terça-feira, 8 de março de 2022

Exposição de 1 Coríntios 13.

 1 Coríntios 12:31b  E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente

Capítulo 13

​1 Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. 2 Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. 3 E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará. 4 O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, 5 não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; 6 não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; 7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8 O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; 9 porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos. 10 Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado. 11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino. 12 Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido. 13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.

Paulo tendo iniciado o assunto sobre dons no capítulo 12, vem discorrendo sobre o papel dos dons na igreja, bem como da soberania do Espírito Santo ao distribuir tais dons. Esses dois pontos que mencionei, sobre o papel dos dons, e a soberania do Espírito Santo na distribuição deles, foram colocados por Paulo no capítulo 12.

Tanto um quanto outro ponto tratado por Paulo acerca dos dons tinha a intenção de corrigir falhas no que a igreja de Corínto entendia sobre os dons. Uma delas foi o erro da igreja de Corínto em pensar que a manifestação dos dons espirituais dava a aquele por meio de quem o dom era manifesto, um status de super crente.

Desta forma, desde o início da carta Paulo caminhou tratando a igreja de Corínto como sendo uma comunidade de crentes carnais que a despeito da manifestação dos dons que se operava naquela igreja, a comunidade cristã não praticava a unidade do Corpo de Cristo, nem ao menos tinha noção do que isso significava; pois vemos Paulo ensinando sobre a unidade do corpo de Cristo em vários momentos na carta. Um exemplo está no início do capítulo 12 e outro no capítulo 11 quando tratou da ceia, ou mesmo no primeiro capítulo quando falou acerca da divisão da igreja por preferências pessoais.

O outro erro foi o de imaginar que a ocorrência dos dons era devido a superioridade de alguns crentes. A princípio pode parecer o mesmo argumento anterior mas não é. O primeiro é como se os dons espirituais conferissem superioridade a alguns crentes. Aqui é justamente o contrário, é como se devido à santidade pessoal de alguns crentes e isso à parte de Deus, lhes desse o direito de receber dons; uma espécie de recompensa pela santidade própria.

Entretanto Paulo apontou que os dons são obra Soberana do Espírito Santo independente de mérito de qualquer que fosse o crente. Uma vez que os dons, assim como o batismo no Espírito Santo, são conferidos no momento exato da conversão de cada crente. Colocar esses dons à disposição da obra é outra coisa, mas o batismo ocorre na conversão e não em um momento posterior como uma segunda benção após um tempo de convertido. 

No texto de hoje, Paulo não vai tratar nem de autoria, nem de papel dos dons. Aqui, no capítulo 13, Paulo vai discorrer sobre o caráter dos dons. Mas, caráter em relação a que? Nos três primeiros versículos Paulo versa sobre o amor enaltecendo-o. Também Paulo oferece um quadro comparativo entre: o amor e outras atitudes, entre o amor e outros dons, entre o amor e até mesmo coisas impossíveis existentes apenas em nível de poesia.

Mas a seguir ainda no versículo quatro, Paulo nos aponto algo acerca do caráter dos dons dos quais ele quer tratar. E o que ele mostra a partir de uma série de Palavras que nos apontam o caráter desses dons frente ao caráter do dom do amor. Prestem bem a atenção à essas palavras e expressões do capítulo 13: v. 4. paciente, 5 se conduz 7 tudo espera, 8 jamais acaba; desaparecerão; havendo, cessarão; havendo, passará; 9 porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos. 10 Quando, vier perfeito, será 11 Quando era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino. 12, agora, veremos Agora, 13 Agora, permanecem

Percebam que todas essas palavras e expressões estão nos mostrando claramente que Paulo aponta para outro quadro comparativo. Desta vez a comparação que o apóstolo faz é de permanência x temporalidade. Paulo aponta algumas questões pertinentes aos dons exatamente como ele faz ao final do capítulo demonstrando a ideia de temporalidade x permanência ilustrando o crescimento de um menino. Na infância se age, pensa e fala como menino; mas na fase adulta o comportamento, a ideia e a forma de se conduzir e falar deve ser outra. Aquela fase da infância é demonstrada como a fase que deve passar quando se atinge à maturidade; ela deve ser deixada de lado e o caminhar deve ser de um adulto.

Estamos tratando já do final do texto uma vez que claramente o apóstolo dirigiu suas palavras à igreja em Corínto e está ensinando à igreja de Corínto que a igreja deve largar a infantilidade e caminhar para uma fase mais madura. Não é a primeira vez que Paulo trata a igreja de Corinto dessa forma. Ele já o tinha feito, usando termos muito mais agressivos no capítulo 3. 1 Coríntios 3:1-2 ​1 Eu, porém, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, e sim como a carnais, como a crianças em Cristo. 2 Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais.

Nesse primeiro momento em que Paulo chamou aos crentes de Corínto de “crianças em Cristo” de “carnais”, o apóstolo apontou a infantilidade devido às divisões na igreja. Nesse momento do capítulo 13 o apóstolo apontou para a infantilidade da igreja também no que dizia respeito ao conhecimento dos dons. E acerca dessa infantilidade da igreja acerca dos dons ele a menciona bruscamente no início do capítulo 12 afirmando que os crentes de Corínto eram ignorantes no que se dizia respeito aos dons: 1 Coríntios 12:1 1 A respeito dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.

Seguindo esse mesmo intuito, Paulo ao tratar do uso dos dons no culto público na igreja de Corínto ele aponta da mesma forma acerca da infantilidade dos crentes de Corinto: 1 Coríntios 14:20 20 Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos. O juízo do qual Paulo assevera de que os crentes de Corínto não deveriam agir como meninos era o juízo de estabelecer uma hora e forma apropriada para o uso dos dons.

Percebam, então, que a meninice da qual Paulo aponta em 1 Coríntios 13 não poderia ser outro assunto diferente da meninice da igreja em relação aos dons; pois tanto o contexto do capítulo anterior, quanto o contexto do capítulo posterior, quanto o próprio contexto da carta e do próprio capítulo 13 tratam a igreja de Corinto como sendo infantil, mas exorta que ela deveria caminhar para a fase adulta. 

Dito isso, vamos ao texto do início do texto:

Vejam que o texto inicia com a segunda parte do último versículo do capítulo anterior.

1 Coríntios 12:31b  E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente

Apesar de ser uma divisão estranha, temos que aceitar o fato de que o texto dito nessa parte se harmoniza muito bem com o texto do capítulo seguinte. Ao final do capítulo 12, vimos na última pregação que Paulo buscou mostrar que os melhores dons são aqueles que traziam edificação para a igreja como um todo. E segue apontando um dom supremo, um dom que aponta para o que de melhor se poderia ter na igreja por vários motivos.

O principal dos motivos é que todas as demais coisas poderiam ser vistas pelo foco do amor. E amor não tem nada a ver com sentimentalismo, paixão lasciva, sexo, ou mesmo a sensualidade, melancolia, ou mesmo complacência diante do pecado. Pelo contrário, quando existe severa exortação quanto ao pecado é uma verdadeira prova de amor, mesmo que isso venha a ser bem dolorido para quem recebe a exortação.   

​1 Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.

Algo que é necessário a todo crente, em primeiro lugar, é saber ler a Escritura. O problema é devido ao fato de que hoje, principalmente no que diz respeito ao Brasil, a grande parte da população é formada pelo que se conhece de analfabetos funcionais. Uma das piores coisas que pôde acontecer ao Brasil foi a educação com base nos escritos de Paulo Freire. Os escritos deste homem foram adotados como base para a educação nacional e o resultado disso é que hoje, o Brasil está em um dos últimos lugares da educação no mundo.

Dito isso, é mal do Brasil que a maioria da população sabe ler, mas não sabe extrair o significado do que leu. E falamos isso de coração apertado, pois se não sabem nem mesmo diferenciar em uma escrita moderno uma notícia falsa de uma notícia verdadeira, muito menos extrair o significado de um texto bíblico escrito há mais de dois mil anos atrás em uma cultura diferente em uma língua diferente.

Assim, quando Paulo inicia o versículo dizendo ​1 Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos Paulo não está afirmando que exista uma língua de anjos e uma língua dos homens. Pode até ser que exista uma língua angelical. Contudo, em nenhum lugar da Bíblia encontramos os anjos falando em uma língua incompreensível a quem falou com eles, ou mesmo vemos anjos usando uma língua incompreensível quando falavam entre si e tal conversa foi presenciada por um homem.

 Paulo está levantando uma hipótese: Ainda que seja possível eu falar uma língua dos homens e uma língua dos anjos... Paulo fala de uma impossibilidade. Mesmo que aconteça algo impossível como eu falar a língua dos homens e uma língua dos anjos, se eu não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ou seja, serei um sino, uma peça de metal que faz barulho, mas não possui vida.  

O dom de línguas aqui é a glossolalia, ou seja: era o dom que conferia à quem o possuísse falar em uma língua nativa de outro país com o qual a pessoa não teve contato anteriormente, nem mesmo aprendeu a língua de maneira informal ou seja, no convívio de uma pessoa que falasse aquela língua naturalmente; ou que tivesse aprendido a língua de maneira formal. Ou seja, tenha frequentado uma escola para aprender aquela língua, como aconteceu com os israelitas que foram levados para servir na babilônia e tiveram que aprender a língua daquele país com um professor: Daniel 1:3-4 3 Disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, 4 jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciência, versados no conhecimento e que fossem competentes para assistirem no palácio do rei e lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus.

Quem possuísse o dom de línguas a qualquer momento poderia falar uma língua estranha, uma língua diferente do país em que nasceu. Como foi com os apóstolos no dia de Pentecoste: Atos 2:7-11 7 Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? 8 E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? 9 Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, 10 da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, 11 tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios. Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas as grandezas de Deus? É o que vemos acontecer aqui e também é o que Paulo menciona em vários de outros textos de sua autoria, inclusive na Primeira carta aos Coríntios. O dom de línguas era o dom que o Espírito conferia a alguns crentes de poder falar em uma língua de um país diferente de onde esse crente nasceu, sem que esse tenha aprendido essa língua de qualquer forma.

Em nenhum lugar vemos a Bíblia encorajar algum crente a falar algo que ninguém presente no culto público pudesse entender de alguma forma, mesmo que fosse necessário alguém que pudesse interpretar o que se falava em outra língua.

2 Ainda que eu tenha o dom de profetizar

O dom da profecia, apesar de aparecer aqui depois do dom de línguas. Contudo, no conceito de Paulo o dom de profecias é superior ao dom de línguas. Isso é explicado pelo apóstolo no capítulo seguinte, o que vamos aguardar para ver o motivo pelo qual Paulo tinha esse conceito acerca do dom de profecias.  

e conheça todos os mistérios e toda a ciência;

Outra hipótese é trazida pelo apóstolo: Conhecer absolutamente todas as coisas.  Isso é algo impossível ao ser humano: ter um conhecimento pleno e perfeito de todas as coisas. Isso é algo que apenas Deus possui. Trata-se do atributo da onisciência. Entretanto o apostolo está trazendo uma hipótese a título de especular apenas a possibilidade, não que de fato isso fosse possível.

ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes,

Pouquíssimas pessoas na bíblia demonstraram fé a esse ponto. A mais evidente delas é Moisés, não esquecendo das dez pragas, ainda temos a abertura do mar Vermelho, as aguas de Mara, o Maná, as andorinhas, a Serpente de Bronze.  E apenas uma demonstrou ter uma fé muito maior do que esta de Moisés, a quem ele mesmo havia anunciado em Deuteronômio 18:15 15 O SENHOR, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás,.  E em Lucas 24 vemos Jesus Cristo ressurreto explicando o que as Escrituras anunciaram a seu próprio respeito e Ele começou por Moisés. E em Atos 3.19-26 Pedro anuncia que esse profeta predito por Moisés era o próprio Senhor Jesus Cristo.

Jamais houve, jamais haverá alguém com semelhante fé a de Cristo. Como Deus encarnado nenhum homem qualquer que seja, terá ou teve uma fé semelhante a de Cristo. 

se não tiver amor, nada serei.

Então, mesmo que fosse possível ter o mesmo conhecimento de Deus e saber tudo o que está oculto à mente humana, mesmo que tenha uma fé como a de Cristo, ou mesmo uma pequena fé como a de Moisés, se não tiver amor, minha existência não seria contada.

3 E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

Aqui, nesse ponto vejo a necessidade de definir o que Paulo está chamando de amor. O que é esse amor para o apóstolo. Já disse no início do sermão o que esse amor não é. Eu afirmei no começo: “amor não tem nada a ver com sentimentalismo, paixão lasciva, sexo, ou mesmo a sensualidade, melancolia, ou mesmo complacência diante do pecado.” Mas o amor do qual o apóstolo está afirmando é o amor que tem origem em Deus. É o amor ágape. É o amor com o qual Deus requer que amemos ao próximo, e o amor expresso no mandamento: Mateus 22:37 37 Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento".

É desse amor que se disse que Deus amou ao mundo, ou seja: é o amor com o qual Deus amou a igreja, mesmo ainda pecadora, para que sua salvação pudesse alcançá-la em todo o mundo.

Só tem o amor de Deus, só tem o amor Agape, a quem Deus de fato amou com esse amor: 1 João 4:19 19 Nós amamos porque ele nos amou primeiro. A fonte do amor ágape é Deus, e nós só podemos tê-lo se Deus de fato nos amou com esse amor.

A caridade por caridade não tem valor algum. Fazer o bem ao próximo apenas para satisfazer à sociedade, ou mesmo ao ego de ser chamado de caridoso, isso não tem valor algum. Mesmo que eu me coloque a disposição de ser usado como sacrifício em favor de outro, se não tiver amor de Deus, se não tiver o amor ágape, isso tudo será em vão, será tempo perdido e não acrescentará nada de bom na vida eterna. Praticar todas essas coisas sem que haja de fato amor ágape são obras mortas, sem valor diante de Deus. 

4 O amor é paciente, a paciência tem a ver com o tempo, tem a ver com a circunstância vivida. Vemos o exemplo na vida de Jó, temos o exemplo supremo no ministério terreno de Cristo. Não obstante toda a vida de Cristo ser um exemplo de paciência suprema e perfeita; os últimos dias vividos por Cristo na terra se fossem vividos por Jó, esses dias seriam insuportáveis até mesmo para o paciente Jó.

Deus encarnado, sem pecado algum, tendo de suportar além da dor física, imagine a dor de quem nunca pecou ter de carregar a dor do pecado da igreja de todos os tempos. A paciência de Jó é mínima perto da paciência que Cristo teve de carregar na cruz. É desse exemplo supremo de paciência devido ao amor pelos cristãos que Paulo faz uso. O amor supremo, o amor ágape é paciente.

é benigno;

da mesma forma que paciente, o amor ágape também é benigno, e da mesma forma que a paciência está no amor ágape, a mesma origem tem a benignidade. Ser benigno é ser bom, ser gentil, fazer uso da bondade. Quer algo além da bondade vista em Deus ao fazer Ele uso de sua soberania, quando viu toda a humanidade condenada ao inferno e com amor ágape, resolveu ser benigno para com alguns desses perdidos e escolheu-os para salvação? É dessa maneira que o apóstolo descreve o ato soberano de Deus Efésios 1:4-5 4 assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor 5 nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade. O beneplácito de Deus, sua boa vontade em salvar parte da humanidade caída predestinando-os para salvação estava enraizada no seu amor, no seu amor ágape para com sua igreja.

Mesmo sem qualquer merecimento da igreja, mesmo sem qualquer coisa que agradasse a Deus na vida desses que Ele predestinou, ainda assim Deus os amou e escolheu livrá-los do inferno.

O amor verdadeiro, o amor ágape é benigno por que não deve depender do que o próximo faz, ou deixa de fazer contra nós ou a nosso favor. A benignidade com a qual eu vivo e devo compartilhar não pode depender do próximo ou de qualquer ato vindo dele, mas depende exclusivamente do reconhecimento que devo ter de minha condição com a qual nasci; deve depender do reconhecimento da minha própria condição com a qual Deus me amou e me salvou sem qualquer merecimento de minha parte. É com esse amor desinteressado que devo olhar para o próximo, olhar ainda mais para com o irmão na igreja. 

 

o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece,

O amor ágape não arde em ciúmes. O ciúme está além do sentimento de posse. O ciúme aqui está relacionado à vontade de manipular está relacionado à dominar austeramente, dominar rigidamente. O ciúme está ligado à incerteza, o ciúme está atrelado ao que o outro pode ou não estar fazendo contra mim. Se esta fosse a posição de Deus, certamente Cristo não teria vindo ao mundo. Uma vez que todas as nossas justiças são como trapos da imundícia, como afirma Isaías; Uma vez que Ele nos amou sendo nós ainda pecadores, é o amor que não olha o presente, ou o passado, mas um amor que olha para o futuro eterno na glorificação e vida sem pecado por meio de Cristo; esse é o amor ágape que não arde em ciúmes.

O amor ágape que não se UFANA NÃO SE ENSOBERBECE, é   o amor que não se enaltece a si mesmo de forma excessiva. O amor ágape é o amor com o qual o publicano orava de cabeça baixa, batendo no peito e clamava misericórdia por ser pecador; ao invés do fariseu que estufava o peito e orava a Deus falando soberbamente de como ele era bom e cumpria os mandamentos, mas não reconhecia seus próprios pecados, não reconhecia seus próprios limites. 

 

5 não se conduz inconvenientemente,

O amor ágape não procura futilidades, não procura ver coisas que são perda de tempo, mas se conduz com bom senso e moderação.

 

não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;

não procura seus próprios interesses. Aqui está a raiz de todo pecado. A cobiça, o interesse pessoal em alguma coisa. É o olhar de Eva para o fruto na árvore, é o olhar de Davi para BeteSeba pela janela, é o olhar de qualquer ser humano para a pornografia; a cobiça é o olhar de Geazi, servo de Eliseu, com o qual cobiçou os presentes de Naamã ao ser curado de lepra.

Na falta do amor ágape, é o amor interesseiro cobiçoso com o qual o ser humano olha para o próximo e o mantém por perto mitigando o bem que lhe poderia fazer apenas para manipulá-lo enquanto ele servir aos interesses próprios. Depois que ele não tiver mais serventia, vai descarta-lo com puro desdém como quem descarta um saco de lixo.

Na busca pelo próprio bem estar pessoal, na busca pela satisfação dos prazeres da carne está a cobiça, e aí está a falta do verdadeiro amor ágape. Mas quando o amor ágape é o que move o ser humano; esse ser humano prefere não satisfazer seus próprios desejos; esse ser humano prefere não cobiçar os bens do próximo; esse ser humano que vive pelo amor ágape é o ser humano que ama realmente a Deus e ao próximo. Ele não quer ofender a Deus com seu pecado, tão pouco quer levar que outro peque juntamente com ele.    

O amor ágape é o antídoto ao veneno da cobiça.  

Não se exaspera, não se ressente do mal   tudo o que poderia ser validado para justificar um ato explosivo de vingança não passa de falta do verdadeiro amor que não se ressente do mal, mas deposita no altar de Deus a sua demanda e perdoa o ato de iniquidade contra ele. 

6 não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; 7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Uma vez mais podemos ver Cristo como exemplo supremo desse amor. Ele não se deixou conduzir pela injustiça com a qual Ele foi tratado pelos fariseus, tão pouco se deixou levar pelo julgamento parcial de Pilatos, que bem como havia dito: Poderia livrar a Cristo da Cruz se quisesse. E que dessa maneira conduziram Cristo a ser morto. Não digo que os ímpios que levaram Cristo a crucificação não estejam pagando no inferno; mas estou mostrando que Cristo poderia ter-se negado em ser crucificado, poderia ter-se negado a sofrer, poderia ter-se negado a suportar a dor. Mas acima de qualquer coisa Cristo fez tudo por amor ao Pai. Suas palavras no Getsêmani são conclusivas:

Mateus 26:38-39 38 Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo. 39 Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.

Satisfazer ao Pai assumindo o pecado da igreja de todos os tempos e suportando a tristeza desses pecados e suportando a maldição da cruz e a separação momentânea do Pai; sabendo que a partir desse ato O Pai, por meio dele, Cristo, salvaria sua igreja. 

A partir do próximo versículo o apóstolo vai estabelecer comparações temporais entre o amor e outros dons.

8 O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão;

O contraste é explícito. O dom do amor é posto como algo existente e sem fim, é eterno; ao passo que as profecias enquanto predição de futuro, enquanto fonte de revelações da parte de Deus teriam um fim. E o mesmo contraste é posto diante do dom de línguas

 havendo línguas, cessarão; no tempo em que Paulo escreve estas duas palavras ele está afirmando: o dom de línguas existe, mas cessarão.  

havendo ciência, passará; Tanto o dom de profecia, quanto o dom de línguas   estão conectados à última palavra do versículo: passará. As profecias desapareceriam, as línguas cessariam, tudo passaria quando houvesse a ciência. A palavra ciência é conhecimento. Quando chegasse o conhecimento de algo as línguas e as profecias teriam cumprido o seu papel temporário. E esse papel é quando o conhecimento de algo específico tivesse chegado. 

9 porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos.

Na falta do conhecimento, na falta da ciência dita ao final do versículo 8, ainda seria necessário a profecia, ainda seria necessário o dom de línguas.

Aqui uma palavra específica com respeito ao dom de línguas se faz necessária. Por que o apóstolo, via de regra, sempre enquadrou línguas e profecia e vezes por outra o dom específico de revelação lado a lado?

Percebam que no capítulo seguinte Paulo equipara o dom de línguas com o dom de profecia em 1 Coríntios 14:5 5 Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis; pois quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas, salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação. Paulo está dizendo que o dom de línguas tem o mesmo peso e validade do dom de profecia se o que for dito tiver intérprete.

Lucas registra em Atos que as grandezas de Deus estavam sendo pregadas por meio do dom de línguas durante o evento em Pentecoste.

O motivo pelo qual Paulo coloca profecias e línguas lado a lado e vez por outra especificamente o de revelação por que todos possuem um caráter de revelação direta de Deus. Todos revelavam a Deus, revelavam seu caráter, revelavam sua vontade. Entretanto, esse caráter de revelação se opõe ao que Paulo está abertamente dizendo com respeito à ciência, ou seja, com respeito a um conhecimento específico. Mas enquanto esse conhecimento específico não chegasse, esses dons ainda seriam necessários. 

10 Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado.

O versículo 10 é o versículo que sela a disputa entre cessacionistas e continuístas. O cessacionista frequentemente é mal interpretado como aquele que não crê nos dons de uma forma geral, e isso não é verdade. O cessacionista apenas não crê nos dons revelacionais, ele não crê na atualidade dos dons que podiam revelar Deus de alguma forma extraordinária como era no passado. Ao passo que o continuísta crê que os dons, todos eles, continuam de alguma forma.

A base tanto para o continuísta, como para o cessacionista está na interpretação desse versículo, na definição do que vem a ser esse perfeito dito por Paulo. Para o continuísta, esse PERFEITO se refere a Cristo. A maneira, então, que o continuísta lê o versículo é da seguinte forma:

10 Quando, porém, vier Cristo que é o perfeito, então, o que é em parte será aniquilado.

E de fato Cristo é perfeito em todas as coisas. Não houve nada, nem nunca haverá nada em que Cristo não tenha sido, ou deixará de ser perfeito disso ninguém discorda, nem mesmo os cessacionistas. Contudo, a posição do cessacionista é afirmar que esse perfeito dito por Paulo aqui no versículo 10, não diz respeito à Cristo, mas a outra coisa.

A palavra τελειος traduzida para perfeito, tem como significado básico aquilo que está pronto, acabado, aquilo que não precisa de complemento, não precisa de mudança, não precisa de acréscimo algum. Mas antes de afirmar sobre o que de fato é perfeito apontado por Paulo aqui, vamos nos direcionar de outra maneira. 

Vamos voltar ao versículo 9 e levar a cabo o raciocínio dos continuístas entendendo o perfeito como se fosse de fato a Cristo que Paulo estivesse apontando. 1 Coríntios 13:9-10 9 porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos. 10 Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado. A parte que seria aniquilada dita no versículo 10, seria a parte do que era profetizado e não se conhecia dita no versículo 9 mediante a chegada do PERFEITO. O ensejo é demonstrar que, com a chegada do Perfeito, o conhecimento se tornaria pleno e não haveria mais necessidade de línguas, revelações, ou qualquer dom que possuísse o caráter de profecia.  

Sendo esse perfeito de fato Jesus Cristo, então o que está sendo dito nesses dois versículos e juntamente com os seguintes que vimos no início do sermão apontando para a meninice da igreja, é que quando o Perfeito que é Cristo vier, nós conheceremos a Cristo na sua plenitude. Teremos o conhecimento do TODO PERFEITO  e não teremos mais necessidade de profecias, ou qualquer dom de caráter profético pois a ciência, o conhecimento se tornou pleno. Isso não é verdade.

Nunca, em momento algum, conheceremos a Cristo na sua plenitude. Cristo é Deus encarnado, mas é infinito em todo o seu Ser. Alcançar o conhecimento pleno de Cristo é conhecer a Deus na sua plenitude, algo impossível ao ser humano. Nem mesmo na glória teremos esse conhecimento. Passaremos a eternidade conhecendo a Deus sem jamais conhece-Lo na sua perfeição. Caso um dia isso aconteça, nós teremos nos tornado o próprio Deus.

Paulo aponta também para algo que ele conhecia em parte, mas no tocante ao que não conhecia era necessário dons com caráter profético, eram necessárias profecias. Mais do que nenhum outro apóstolo, ou mesmo profeta, Paulo aprendeu coisas e de um modo que nenhum outro ser humano jamais havia aprendido em vida.   Seu relato ao final da segunda carta aos Coríntios ele demonstra como aprendeu diretamente de Cristo glorificado. O que mais se assemelhou a essa forma de revelação recebida foi João ao ter as visões de apocalipse.

Seguindo a definição dos que defendem os dons, e que o PERFEITO dito por Paulo é Cristo, seria incoerência de Paulo afirmar que chegaria um dia a conhece-Lo na sua perfeição; não o conheceu quando foi levado ao terceiro céu e ouviu coisas que nenhum ser humano jamais ouviu, e nem vai conhecer na PERFEIÇÃO, pois nunca se tornará no próprio Deus.

No que diz respeito à posição dos cessacionistas, tal pensamento levado a cabo não encontra essa dificuldade. O que em parte Paulo conhecia e em parte haveria necessidade de dons proféticos? Pedro fala claramente sobre isso: 2 Pedro 1:20-21 20 sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; 21 porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo. Pedro, assim como Paulo, estavam falando da própria Escritura. Nos tempos de Paulo e Pedro a Escritura estava em processo de escrita. O Novo Testamento ainda estava sendo produzido e o próprio Pedro sabia disso e compara os escritos de Paulo com mesmo peso do restante da Escritura no próprio contexto desse versículo que acabamos de ler:

2 Pedro 3:15-16 15 e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, 16 ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles.

A igreja estava em fase de desenvolvimento, uma fase infantil que precisaria deixar de existir. Uma fase em que havia necessidade de revelação, profecias, línguas, dons de caráter profético para que a Escritura, fosse selada, fosse encerrada e tornar-se completa, perfeita, sem necessidade de complemento.

Cristo é perfeito e Ele é o nosso próprio modelo de perfeição que devemos buscar por meio das Escrituras que já está completa, acabada. A Bíblia nos foi entregue para que a igreja viva uma fase se maturidade. Uma fase que tem o conhecimento da vinda do Messias, da sua vida e ministério, morte e ressurreição; bem como a igreja madura tem o conhecimento da volta iminente de Cristo.

Por meio da perfeição da Escritura, somos exortados a buscar a perfeição inalcançável de Deus. É inalcançável se nos falta a maturidade de conhecimento da Escritura que nos mostra que Cristo é único Mediador entre Deus e o homem, que em Cristo somos mais que vencedores de nossos próprios pecados, que por causa de Cristo fomos aceitos diante de Deus; que pelo sangue de Cristo temos nossos pecados purificados e nos tornamos inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta.

A perfeição de Cristo é inalcançável tanto no conhecimento quanto na prática de vida, mas esse é nosso único modelo pelo qual vale a pena viver e buscar dia após dia viver para glória de Deus.

domingo, 9 de janeiro de 2022

Por que não podemos falar de política na igreja?

     Duas gerações se passaram desde que o período militar no Brasil se encerrou com a posse do primeiro presidente civil eleito diretamente pelo povo. Desde então o pensamento político foi banido da igreja e se tornou fruto cultural dessas gerações pós período militar.

    Falar de política ou ideologias após esse momento histórico se tornou um verdadeiro tabu entre a massa evangélica brasileira. Mas qual o verdadeiro motivo? O assunto não pode ser tratado na igreja? Isso não é assunto bíblico? Qual a verdadeira origem dessa ojeriza com a política?

    A máxima que deu origem a essa repulsa dentro da igreja tem a mesma fonte e motivação de outra. A máxima dentro da igreja é: “não se mistura política com religião”; e  tem a mesma fonte de outra máxima que é:  não se mistura religião com ciência.

    A pergunta que se faz necessária é: porque não se pode misturar nem política nem ciência com religião? Qual a razão dessas afirmações serem levadas ao extremo por muitos cristãos? E a melhor pergunta que podemos fazer é: Quais as razões bíblicas para se negar a falar desses assuntos na igreja?

    Prontamente podemos responder que não existe qualquer razão que nos impeça de falar de tais assuntos na igreja. Pelo contrário, existem razões bíblicas e razões seríssimas que nos obrigam a falar desses assuntos apontando princípios bíblicos que devem nortear a vida do cristão nessas questões. 

    Quando nos negamos a falar desses assuntos na igreja, estamos reduzindo a glória de Deus e repartindo o mundo entre espiritual e material como se Deus não pudesse nos orientar nessas questões comuns da vida.

    Quando o cristão não é ensinado dentro dos princípios bíblicos sobre como se deve conduzir, como deve construir suas opiniões, seus pensamentos acerca desses temas, ele, inevitavelmente será conduzido por princípios mundanos, princípios que não glorificam a Deus e nem tão pouco têm qualquer utilidade para santificação.

    O apóstolo Paulo conduziu a referência a todo e qualquer assunto ou a toda e qualquer princípio ético e/ou espiritual da seguinte maneira: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas 5 e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo,” (2 Coríntios 10:4-5).

    Paulo fala aqui do que hoje nós chamamos de “Cosmovisão”. A forma como nós olhamos o mundo à nossa volta, o analisamos e pautamos nosso comportamento; e a forma de pensamento é conduzida pela nossa cosmovisão. O cristão deve possuir uma cosmovisão bíblica.

    Quando negamos um determinado princípio bíblico para abraçar um princípio meramente humano pelo qual nos deixamos conduzir, nós estamos, na verdade, deixando de “ levar cativo todo pensamento à obediência de Cristo”.  Isso é dividir a glória de Cristo, dividir a glória do Deus Trino com a pretensa "glória" dos homens, particularmente com aqueles que, não deveriam, mas estão pautando nosso pensamento. E isso definitivamente é idolatria.




domingo, 28 de novembro de 2021

Pobre de Espírito

 Quero definir “pobre de espírito” mas não segundo o texto bíblico onde Jesus aponta para uma dependência total de Deus, o que biblicamente é; mas quero definir conforme as atuais circunstâncias e conjunturas políticas e sociais pelas quais passamos no mundo em que vivemos. 

Pobre de espírito é: 

• Todo aquele que não consegue ter uma auto-percepção em um contexto social

• Todo aquele que, não tendo uma auto-percepção, se deixa levar pela definição alheia

• Todo aquele que carece de que alguém lhe oriente nos princípios elementares de uma boa convivência 

• Todo aquele que se torna execrável perante o consenso do que vem a ser uma boa moral e do que seja o bom senso

• Todo aquele que se fecha em torno de si mesmo e de uma ideologia excludente daqueles que se opõem à sua ideologia

• Todo aquele que busca nos seus pares e em si mesmos a fonte que lhes dê direção para vida, sendo subjetivamente, e sendo redundante: egoísta e hedonista. 

• Todo aquele que faz uso de subterfúgios para ludibriar e manipular os que estão à sua volta para se sobressair, ou levar qualquer vantagem.

• Todo aquele que tendo, de uma até todas essas características, prossegue firme em seu caminho crendo que ninguém percebe seu modo de agir e ser.

Em tais circunstâncias, jamais se poderia dizer desse tipo de pobre de espírito descrito acima que seja um bem aventurado como daquele que Cristo afirmou; Mas, nesse caso, devemos afirmar que esses pobres de espírito, na verdade, são malditos.

sábado, 27 de novembro de 2021

Peregrino numa terra peregrina

 

Um hino antigo já dizia que “peregrinando, vou pelos montes e pelos vales, sempre na luz”. Salomão afirmando sobre a brevidade da vida, dizia tudo é vaidade. Somos peregrinos em uma terra estranha, estranha à nossa natureza transformada de escrava do pecado à uma natureza liberta em Cristo.

Somos peregrinos na vida daqueles aos quais amamos, como também eles são passageiros em nossas vidas. Estar vivo é, por um tempo, passageiro, somos peregrinos do tempo e no espaço. Tudo se passa no tempo e no espaço, alegrias, dores, tristezas, vitórias, derrotas, medo, exultação, tudo tem um tempo, também esta mistura de sentimentos é peregrina em nossas vidas.

E pelo que passamos, descobrimos que a vida é breve, que de fato somos peregrinos. O que mais incomoda, talvez seja o fato de sabermos que somos peregrinos e mesmo assim queremos construir um futuro. Futuro de quem? O nosso? Não sabemos o dia de amanhã, se aqui estaremos ou se daqui já teremos partido.

Mas também viver na impossibilidade do futuro é pessimismo. Regrar com uma dose de esperança, e outra de inteligência, mais um pouco de plano, não faz mal a ninguém e não usurpa o temido futuro, antes acende a luz de peregrinar um pouco melhor. 

Percebamos que os extremos desse ponto central são maléficos. Assentar, cruzar os braços e aguardar a morte chegar é tão inconseqüente quanto achar que a vida é um fim em si mesmo e que tudo o que nos resta no futuro a ser desvelado é apenas à vida presente, como se a morte fosse o fim de tudo. Isso é tão vazio, tão negro, tão triste, soa tão... ateu.

Vivamos sim de olho no futuro, trabalhando no presente, sabendo que peregrinamos até mesmo sobre uma terra que também é peregrina. Não falo do astro em sua órbita celestial, falo da condição de sua existência temporal. Tudo o que conhecemos da criação será renovado, em seu tempo, a forma como a conhecemos não existirá mais. Outrora o profeta enxergou além de sua peregrinação:  “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe”. (Apocalipse 21:1)

 

Rev. Júlio Pinto

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

UM ESTRANHO NO NINHO

 

        Um estranho no ninho faz menção a um clássico do cinema considerado um dos melhores filmes já produzidos. Ele conta sobre a estória de um prisioneiro que finge ser um doente mental para não trabalhar e é enviado a uma clínica especializada para doentes mentais onde lá promove uma rebelião.

Mas não é sobre o filme que estou a fim de falar, e sim acerca de uma das duas únicas opções que são perceptíveis no decorrer da vida onde realmente possamos nos sentir um estranho no ninho.  

Estar no mundo e viver como parte, sentir-se parte dele não é para todos. O mundo afinal não foi criado para os seres humanos? Sim, ele é a base para a cadeia de sobrevivência humana. Sem o ar, sem a terra, sem água, sem os animais e plantas a vida humana seria insustentável. Interessante perceber na história da criação que Deus criou primeiramente todo esse habitat que proporcionasse a vida e que essa sustentasse a vida.  

O fluxo humano na história sempre percorreu em duas direções apenas: ou pendia para o bem, ou pendia para o mal. A busca incessante da humanidade para sua sobrevivência já iniciava na dificuldade inerente à questão:  Quem define o bem e o mal? Correndo para sobreviver, o homem é obrigado a lidar com essa dualidade diariamente, e isso desde a mais tenra infância.

As culturas de todos os tempos, mundo afora, sempre tiveram de buscar essa definição em alguma coisa, ou em alguém. O argumento que definia se algo era do bem ou do mal deveria sempre passar pelo crivo da subjetividade de alguém com voz de comando.

Entretanto, a concordância acerca de uma definição baseada na subjetividade alheia sempre também precisou olhar a balança interna no próprio indivíduo comandado. Seria a concordância ou não dos liderados. E, nem sempre, a discordância pessoal tinha por fundamento a rebeldia, mas apenas o não entendimento dos motivos da definição do que era do bem, ou do que era do mal ser daquele modo.

Estar no mundo, para um cristão, significa estar a todo instante lutando consigo mesmo, a partir de duas fontes de pressão de origens diversas que chamam para si mesmas o direito de definir os conceitos de bem e mal.

Sendo o conceito de bem e mal algo subjetivo a cada homem, então temos que a moral é algo relativo. Sendo a moral relativa, como podemos argumentar acerca de um bem comum, ou afirmar de que possa existir um código moral que atenda à expectativa da humanidade em definir-se dentro desse conceito que percorre a existência entre o mal e o bem?

Não sendo Deus a fonte dessa definição espelhada na humanidade desde a sua origem, o que mais resta como fonte objetiva dessas duas definições? A resposta é bruta, tosca, pois sem um padrão de uma Perfeita Moral, Absoluta, a anarquia moral é o que sobra, pois ela se torna subjetiva e a partir de si mesmo o homem se torna seu próprio padrão moral.

O descrente não tem qualquer direito de pensar subjetivamente acerca do mal e julgar a Deus como sendo responsável pelo mal que aconteça no mundo. Não tem o direito de afirmar o que é bem, se esse bem não atende à necessidade alheia daquele que crê em Deus. Não tem o direito de argumentar sobre conceito moral, bem ou mal, se a fonte de suas convicções e definições são ele próprio.

O mundo só possui duas vertentes dessas definições: A primeira vertente se sobressai pela subjetividade, pela individualidade, pelo egocentrismo, pelo hedonismo, e para ser um pouco mais redundante se sobressai pela relatividade.    A segunda vertente é objetiva, e está no fato de Deus ter se revelado à humanidade um espelho de sua Perfeita e Absoluta Verdade Moral sintetizadas nos Dez Mandamentos.

Para o descrente não existem controvérsias em se viver num mundo plural, num mundo relativo, num mundo cada vez mais decadente que se apóia no próprio homem com sua definição moral mutante indo direto para fundo se tornando na própria escória que um dia ele mesmo condenou no passado. Esse homem se sente dono do ninho e quer a todo custo forçar, literalmente, que todos pensem como ele.

Por esse motivo, viver num mundo onde a verdade e a moral têm sido cada vez mais relativizadas é que devemos continuar a viver no mundo, mas crendo que somos como que um estranho no próprio ninho. Enquanto isso passamos por tribulações. Mas chegará o dia em que a pureza fará parte de nossas vidas de forma eterna e inviolável, tanto em nós mesmos como no universo que estará diante de nós.  Maranatha!!!!!!

Rev. Júlio César Pinto

 

 

domingo, 24 de outubro de 2021

LAMENTO DO ÍMPIO

 

Toda alma é transparente

Daquele Onipotente

 

Nada se pode esconder

No mais íntimo do ser

 

Não pense do pensamento

Que Ele não saiba, que lamento!

 

Muito menos atos sombrios

Às escuras calafrios

 

Pobre coitado nem morrer conseguirá

Pedirá aos montes e outeiros, alguém acobertará?

 

Chegará o dia, grande e verdadeiro

 Dia do Juízo do Cordeiro

 

Toda terra de espanto se levantará

Por que enfim de joelhos confessará

 

Jesus Cristo é o Senhor e não passará

Sem que toda boca mesmo tardia gritará

 

O salvo nesse dia por fim subsistirá

E o ímpio aterrorizado perceberá

 

Que como o justo deveria ter feito

Confessar os pecados, sinceramente, no mais profundo do peito.


Julio Cesar Pinto

SABEDORIA HUMANA, UM MONTURO

Contemplo, vejo no lado obscuro

De quinquilharias vasto monturo

 

Assim como enoja a casa suja

Aos olhos o pecado sobrepuja

 

A alma dos maus

É evidente o caos

 

Largo vês o caminho do inferno

Com sujeiras não verás o Eterno

 

Pobre daquele homem obtuso que rejeita ao Criador

Sua impressão de bem estar lhe causará a eterna dor

 

Pela eternidade dela jamais se livrará

Mas angústia sobre o mau acumulará

 

Dizem: Bom, estou rico e abastado e nada me faltará

Nem sabe que és cego, nu e miséria eterna acarretará

 

Pesas no orgulho que o conhecimento te salvará

Mas, no inferno, com a ignorância é que arderás

 

Meneia a cabeça acerca do cristão

Coitado! A vida não aproveita não

 

Cego! A verdadeira sabedoria é

Tá escrito: O justo viverá por fé

 

Fé não é ciência, ainda bem afinal

Mas entenda, é mais, supra-racional

 

Mas como querer falar do que é espiritual

Apenas com sua mera, parca razão parcial?

 

Não dizes tú que nao existe o absoluto?

Se relativo como quer ser tão resoluto?

 

A verdade absoluta está lá

Por isso cada um enxergará

Só o que está do lado de cá

 

Assim Deus se revelou na Escritura eia Absoluta

Ferramenta do salvo que de cima contempla luta

mesmo em face da Verdade como o ímpio labuta 


Como cão cego vagueia

O ímpio não tem nada que o norteia

Exceto sua vontade como instinto animal o permeia

 

Dia após dia seguem como brutos irracionais  

Pensam que não haverá da história nos anais

Um Julgamento Final ascenderá dos dias tais

 

Até mesmo a lógica se conclui dela verdade suprema

O vislumbre da perfeita moral sim é belo estratagema

Para se provar a existência do Ser que o homem tema

 

A ideia do homem perfeito também é argumento

Para dele sustentar diante de todo ímpio sarnento

Deus existe e julgará seus pecados, eis o tormento

 

Não se importe com a reação do ente vero pecador

Pois o evangelho confronta diretamente o seu amor

Pecado que ele abraça e quer ficar com tanto ardor.

 

 

Júlio César Pinto