, recorrendo a narrativas de extrema-direita para desqualificar seus opositores.

 

  Como ficam os partidos progressistas como PT, PSOL, PcdoB, UP e outros? Pelo andar da carruagem (eleição de Trump e resultados das eleições municipais) dificilmente haverão de amealhar um número significativo de votos nas eleições de 2026.    

          Isso se deve ao fato de que a população está cada vez mais ciente dos desastres econômicos e sociais que essas agremiações promoveram quando estiveram, e como agora voltaram ao poder. Ou como afirmou o atual vice-presidente Alk-min, acerca de Lule quando ainda, dito oponente de Lule, algo como: “Voltará a cena do crime...”. O crescente descontentamento com as gestões passadas, especialmente em relação à inflação, ao desemprego e à corrupção, tem levado muitos a buscar alternativas políticas fora do espectro tradicional da esquerda.

        Por outro lado, o esclarecimento da população, especialmente no Brasil, foi amplamente impulsionado pelo advento da internet. A democratização do acesso à informação, proporcionada pelas redes sociais e pela possibilidade de consultar múltiplas fontes, tem sido crucial para que os cidadãos possam formar suas próprias opiniões sobre a política e os governos. A internet se tornou um espaço onde o debate sobre a realidade política e social do país ocorre de forma ampla e livre, sem uma censura contundente — ao menos ainda — no Brasil.

        Contudo, essa liberdade tem sido desafiada por forças políticas dentro do próprio Brasil. Tanto a esquerda brasileira quanto o S-T-F, que apoia suas políticas legislando de ofício, têm se empenhado em um esforço para "regulamentar as redes sociais", com o objetivo de controlar, ou pelo menos limitar, a disseminação de informações que eles considerem prejudiciais ou falsas e que exponham seus projetos de poder. Projetos como o PL 2630/2020, conhecido como "Lei das Fake-News", e as ações do S-T-F sobre a moderação de conteúdo nas plataformas digitais estão no centro dessas discussões. Tais iniciativas possuem um discurso falacioso de criar um equilíbrio entre a liberdade de expressão e a necessidade de combater a desinformação, o que claramente é um projeto de cerceamento à LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Se, se trata de desinformação, opere de acordo com o ordenamento jurídico Brasileiro: Processe o mentiroso dentro do devido processo legal. Do contrário, regulamentar as redes sociais é exatamente seguir o exemplo de Cuba, China, Coreia do Norte e da Gestapo de Hitler a seu tempo.

         Essa regulamentação das redes sociais se tornou um tema central no Congresso Nacional e no S-T-F, com debates acirrados sobre como garantir um ambiente digital seguro, mas sem comprometer direitos fundamentais. O Congresso, por exemplo, tem discutido a responsabilidade das plataformas em moderar conteúdos que considerem prejudiciais, enquanto o S-T-F tem tomado decisões de ofício relacionadas à atuação do Estado para controlar o fluxo de informações nas redes. Esses movimentos refletem um cenário político tenso, onde a liberdade de expressão e o controle informativo estão em constante confronto.

 

  O próximo Congresso, a ser eleito em 2026, será tão ou mais conservador que o atual. Quem garante isso? O orçamento secreto, agora apelido de emendas parlamentares. Nenhum cacique municipal ou estadual correrá o risco de perder a boquinha na próxima legislatura federal. 

           No governo anterior, ficou claro na fala do articulador, que o nome que se dava às já existentes emendas parlamentares era o “orçamento secreto”. Nome fomentado pela midia mainstream e os politiqueiros de plantão da esquerda ardiam em febre afirmando que era um ato  maldito querendo afirmar com isso que, tal coisa, era ilegal, obscuro ou algo dessa natureza. Mas, agora, é legal, são apenas as Emendas Parlamentares operando da mesma forma que antes.

       A afirmação de que o Congresso de 2026 será "tão ou mais conservador" do que o atual, e que isso se deve ao uso do orçamento secreto (emendas parlamentares), ignora uma dinâmica central da política brasileira: o fisiologismo. Este não é um problema exclusivo de um espectro político, mas uma prática comum em todas as alas políticas, sendo uma das principais características de como a política brasileira, e até a mundial, funciona, com parlamentares e governantes negociando apoio em troca de vantagens pessoais ou regionais, como recursos públicos ou cargos.

        O fisiologismo pode ser explicado como a prática de políticos usarem seu poder para garantir benefícios a seus aliados ou a si mesmos em troca de apoio, frequentemente através de emendas parlamentares ou a nomeação de aliados para cargos de confiança. Esse tipo de acordo favorece a manutenção de uma rede de poder baseada na troca e não na meritocracia ou no interesse coletivo, priorizando, em última instância, a perpetuação de um sistema político baseado em benefícios pessoais. Uma verdadeira distorção do que seria uma política de fato democrática.

      Um exemplo claro disso é o “governo de Jair Bolsonaro”. Durante seu mandato, Bolsonaro tentou adotar uma postura de distanciamento desse fisiologismo, resistindo aos acordos que muitos de seus aliados políticos buscavam em troca de apoio. Isso levou a um grande confronto com o Congresso e com a velha política, que sempre se utilizou dessa prática para garantir apoio. Bolsonaro se recusou a fazer as concessões que seus aliados esperavam, não "comprando" o apoio político com emendas ou outros tipos de negociatas. Isso causou um distanciamento entre o presidente e o Congresso, o que resultou numa série de dificuldades políticas para o governo, incluindo a perda de apoio em momentos estratégicos e a falta de uma base sólida dentro do parlamento.

      Esse enfrentamento contra o fisiologismo e a recusa em seguir o "jogo político" tradicional foi um dos fatores que contribuíram para a fragilidade política do governo Bolsonaro, especialmente nas vésperas da eleição de 2022. O sistema político, que é sustentado por essas práticas de troca de favores e apoio, acabou se voltando contra ele. No processo eleitoral de 2022, muitos dos mecanismos políticos usados para minar sua base de apoio já estavam em vigor, como vimos durante a campanha, com manipulações e influências externas, como a própria USAID, além da utilização de recursos nacionais de maneira estranha a um pleito que deveria ser considerado democrático.

      Assim, o que a análise falha em perceber é que o fisiologismo não é uma prática que depende apenas de quem está no poder, mas sim uma característica estrutural da política brasileira, que transcende a simples diferença entre direita e esquerda. A resistência de Bolsonaro a essa prática tradicional, embora baseada em um ideal de governar sem a troca de favores, acabou enfraquecendo sua posição e abrindo caminho para o sistema político "peitar" sua gestão, criando condições que muitos consideraram prejudiciais à sua reeleição. A eleição de 2022, com seus eventos e dinâmicas atípicas, refletiu em grande parte o impacto dessa recusa do presidente em se alinhar com o fisiologismo.

       Portanto, ao afirmar que o Congresso continuará sendo dominado por práticas como o orçamento secreto e que o fisiologismo seria uma prerrogativa da direita, a análise deixa de reconhecer que isso é uma característica do sistema político em si. O fisiologismo, seja na direita ou na esquerda, é uma prática transversal, e quem tenta se distanciar dela, como no caso de Bolsonaro, acaba enfrentando uma resistência sistêmica que pode enfraquecer sua posição e até inviabilizar sua continuidade no poder.

   Quais as alternativas para a esquerda e os partidos progressistas? Um dos desafios é lidar política e profissionalmente com as redes digitais

         O problema, no entanto, é que a esquerda acredita que pode manipular as massas por meio de propaganda, ignorando que a internet permitiu a democratização da informação, dificultando a imposição de narrativas como já visto em argumento anterior.

   O que levou Lula três vezes à presidência da República? Não foi a perícia dos marqueteiros nem as alianças partidárias, e sim o trabalho de base, de educação política, que acumulou em torno dele vultoso capital eleitoral.

        No entanto, esse trabalho de base sempre foi marcado por um viés doutrinário, pautado nas ideias de Paulo Freire, que não passam de um instrumento de manipulação ideológica. Freire não desenvolveu um modelo educacional eficaz, mas sim um método para transformar indivíduos sem instrução em militantes incapazes de pensamento crítico real, tornando-os meros repetidores de slogans partidários.

Agora, vamos ver uma outra versão da história de Maria.

Maria sempre foi uma mulher simples, mas com uma força interior que a mantinha em pé diante das dificuldades da vida. Trabalhava como diarista, se desdobrando para cuidar de seus filhos e garantir o sustento da casa. Todos os dias, após um longo dia de trabalho pesado e cansativo, ela voltava para sua casa com a sensação de ser invisível, como se o esforço de sua vida não fosse reconhecido nem valorizado. Mesmo tendo seu nome, seus documentos e um trabalho honesto, Maria sentia que lhe faltava algo mais: dignidade e respeito, coisas que o sistema parecia não dar a ela, por mais que ela se dedicasse a tudo o que fazia.

A grande virada aconteceu quando Maria encontrou uma comunidade religiosa que a acolheu como irmã. Ali, ela não era mais apenas uma “ninguém”, uma mulher sem nome ou status. Era vista, reconhecida e, mais importante, respeitada como filha de Deus. O pastor, com sua sabedoria e generosidade, ensinou a Maria que, independentemente de sua classe social, Deus a ama e que, com trabalho duro, oração e fé, ela poderia conquistar uma vida mais digna. A comunidade lhe ofereceu um espaço onde ela não precisava mais se esconder, onde a valorização de seu esforço era real.

O maior ensinamento que Maria recebeu foi que o mérito e o esforço pessoal são fundamentais para alcançar qualquer coisa na vida, conheceu a meritocracia. Ela começou a perceber que sua luta não era apenas contra a pobreza material, mas contra uma ideologia que a fazia acreditar que ela não tinha escolha, que ela estava presa a um destino predeterminado pela sua classe social. Ela se libertou da ideia de que o sistema estava irremediavelmente contra ela. Pelo contrário, ao adotar uma visão mais conservadora, Maria passou a ver que o trabalho árduo, a moralidade e a fé eram fruto de uma vida regenerada e que, mesmo que a sociedade em seu entorno não a valorizasse, que, no tempo certo ela teria reconhecimento, respeito e prosperidade espiritual pelo fato de ter sido alguém alcançada pela graça.

Com a ajuda da igreja, pelo ensino recebido, pela operação miraculosa da conversão, Maria começou a abandonar os vícios que lhe foram ensinados como solução rápida para seus problemas — como as apostas e o consumo de cigarro — e passou a dedicar seus recursos a algo mais valioso: a educação de seus filhos, o aprimoramento de sua própria capacidade de trabalho e, sobretudo, o fortalecimento de sua fé e no conhecimento de Deus.

Aos poucos, começou a perceber que as famílias para as quais trabalhava como diarista, aquelas que antes pareciam distantes e inacessíveis, não eram “abençoadas” por um sistema injusto, mas sim pelo esforço, pela disciplina e pela valorização do mérito, quem planta colhe. Mas, tendo a consciência de que tudo estava debaixo da soberania de Deus (Sl 75.7). Para ela, essas famílias representavam aquilo que ela poderia alcançar com o devido esforço e dedicação, se isso fosse da vontade de Deus.

O maior aprendizado de Maria foi o da valorização do mérito pessoal (2 Tss 3:10) e da importância de lutar por um mundo onde a justiça social fosse alcançada não por meios externos, mas através da luta pessoal e do esforço individual se submetendo ao jugo de Cristo (Mt 11.30). Maria aprendeu a rejeitar a ideologia da esquerda que lhe dizia que seu destino estava atrelado a um sistema opressor e que sua vida nunca poderia ser mais do que aquilo que ela tinha vivido até então. Ela entendeu que não precisava ser vítima de um sistema para justificar suas dificuldades e que a solução estava nela mesma, em seu trabalho, em sua fé, e no entendimento de que, ao contrário do que o discurso da esquerda propaga, a verdadeira liberdade e prosperidade se encontram em Cristo, quando após ser “...selada com o Espírito Santo...” (Ef 1.13) aprendeu a valoriza o esforço individual, a ética e a moral.

Ao longo do tempo, Maria se fortaleceu com a ideia de que o trabalho e a fé seriam os pilares de sua mudança. Ela rejeitou a ideia de que precisaria da “ajuda” do governo ou de assistencialismo para conquistar o que desejava. Percebeu que o trabalho e a promoção do sustento por si mesma era algo digno. Ela percebeu que não poderia mudar a estrutura do sistema, mas poderia mudar sua posição dentro do próprio sistema através do conhecimento e da valorização de seus próprios esforços.

A política que a direita defendia, com o foco no mérito, no combate à corrupção, na valorização do trabalho e na proteção das famílias, passou a fazer muito mais sentido para Maria do que as promessas da esquerda, que lhe diziam que ela era vítima de algo maior, algo que ela não podia controlar e que deveria se juntar aos movimentos sociais para lutar, literalmente.

Maria começou a valorizar as qualidades que ela tinha, a fé que a sustentava, e a visão de mundo que agora adotava: um mundo onde a responsabilidade, a disciplina, o trabalho árduo e a moralidade cristã eram os caminhos para a verdadeira ascensão social. Com esse novo olhar, ela passou a admirar políticos que, como Trump e Bolsonaro, falavam sobre a necessidade de acabar com a corrupção e de garantir a segurança, a prosperidade e o reconhecimento das pessoas trabalhadoras.

Ela não sonhava mais em ter a vida das “madames” para as quais fazia faxina, deixou a cobiça de lado. Maria passou a sonhar com uma vida em que, com o trabalho e a educação de seus filhos, ela poderia ver sua família prosperando principalmente espiritualmente, passou a ver que as ruas do seu bairro também poderiam ser seguras, em que ela poderia andar sem medo de ser assaltada, e em que seus filhos teriam acesso a oportunidades que antes pareciam inalcançáveis. Não por que o governo as tornariam mais seguras, mas por que ela passou a confiar na graça e soberania de Deus (Sl 127.1). Ela não imaginava que, ao valorizar o mérito e o esforço, ela poderia mudar sua própria vida e influenciar a vida de muitos ao seu redor.

Maria agora entendia que não era mais uma vítima, mas uma serva de Deus que se vangloriava na soberania Dele em sua própria história. E, com essa visão, ela encontrou força para acreditar que a mudança que ela desejava não viria do governo ou da sociedade como um todo, mas daquilo que ela própria poderia fazer para entender o seu lugar no mundo. Votando na direita, Maria não fazia apenas uma escolha política, mas afirmava sua crença no mérito, na valorização do trabalho, na proteção da família e na importância de um mundo onde os indivíduos possam prosperar com base em suas próprias escolhas e esforços, e não em um sistema ideológico que limita sua capacidade de pensar e agir livremente e ainda tenta se manter no poder por meio de subterfúgios financeiros transmitindo a falsa de ideia de “distribuição de renda” por meio de programas sociais que precisam ser vistos como meios de controle da massa incauta.

 

  Se a esquerda brasileira não tirar Paulo Freire das prateleiras, reabrir equipes e escolas de educação popular, capacitar militantes para atuar junto às classes populares, assumir a ética como princípio inegociável, trocar o projeto de poder pelo projeto de Brasil, ela haverá de sofrer, em 2026, sua pior derrota desde o fim da ditadura em 1985

           Na verdade, enquanto a esquerda continuar apostando em doutrinação em vez de educação de qualidade, e se negar a debater suas práticas e seus erros, ela continuará perdendo espaço para aqueles que realmente oferecem soluções pragmáticas e eficientes para os problemas do país. Em outras palavras: a saída para a esquerda é uma guinada à direita.



[1] De acordo com o Tesouro Nacional, o Governo Federal registrou um superávit primário de R$ 59,7 bilhões em 2022, superando a previsão de R$ 36,3 bilhões estabelecida pelo Decreto nº 11.269/2022. Este superávit indica que, naquele ano, as receitas do governo excederam as despesas, excluindo os gastos com juros da dívida pública. Este resultado positivo contribuiu para a redução da dívida pública e para a sustentabilidade fiscal do país.É importante ressaltar que o superávit primário reflete a capacidade do governo de gerir suas contas de forma responsável, garantindo recursos para investimentos e políticas públicas essenciais. https://www.gov.br/tesouronacional/pt-br/noticias/governo-federal-apresenta-superavit-primario-de-r-59-7-bilhoes-em-2022

https://www.gov.br/tesouronacional/pt-br/noticias/estados-e-df-apresentam-superavit-primario-de-r-41-6-bilhoes-em-2022/

 

[2] De acordo com o Banco Central do Brasil, o resultado nominal do setor público consolidado foi deficitário em R$998,0 bilhões (8,45% do PIB) em 2024, ante R$967,4 bilhões (8,84% do PIB) em 2023.

https://www.bcb.gov.br/estatisticas/estatisticasfiscais

Além disso, as Estatísticas de Finanças Públicas indicam que a necessidade de financiamento do governo geral aumentou 111,2% em 2023 em relação ao ano anterior, devido a um crescimento nominal de 13,2% das despesas, enquanto as receitas aumentaram apenas 3,4% no mesmo período.

www.tesourotransparente.gov.br/publicacoes/estatisticas-de-financas-publicas-e-conta-intermediaria-de-governo/2023/114

Esses dados oficiais refletem um aumento significativo das despesas públicas e do déficit fiscal, o que pode impactar a estabilidade financeira do país.

sábado, 1 de fevereiro de 2025

...brutos sem razão...

 Judas 1:10

10 Estes, porém, quanto a tudo o que não entendem, difamam; e, quanto a tudo o que compreendem por instinto natural, como brutos sem razão, até nessas coisas se corrompem.

               Os discípulos foram alertados do fermento dos fariseus. A princípio não entenderam o que Jesus estava querendo dizer com a figura utilizada por ele, mas tão logo entenderam que foi acerca da da doutrina dos fariseus e dos saduceus (Mateus 16:12). Não faltava intelectualidade nem aos fariseus, nem aos saduceus, pelo contrário, eram homens letrados e de uma refinada retórica de ensino. O populacho de Israel os tinha quase que como semi-deuses, venerados portadores dos oráculos divinos, e que, por muitas décadas, construíram e se mantiveram na casta religiosa de Israel.  

               A história não é diferente em nossos dias. (Eclesiastes 1:9). O contexto religioso brasileiro segue o mesmo padrão de outrora noutras terras. As mídias sociais, os grupos de afinidade, as próprias igrejas de todas as denominações, mesmo que não seja a intenção, se apegam a alguns líderes midiáticos como se suas palavras fossem inspiradas e inerrantes. Temos duas faces de uma mesma moeda neste contexto: idólatras e idolatrados. Como disse Salomão: “...nada há, pois, novo debaixo do sol.”

               Para um público inepto, néscio, qualquer um que tenha lido uma dúzia de dois ou três livros acerca de um mesmo objeto, aquele ali se torna mestre do saber. É do que diz o ditado que: “Em país de banguela quem tem dente é rei.” A decadência do conhecimento se vê em todas as áreas e a teologia não fica de fora do histórico ciclo dito por Salomão.

               Reinam sobre os miseráveis intelectuais o miserável soberbo, o bruto irracional, como diria Judas. E este quer se impor no grito, na falácia, fazem do pensamento popular a fundamentação de interpretação da Escritura. Querem impor seu pensamento, sua forma de olhar e ver o mundo forçando textos a se encaixarem nas suas heresias.

               O néscio olha isso e se vê deslumbrado pela habilidade com as palavras, com o jogo de cintura, com a ginástica olímpica em torno das palavras, empolgado com a sua ignorância sendo iluminada com a penumbra de outra ignorância.

               Falastrões emitem juízo acerca de coisas que fingem entender como se fossem os mais doutos no saber. Colocam-se como postes pretendendo iluminar os menos favorecidos, os menos conhecedores sendo que nem mesmo eles entendem o que dizem.

Argumentam a partir do intestino e se vangloriam de terem sido valorizados pelas pobres almas idólatras de suas burlas. E a casta evangelical brasileira tem sido inflada com esses pretensos donos do saber.

Mestres de si mesmos, insubmissos à Palavra, cheios de arrogância que chegam a ter cheiro de uma pretensão profética inerrante. Assumem uma postura de infalibilidade mas não admitem confrontação racional com fundamento exclusivamente bíblico.

            Por outro lado, estão os idólatras destes falastrões. Pedem socorro a esses quando confrontados com a real inerrância da Palavra.  São como os de Tessalônica que não tinham a sensatez de conferir de fato e de vontade, com o que a Escritura diz, e não com aquilo que a bíblia foi forçadamente adaptada ao paganismo popularizado dentro das igrejas.

             O crente popular brasileiro abraça com muita facilidade qualquer coisa que lhe seja dita com ar de espiritualidade, ou com tom autoritário pretensamente profético (...o que não entendem difamam... brutos sem razão.)

         Não há desculpa para nenhum dos dois. Ambos serão cobrados, um pela arrogância e ignorância, e outro pela preguiça e ignorância. Afinal de contas, tudo é pecado mesmo. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

POLÍTICA EDUCACIONAL: UM DIÁLOGO MAIS QUE CENTENÁRIO – PLATÃO E AGOSTINHO

 

 





 

 

 

 

 

“Por conseguinte, o hábil guardião de uma coisa

é também o hábil ladrão dessa mesma coisa.”

 A República – Platão

 

 

POLÍTICA EDUCACIONAL: UM DIÁLOGO MAIS QUE CENTENÁRIO – PLATÃO E AGOSTINHO[i]

 

POLÍTICA EDUCATIVA: UN DIÁLOGO DE MÁS DE UN SIGLO – PLATÓN Y AGUSTÍN

 

EDUCATIONAL POLICY: A MORE THAN CENTURY-OLD DIALOGUE – PLATO AND AUGUSTINE

 

 

Júlio César PINTO[1]

e-mail: rev.juliocesar@hotmail.com

 

 

Afonso Welliton de Sousa NASCIMENTO[2]

e-mail: afonsows27@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

 

RESUMO: O presente trabalho vem explorar as visões sobre educação e política de Platão e Agostinho, destacando suas abordagens distintas. Platão, no contexto da democracia limitada de Atenas, propôs uma cidade ideal com três classes sociais (artesãos, militares e guardiães) e defendeu a ideia de um governante filósofo. Para ele, a educação deveria manter a hierarquia social e a classe superior deveria perpetuar o poder. Contrariamente, Agostinho, vivendo no limiar da antiguidade para a Idade Média, enfatizava a educação e a fé cristã como meios de transformação social e pessoal, procurando disseminar o conhecimento cristão a todos, incluindo os bárbaros e hereges. De um lado Platão mirava uma educação restrita às classes sociais superiores, por outro lado Agostinho buscava a inclusão e a aplicação prática da fé e do conhecimento para a melhoria de todos na sociedade. A divergência entre suas teorias encontrou uma ironia histórica, a Era das Trevas, implementando a limitação do acesso ao conhecimento por parte da própria igreja de Agostinho.

 

Palavras chave: Educação, Política Pública, Agostinho, Platão.

 

 

RESUMEN: Este trabajo explora las opiniones sobre educación y política de Platón y Agustín, destacando sus distintos enfoques. Platón, en el contexto de la democracia limitada de Atenas, propuso una ciudad ideal con tres clases sociales (artesanos, militares y guardianes) y defendió la idea de un gobernante filósofo. Para él, la educación debería mantener la jerarquía social y la clase alta debería perpetuar el poder. Por el contrario, Agustín, que vivió en el umbral de la antigüedad a la Edad Media, enfatizó la educación y la fe cristiana como medios de transformación social y personal, buscando difundir el conocimiento cristiano a todos, incluidos los bárbaros y herejes. Por un lado, Platón aspiraba a una educación restringida a las clases sociales altas; por otro lado, Agustín buscaba la inclusión y la aplicación práctica de la fe y el conocimiento para la mejora de todos en la sociedad. La divergencia entre sus teorías encontró una ironía histórica: la Edad Media implementó la limitación del acceso al conocimiento por parte de la propia iglesia de Agustín.

 

Palabras clave: Educación, Políticas Públicas, Agustín, Platón.

 

ABSTRACT: This work explores the views on education and politics of Plato and Augustine, highlighting their distinct approaches. Plato, in the context of Athens' limited democracy, proposed an ideal city with three social classes (artisans, military and guardians) and defended the idea of ​​a philosopher ruler. For him, education should maintain social hierarchy and the upper class should perpetuate power. On the contrary, Augustine, living on the threshold of antiquity to the Middle Ages, emphasized education and Christian faith as means of social and personal transformation, seeking to disseminate Christian knowledge to everyone, including barbarians and heretics. On the one hand, Plato aimed for an education restricted to the upper social classes, on the other hand, Augustine sought the inclusion and practical application of faith and knowledge for the improvement of everyone in society. The divergence between their theories met with historical irony, the Dark Ages implementing the limitation of access to knowledge by Augustine's own church.

 

Keywords: Education, Public Policy, Augustine, Plato.

 

Introdução

           Tão vasto universo temos diante de nossa diminuta e tacanha sabedoria! É o que diariamente descobrimos quando decidimos embrenhar-nos na história acerca de qualquer que seja o tema. E, quando temos como cerne do discurso a educação, esse universo se torna ainda mais vasto do que podemos imaginar uma vez que se trata da própria formação humana desde a sua mais longínqua existência.

           Certamente temos centenas de expoentes que trataram do assunto em questão e, nosso dilema em escolher sobre o pensamento de quem escrever, se tornou parco diante do início da sistematização temática, bem como do aprofundamento dessa sistematização vistos em dois colossais da história: Platão e Agostinho.  

           No presente estudo teórico, serão abordados pensamentos e/ou ações perpetradas por ambos. Qual a forma que definiam tanto um quanto o outro acerca da maneira da qual se pode absorver o conhecimento? Como esse conhecimento se tornaria difundido e a quem difundi-lo, e qual a finalidade desse conhecimento, para onde se deveria ir?

No diálogo de Céfalo com o já idoso Sócrates, esse último afirma que mantinha profunda consideração em, não somente manter conversas, mas também extrair pensamentos, doutrinas e tudo o que pudesse aprender com os mais experientes na vida (PLATÃO, 380 a.C., pg 04). Esse pensamento de Platão é o apontamento de algo que não se pode perder de vista: aprender com o passado. Tal princípio é visto anteriormente na fala de Salomão (900 a.C.) quando afirmou: “Não removas os marcos antigos que puseram teus pais”. (Provérbios 22:28)

A visão de uma política educacional tanto em Platão quanto em Agostinho, na presente abordagem, caminhará pela metafísica perceptível e conhecida em seus escritos. Primeiramente seguiremos uma breve abordagem biográfica de ambos; da mesma forma, em seguida, veremos suas perspectivas em linhas gerais sobre política e educação; e, por último, para onde apontaram suas doutrinas.

A valorização do novo, pelo fato de ser novo e em detrimento do antigo, não pode ser o imo da construção de políticas. Dever-se-ia analisar a história, os pensamentos de cada momento e aprender o que deles decorreu de certo ou errado, mantendo a chama da humildade acesa em reconhecer que o caminho que ora se segue, ou o caminho que se deseja percorrer, já pode ter sido percorrido por outros e isso não deve ser esquecido. Assim já havia dito Salomão: “Não existe nada novo debaixo do sol” (ECLESIASTES 1.9).

A simples mudança de nomenclaturas não nos assegura que uma ideia, seja ela qualquer, inclusive do que se diz acerca de uma nova política e/ou de que provenha de uma mudança superficial a partir de outras, garanta o sucesso em nova empreitada. As políticas estão recheadas de idealismo em consonância com o pensamento de seus propositores e, promulgar uma imparcialidade, apesar de necessária, é mais que utópico. E é nesse âmago que a análise histórica deveria enxergar. 

 

Agostinho

Agostinho viveu no limiar da antiguidade para a era medieval. Nesse contexto histórico, as guerras e, literalmente, as barbáries eram frequentes. Após sua conversão, ele se dedica ao conhecimento mais aprofundado em teologia e filosofia, tendo referência desta última, primordialmente, a Platão.

Entreter bárbaros com o evangelho não era a ideia agostiniana, antes se empenhou na difusão e ensino da fé cristã a esses como modus essendi et vivendi[3]. Mas, como ensinar o evangelho, como levar o conhecimento a aqueles que não sabiam sequer ler? Como fazer com que, além de entenderem, esse conhecimento se tornasse a verdade fundamental para vida deles?

Para isso, o “pensamento de Santo Agostinho foi de fundamental importância para a consolidação do cristianismo, uma vez que trouxe uma proposta de reorganização da vida social e de formação do homem” (MELLO E DE PAULA, p. 1). Todavia, não foram apenas os bárbaros a influenciar no conceito educacional do mestre, mas seu próprio contexto de embates eclesiásticos contribuiu, em muito, para consolidação de seu pensamento.

Após voltar de Cartargo, o ainda jovem Agostinho desprezou o ensino e a repreensão de sua mãe e, como professor formado, preferiu permanecer na seita dos maniqueus, da qual havia se tornado adepto, a dobrar-se perante a exigência materna para que abandonasse tal cardume, para abraçar ao catolicismo, chegando a chamá-la de muliercula[4].

Somente anos mais tarde, quando frequentava as homilias de Ambrósio em Milão que, com sua retórica, aproximou Agostinho do cristianismo e o fê-lo apaixonar-se pela doutrina (PEREIRA, in Cidade de Deus, nota pg 30), muito embora estivesse enamorando com o ceticismo (PEREIRA, in Cidade de Deus, nota  pg 32).

Mas, foi aos trinta e dois anos, com a leitura de Platão, que Agostinho se deparou com um deus que ele não conhecia. Um deus que era “sem limites, sem limitações, um Deus infinito e inextenso. Só Ele, só um ser assim, será o princípio e a razão de ser de tudo”.  (PEREIRA, in Cidade de Deus, nota  pg 34)

É aqui que os questionamentos de Agostinho, acerca da vida, acerca das dúvidas essenciais e existenciais que possuía, começaram a fervilhar de possibilidades em obtenção de respostas tentando ver se havia alguma relação do deus de Platão com o Deus do cristianismo do qual sua mãe era fervorosa adepta e tanto lhe instigou a conhecer quando era mais jovem e que ele havia desprezado.

Tomado por esse ímpeto, embrenhou-se na leitura da Escritura até que, lendo Apóstolo Paulo, agarrou-se à graça que, naquele instante, acabara de conhecer. (PEREIRA, in Cidade de Deus, nota pg 37)

Agostinho viveu no tempo em que a política, educação e economia, eram comandadas ou, no mínimo, fortemente influenciadas pelo clero. Após ser sagrado bispo, o ex alvorotado mantinha uma organização sem igual em tudo aquilo que lhe fosse confiado. Era, por muitos, venerado e atrás dele corriam para que lhes escrevesse, ou instruísse de algo ou para ter um objeto de lembrança, como aqueles que hoje correm atrás do autógrafo de um ídolo.

Administrava os bens da igreja, atendia capatazes, mantinha albergues para viajantes, proporcionava sustento aos pobres de olho naqueles que queriam viver às custas do legado da igreja; tudo mantido por doações. E, ainda assim, chegou a ser acusado de austeridade por não receber determinadas doações, como de pais que queriam defraudar ao direito de filhos, ou de desonestos que queriam fugir do fisco. Concomitantemente a isso, aumentavam insultos e impropérios da parte de seus maiores opositores, os violentos e inescrupulosos donatistas[5].  (PEREIRA, in Cidade de Deus, nota pg 59)

Esses últimos acabaram se tornando uma seita anti-social que convulsionava a comunidade por onde estivessem: roubando, espancando, torturando fiéis e até mutilando bispos para os inutilizarem ao exercício de seu ofício ou matando-os. Dessarte, Agostinho procurava manter e propunha acordos de paz e comunhão até com alternância de governo entre os bispos católicos e bispos donatistas, contudo, sem sucesso. (PEREIRA, in Cidade de Deus, nota  pg 63-65)

Entretanto, não foi somente os donatistas os responsáveis por afligirem e promoverem convulsões sociais no tempo de Agostinho. Uma seita muito mais perigosa vinha fermentando seu germe: Os Maniqueístas. Esses provieram dos ensinos de Mani, (Manes) homem muito viajado, de vasta cultura, conhecimento profundo de várias religiões, poliglota. Desenvolveu a própria religião, com intensão de ser universal e colecionou grande número de seguidores que passaram a divulgar as suas obras. (PEREIRA, in Cidade de Deus, nota pg 66)

A percepção religiosa de Mani condensou-se em afirmar sobre a existência de duas forças opostas que regiam o universo: o deus do Bem — Ormuz — , o deus do Mal — Ariman. Como resultado disso, seu conceito moral admitia extremos que se opunham à fé cristã. (PEREIRA, in Cidade de Deus, nota pg 66-67)

A moral maniqueísta condensa-se no que Manés chamou preceito dos três selos — o selo da mão, o selo dos lábios, o selo do seio. Ao homem virtuoso é vedado, pelo selo da mão, ferir, matar, fazer a guerra; pelo selo da boca, o homem virtuoso é obrigado a dizer a verdade e a nunca comer carne nem alimento impuro; ao homem virtuoso é vedado, pelo selo do seio, continuar a obra da carne, prolongar a vida pela geração. (PEREIRA, in Cidade de Deus, nota pg 67)

 

Esse ensino maniqueísta havia sido abraçado por Agostinho em sua juventude. Entretanto, acabou se tornando o seu mais severo opositor. A seita se desfez, contudo ainda reverberavam algumas defesas dessa doutrina no século V. Período esse em que surge nova seita, a dos Pelagianos, que também deram, mais uma vez, impulso ao ensejo apologético do bispo de Hipona.

 

Platão

Aproximadamente em 428 a.C., Platão nasce, um ano após a morte de Péricles, grande orador e debatedor na afamada assembleia ateniense, onde e quando rogavam o título de exemplar democracia.

Entretanto, essa democracia era para poucos, visto que a permissão de se falar na assembleia era concedida apenas a aqueles que possuíam o título e direitos de cidadão. Fora estavam os escravos, os que não tinham recursos de atuação, como retórica e oratória, as mulheres, os estrangeiros. Era, de fato, uma oligarquia. O ano da morte de Platão, aproximadamente em 348 a.C., ocorreu dez anos antes da batalha de Queronéia, quando Felipe da Macedônia conquistou o mundo grego. A vida de Platão transcorreu num período do apogeu político grego e com ares de liberdade. (CIVITA, 1972, pg 47-49).

Sua ascendência é dentre os nobres atenienses, representantes valorizados no mundo político de sua época. Sua mãe, Perictione, era irmã de Cármides e prima de Crítias, que foram dois dos trinta tiranos que governaram a cidade em tempos de outrora.

Num segundo casamento de sua mãe, ela se casa com um personagem político conhecido da época de Péricles, Pirilampo. Esse é o arcabouço histórico de Platão que o fez nutrir um certo escárnio pelos políticos de sua era. Ele assim manifestou em seus escritos como quem conhecia muito bem a coxia política.  

 

O cavaco

Platão nos deixou considerado, em Político, de modo bem sucinto no diálogo entre Sócrates, o Jovem, e o Estrangeiro definindo política como a “ciência que cuida de homens que vivem em comunidade” (PLATÃO, 1972, pg 220). E, como afirmado, Platão asseverou que o objetivo do governante deve, em primazia e essência, ... envidar todo esforço em suprir aquilo que, de fato, supra a carência daqueles que estão debaixo de seu jugo. (PLATÃO, 1972 pg 98).

Por sua vez, Agostinho em “A Cidade de Deus” considerou como sendo  direito divino a arte de governar que poderia ser concedida aos homens por meio da graça. Por outro lado, na Cidade da Terra, o extremo oposto da primeira, os homens soberbos “na sua ânsia de domínio, que, embora os povos se lhe submetam, se torna escrava da sua própria ambição de domínio.” (AGOSTINHO, 1998, pg 98)

Alguns gregos pré-socráticos entendiam que, como exemplo, os defensores do pitagorismo argumentavam haver uma

...identidade fundamental, de natureza divina, entre todos os seres; essa similitude profunda entre os vários existentes era sentida pelo homem sob a forma de um ‘acordo com a natureza’ que, sobretudo depois do pitagórico Filolaus, será qualifica como uma `harmonia`, garantida pela presença do divino em tudo. (CIVITA, 1972, pg 9)

 

Esse conceito é absorvido por Platão quando chegou a frequentar as escolas pitagóricas. Assim temos algo em comum nos escritos tanto de Platão como de Agostinho onde demonstram haver certa defesa de um comunicado divino inato ao homem.

No ano de 387 a.C. Platão funda, em Atenas, a Academia onde ele instigava o conhecimento por meio da investigação científica e filosófica. A esse tempo e na mesma cidade, outro personagem mantinha outra escola, Isócrates que, em caminho divergente de seu contemporâneo, atendia àqueles que pretendiam ingressar no mundo da política, ensinando retórica fundamentada nos sofistas.

Enquanto o primeiro buscava uma política que não se limitava à prática, insegura e circunstancial, mas uma investigação realizada de forma acentuadamente sistemática sobre o alicerce do comportamento humano, o outro ensinava tão somente pontos de vista que o orador deveria defender de forma convincente na Assembleia. (CIVITA, 1972, pg 52)

Platão deixou um legado que mostrou fases diferentes em seu pensamento. A primeira quando transparecia que sua dialética apontava para aqueles diálogos socráticos que estavam no limiar do confronto de consciências. A segunda quando estremeceu essa transparência e se apoiou em absorções que ele fez a partir do pitagorismo, sendo mais teórico e impessoal. Esta fase amadureceu tomando a forma de uma investigação do que poderia haver de ligação entre ideias. (CIVITA, 1972, pg 56-57)

Entretanto, Platão entendia que essa arte de governar era algo concedido pelos deuses, algo peculiar a poucos. Todavia, fazer a distinção entre os que teriam esse, digamos, talento divino dos que não possuíam, nos conduz à necessidade de discernir entre os soberbos e os dotados. Os soberbos são aqueles que invejavam e não possuíam talento natural ou não se amadureciam, ou ainda nem adquiriam experiência; enquanto os dotados seriam aqueles que nasceram com esse dom e amadureciam bem como adquiriam experiência com o passar dos anos.

Platão entendia que esse amadurecimento só poderia ser alcançado pela filosofia. Essa maturação seria o descortinamento acerca de tudo aquilo que podemos definir no mundo visível a partir de seu original, perfeito, portanto, imutável, incorpóreo, eterno, do mundo das ideias.

Esse conhecimento seria anterior ao nascimento quando a alma contemplaria a ciência de todas as coisas quando ainda conviviam com os deuses. Nesse mundo material seria a filosofia que abriria a porta da mente para se entender e governar. O que dizemos, aqui, é amplamente visto e debatido acerca da mensagem trazida pelo Mito da Caverna.

No diálogo Político, o personagem Estrangeiro fala dessa classe fazendo uso daquilo que ele chamou de um mito, onde a figura do pastor divino é em semelhança ao rei, ao governante. Entretanto, para ele, os políticos não diferiam em nada dos seus súditos, exceto pela “educação e instrução que recebem” (PLATÃO, 1972, pg 229). 

Ainda assim, Platão aprofunda nesse ínterim, a fim de averiguar se, de fato, os políticos estão acima dos seus tutelados e para defini-los em duas categorias de “Pastor humano: tirano, ou rei?” (PLATÃO, 1972, pg 230), que seguem, não respectivamente, como sendo aqueles que: ou são aceitos de bom grado, ou se impõem pela força.  

Quanto ao que se seguiu, Agostinho cria que, sendo tirania, sendo política, sendo guerra, sendo paz, tudo seria resultado da Providência divina com a finalidade de acender, pelas virtudes resultantes da provação, o indivíduo amaneirado à uma vida mais gloriosa para além desta terra. (AGOSTINHO, 1996, pg 102). Desta maneira é que, por meio destas coisas,

“...a paciência de Deus chama os maus à penitência e o açoite de Deus aos bons ensina a paciência... o único e mesmo golpe, caindo sobre os bons, põe-nos à prova, purifica-os, afina-os e condena, arrasa, extermina os maus. Daí que, na mesma aflição: — os maus abominam a Deus e blasfemam, e os bons dirigem-Lhe as suas súplicas e louvam-No. O que mais interessa não é o que se sofre, mas como o sofre cada um.” (AGOSTINHO, 1996, pg 119).

Platão concorreria ajudando a Agostinho dizendo:

Assim, Deus, dado que é bom, não é a causa de tudo, como se pretende vulgarmente; é causa apenas de uma pequena parte do que acontece aos homens, e não o é da maior, já que os nossos bens são muito menos numerosos que os nossos males e só devem ser atribuídos a Ele, enquanto para os nossos males devemos procurar outra causa, mas não Deus. (PLATAO, 380 a.C., pg 88)

 

           Tendo em mente essa concordância, poder-se-ia afirmar que a trajetória política de um povo também seria entendia por ambos de maneira similar.

 

 

 

O Conhecimento

Agostinho definia a existência de dois tipos de conhecimento. Um, sendo permanentemente mutável, e outro sendo imutável. O mutável é assim definido pois é resultante de algo imperfeito e que precisa ser mudado. Já o imutável corre em sentido oposto dizendo respeito ao que não precisa de modificações, pois não se muda o que é perfeito. Aranha, sintetizando o pensamento agostiniano diz que:

O ser humano receberia de Deus o conhecimento das verdades eternas, o que não significa desprezar o próprio intelecto, pois, como o Sol, Deus ilumina a razão e torna possível o pensar correto. O saber, portanto, não é transmitido pelo mestre ao aluno, já que a posse da verdade é uma experiência que não vem do exterior, mas de dentro de cada um. Isso é possível porque “Cristo habita no homem interior”. Toda educação é, dessa forma, uma autoeducação, possibilitada pela iluminação divina (ARANHA, 2006, p. 178)

 

Esse conceito agostiniano pode ser deduzido do ensino de Tiago, o apóstolo, que afirmou: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.” (Tiago 1:17).

Tal era esse conceito em Agostinho que, ao falar acerca dos males que os bárbaros julgavam ser o resultado de uma opressão advinda da religião cristã que os proibia de cultuar a seus deuses, assegurou:

...não tiveram esses deuses a menor preocupação com a vida e os costumes das nações e suas gentes que os veneravam, mas, pelo contrário, permitiram, sem proferirem qualquer das suas terríveis proibições, que fossem atingidas por tão horrendos e destestáveis males, não só nos seus campos e vinhas, nas suas casas e bens pecuniários e, por fim no seu próprio corpo que está submetido à alma, mas também que fossem atingidas na própria alma, e permitiram mesmo que elas se afundassem nesses males e se tomassem na pior gente... — onde estão os lugares destinados a ouvir os preceitos dos seus deuses para reprimirem a avareza, destruírem a ambição; — onde os povos ouçam o que os deuses preceituam acerca da repressão da avareza, da destruição da ambição, do refreamento da luxúria; (AGOSTINHO, 1996, pg 207-208)

 

Com isso, afirmou que o mal moral, ou para onde quer que se dirigisse um governo pesando sua mão, afligindo aos seus súditos, não seria resultado da proibição dos cultos pagãos por parte do cristianismo, mas seria resultado da própria perversidade que esses últimos manifestavam.

E, tal perversidade moral era resultado da falta de exigência moral da parte dos deuses que os pagãos procuravam adorar, pois nunca demonstravam haver uma régula fidei[6]. (AGOSTINHO, 1996, pg 207). Desta maneira, na visão agostiniana, não somente os homens, mas tudo que decorre desse, seja cultural, educacional, ou política, etc, nada mais é do que um mero reflexo da moral, ou falta dela, do “deus” que ele busca e venera.

Essa definição de Agostinho adapta-se ao conceito de Platão acerca de dois tipos de conhecimento, que eram apontados a partir de uma dualidade existencial que o primeiro propôs: de um lado ter-se-ia o Belo, o Bom, o Grande, como perspectiva do eterno, trazendo os dois primeiros seus conceitos dos valores estéticos e morais, e o terceiro a partir das relações matemáticas; e do outro lado a corporeidade dessas questões.

 

A educação

Como grafou Platão no diálogo de Sócrates com Glauco, acerca da razão de ser do político, o objetivo do governante deve, em primazia e essência, não direcionar o exercício de seu ofício como sendo algo objetivado para proveito pessoal, mas tão somente deve envidar todo esforço em suprir aquilo que, de fato, supra a carência daqueles que estão debaixo de seu jugo. (PLATÃO, 380 a.C., pg 39)

Desta maneira, entende-se que a valorização do direito deveria caminhar juntamente com o exercício da política na sua mais excelente forma, tendo como alvo as reais necessidades de quem se governa. E, ninguém mais para exercer livremente essa política ou construí-las do que os próprios representantes eleitos para esse fim.

Na República, Platão elabora um conceito de cidade ideal onde ela seria mantida por três classes racionalmente divididas entre: artesãos, militares e guardiães. Os artesãos se ocupando da produção para subsistência da cidade, os militares para defesa, e os guardiães para o desenvolvimento, regulação e manutenção das leis.

Nessa utópica cidade platônica, os laços familiares não deveriam existir. As mulheres pertenceriam a todos os guardiães e procriariam de acordo com uma regulação dada em lei, mas nenhum pai conheceria seu filho bem como o filho não deveria saber quem seria seu pai. A educação, assim, também seria um papel estritamente governamental, nada seria papel da família que nesse plano, era inexistente.

Essa utopia social seria possível se, e somente se, o governo fosse entregue a aqueles que detinham o conhecimento ideal, o conhecimento mais abrangente das coisas: um único governante rei e filósofo. Este seria escolhido dentre os guardiães, aquele que mais se destacasse em provas que abrilhantassem seu patriotismo e resistência. (CENICA, 1972, pg. 61)

A princípio, vemos Agostinho caminhando com Platão nessa busca pelo conhecimento e pela forma de ‘transmissão’ do mesmo, o que apontaríamos como sendo educação. Neste ínterim ambos concordavam em haver um conhecimento inato. Contudo, divergindo com Platão, Agostinho aponta que essa sabedoria, esse conhecimento era manchado pelo afastamento do homem em relação a Deus.

 

Mas, para falar-vos claro, seja o que fôr a sapiência humana; vejo que ainda não a possuo. Mas apesar dos meus trinta e três anos julgo que não devo desesperar de alcançá-la. Desprezando tudo o que os homens chamam bens, resolvi procurá-la. Como as razões dos Académicos me arrastavam, julgo ter-me armado contra eles por esta discussão. Ninguém ignora que só aprendemos pelo peso da autoridade ou da razão. Para mim é certo que nunca me afastarei da autoridade de Cristo, que tenho por superior a todas. Quanto ao que exige raciocínio subtil, pois que desejo ardentemente não só crer mas compreender a verdade, confio poder encontrar entre os platónicos o que não repugne aos nossos mistérios, (AGOSTINHO, LIVRO III, XIX, 43, pg 133, MCMLVII)

 

Pensando nisso, o acesso à sabedoria, para Agostinho, só teria lugar na vida humana por duas vias: razão e fé; ao que Platão apontaria apenas para a razão pela instrumentalidade da filosofia. Na visão agostiniana, a autoridade de Cristo aponta para o que se diria de uma fé supra racional, no sentido de que haveria necessidade do exercício (existência) da fé para que a razão fosse, de fato, iluminada; podendo, assim, entender e discutir questões muito mais complexas do que simplesmente se faria com o uso estrito da razão.

 

Políticas

Na teoria de Platão, o ideal para haver uma educação efetiva e eficaz seria a existência de um governo, a partir de um Rei-Filósofo, em que se estabeleceria um estado controlando tudo, por meio das três camadas sociais, inclusive no que diz respeito à procriação e essa apenas oriunda da casta superior, a dos guardiães.

Assim, a política educacional proposta por Platão seria a educação que proporcionasse a manutenção de castas conservando o artesão na sua limitação, como também os militares. A classe superior, a dos guardiães, se perpetuaria no poder pela restrição da educação às outras duas classes sociais. Como política pública, essencialmente no uso restrito do termo, a teoria proposta de Platão não se implementou como desejado.

Agostinho, nesse ponto, caminhou em direção contrária à Platão. Seu desejo em propagar o evangelho aos bárbaros e tornar-lhes comum o conhecimento a todos, ou seus diversos embates contras as seitas que surgiram de dentro do próprio catolicismo foi onde ele aplicou todo o seu arcabouço acadêmico.

Ele não o fez apenas para si, ou para sua classe, fez no intuito de tornar comum seu pensamento a todos. Aos hereges, mostrou-lhes como ele via a cada uma das propostas destas seitas pela via do debate, e até mesmo aceitando compartilhar o governo com os seus opositores em alternância de poder.

Aos leigos difundia o ensino, mas fazendo uso de uma fala comum à massa popular para se fazer entendido por todos. Doutor sim, mas entendia a necessidade de comunicar ao maior número de pessoas o seu conhecimento.  Com isso, Agostinho foi platonista até onde isso não lhe subjugou a fé, ou até onde não o impedisse que outros obtivessem o conhecimento por serem de outras classes sociais. 

 

Considerações finais.

A história nos mostra a ironia dessa divergência entre Platão e Agostinho. Não vimos os gregos satisfazerem à teoria platônica, nem Agostinho defender tal coisa. Todavia vimos o famigerado e bem conhecido Período das Trevas como resultado de política pública imposta pelo clero da instituição que Agostinho havia defendido no passado com tanta garra, por anos a fio, desde a sua conversão até a sua morte.

A Era das Trevas foi aquele período quando e onde se mantiveram castas sociais que impediam à plebe o acesso ao conhecimento, até mesmo a aquele conhecimento que Agostinho tanto defendeu, que era o livre acesso ao evangelho, ao conhecimento bíblico. Historicamente conhecida, até reproduzida na ficção O Nome da Rosa, a negação do acesso ao conhecimento bíblico se tornou um fato e apenas tiveram esse direito o clero. Da mesma forma o clero também manteve e controlava uma distância entre as classes nobre x povo, conforme seus interesses.

Os pensadores, Guardiães na ideia de Platão, mantiveram por mais de um milênio o status quo de: pensantes x nobres x povo pela negação da educação, pela negação de políticas públicas que favorecessem aos governados o conhecimento.  A própria definição platônica de política como sendo ações dos governantes em favor do seus governados se viu ofuscada nesse período regido pela classe pensante do clero. Isso nos faz enxergar o sentido da frase de Platão no topo deste trabalho: Por conseguinte, o hábil guardião de uma coisa é também o hábil ladrão dessa mesma coisa.” (PLATÃO, 380 a.C., Livro I)

A igreja acabou implementando políticas educacionais que foram o inverso daquilo que presava “Sócrates”, assim como o oposto do princípio visto em Salomão: ‘removeram os marcos antigos que puseram seus pais’. Desta forma, tanto na visão agostiniana, quanto na visão platônica de que somos reflexos do deus que se adora, a igreja havia se tornado o reflexo de um deus separatista, elitista e ditatorial.

 

 

REFERÊNCIAS

ARANHA, Maria Lúcia de A. Idade Média: a educação mediada pela fé. In: ____. História da Educação e da Pedagogia: Geral e Brasil. 3. ed. São Paulo: EDITORA MODERNA, 2006, p. 154-193.

 

BIBLIA SAGRADA, ed. Almeida Revista e Atualizada com números de Strong, OLIVE TREE BIBLE SOFTWARE Versão: 7.15.5.0 Wednesday, July 03, 2024 at 4:13:31 PM

 

CIVITA, Victor Ed.; Os Pensadores; ABRIL S.A. CULTURAL E INDUSTRIAL, SP, 1972

 

HIPONA, Agostinho; Contra os Académicos -  Diálogo Em Três Livros; TRADUÇÃO E PREFACIO DE VIEIRA DE ALMEIDA - COIMBRA — MCMLVII Disponível em https://www.passeidireto.com/arquivo/29076757/contra-os-academicos-santo-agostinho

 

HIPONA, Agostinho; Cidade de Deus, VOLUME I, (Livro I a VIII); 2.“ Edição; FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN, 1996.

 

MELLO, José J. P.; DE PAULA, Andriely S. O papel da educação no Processo Santificador. Maringá. Artigo publicado no VIII Jornada de Estudos Antigos e Medievais, de 16 a 18 de Setembro de 2009.

 

PLATÃO, A República, Livro I, 380 a.C. Acessível em: https://www.baixelivros.com.br/ciencias-humanas-e-sociais/filosofia/a-republica

 

PLATÃO, Os Pensadores - Diálogos, Editora Abril, 1972.

                                                                            

 



[1] Licenciado em Pedagogia e história, bacharel em teologia

[2] Universidade Federal do Pará (UFPA), Abaetetuba – PA – Brasil. Doutor em Educação. Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia

[3] Modo de ser e viver

[4] Mulherzinha qualquer

[5] Seita oriunda do catolicismo famosa por práticas de orgias após ritos de sagração e outros atos inaceitáveis a cristãos.

[6] Regra de fé



[i] Trabalho entregue na UFPA – ABAETETUBA – PA como aluno ouvinte do PPGCITI