O agnosticismo, em termos simples, é a posição de quem afirma que não é possível saber se Deus existe ou não. Não é uma negação direta, como no ateísmo, mas se trata de uma interrupção do juízo: Deus pode até existir, porém estaria além do nosso alcance, inacessível ao conhecimento humano.
Após o Iluminismo, um dos seus representantes mais agudos foi Thomas Henry Huxley, que cunhou o próprio termo “agnosticismo”. Para ele, o homem deveria se limitar ao que pode ser empiricamente conhecido (medido, visto, provado, testado), deixando de lado qualquer afirmação sobre o divino. Em outras palavras, Deus, se existe, não se revela; mas permanece oculto, distante, silencioso.
Contudo, as Escrituras constroem um testemunho radicalmente oposto.
Desde Gênesis, vemos que Deus não é desconhecido nem distante. Ele andava com Adão no paraíso. Pactuou com Abraão. No episódio de Agar, a escrava de Sara, quando lançada ao deserto com seu filho, à beira da morte, o Senhor intervém. Ele não apenas vê sua aflição, mas age para salvá-la. E então ela confessa: “Tu és Deus que vê”. O Deus bíblico não é inacessível; Ele enxerga, conhece e socorre.
Avançando para Daniel, encontramos uma declaração reveladora dos magos caldeus diante de Nabucodonosor. Incapazes de revelar o sonho do rei, eles dizem: “os deuses não moram com os homens”. Essa afirmação mostra perfeitamente o pensamento agnóstico: o divino é distante, não se envolve, não se revela.
Contudo, a resposta de Daniel desfaz essa ideia. Ele declara que há um Deus nos céus que revela mistérios. Deus não apenas existe: Ele fala, intervém e governa a história. Ele não está preso a uma distância intransponível; Ele age dentro do tempo e do espaço.
Essa verdade se torna ainda mais vívida quando os três amigos de Daniel são lançados na fornalha ardente. O que se vê ali não é uma intervenção à distância, mas a presença real de um quarto Homem, “semelhante ao filho dos deuses”, caminhando com eles no fogo. Deus não apenas salva; Ele se faz presente no meio da provação.
Esse é o prenúncio glorioso de Emanuel, “Deus conosco”, que séculos depois se encarna. E então, na Primeira Carta de João, lemos a declaração mais contundente contra qualquer forma de agnosticismo: “o que temos visto, o que temos ouvido, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida”. Deus não é aquele que não possa ser conhecido: Ele se fez visível, audível, tangível.
A revelação atinge seu ponto alto em Apocalipse, onde a promessa final é clara: “Deus mesmo estará com eles, e lhes enxugará dos olhos toda lágrima... e não haverá mais noite, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles”.
Assim, a Escritura inteira proclama uma única verdade, em contraste direto com o agnosticismo:
Deus vê.
Deus age.
Deus se revela.
Deus se faz presente.
Deus salva.
E Deus iluminará eternamente o seu povo.
O Deus da Bíblia não é desconhecido; Ele é conhecido porque decidiu se dar a conhecer.
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