“Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?” (Números 23.19)
“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14.6)
“Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus.” (Apocalipse 3.14)
“Na esperança da vida eterna que o Deus que não pode mentir prometeu antes dos tempos eternos.” (Tito 1.2)
Antes de continuarmos, é necessário esclarecer o que significa afirmar que Deus é fiel. A fidelidade de Deus não deve ser entendida como uma obrigação para com o homem, como se Ele estivesse vinculado às expectativas humanas. Deus é fiel, antes de tudo, a Si mesmo, ao Seu próprio ser, à Sua natureza perfeita e aos Seus decretos eternos. Ele é fiel à Sua Palavra porque Sua Palavra é expressão do que Ele é. Portanto, Sua fidelidade não é condicionada pelo homem, mas fundamentada em Sua própria imutabilidade e verdade. Quando Deus cumpre Suas promessas, Ele o faz não porque o homem O determina, mas porque Ele não pode negar a Si mesmo.
Ao finalizarmos o estudo dos atributos comunicáveis, chegamos a uma verdade que sustenta toda a fé cristã: Deus é verdadeiro.
A verdade de Deus significa que Ele é absolutamente fiel em Seu ser, em Sua revelação e em Seus atos. Deus não apenas fala a verdade, Ele é a própria verdade.
Isso implica que não há engano em Deus, nem possibilidade de erro, nem variação entre o que Ele é, o que Ele diz e o que Ele faz. Tudo em Deus é perfeitamente coerente.
A Escritura afirma de forma clara: Deus não pode mentir. Isso não é limitação, mas perfeição. Mentir implicaria contradição, falsidade ou imperfeição; coisas que são impossíveis em Deus.
Portanto, tudo o que Deus revela é verdadeiro. Sua Palavra é digna de confiança plena.
Essa verdade se manifesta de forma especial na pessoa de Cristo, que declara: “Eu sou a verdade” e é apresentado como “a testemunha fiel e verdadeira”. Nele, a verdade de Deus não apenas é proclamada, é encarnada e confirmada.
Cristo não apenas ensina o caminho; Ele é o caminho. Não apenas comunica a verdade; Ele é a verdade.
Isso nos mostra que a verdade bíblica não é apenas proposicional, mas também pessoal.
Além disso, a verdade de Deus se expressa em Sua fidelidade.
Aquilo que Deus promete, Ele cumpre. Aquilo que Ele declara, permanece. Não há instabilidade em Suas palavras.
Isso significa que a fé cristã não é um salto no escuro, mas uma confiança fundamentada no caráter de Deus.
Crer em Deus é confiar que Ele é verdadeiro.
Mas essa verdade também tem implicações sérias.
Se Deus é verdadeiro, então Sua Palavra define a realidade. Não cabe ao homem determinar o que é verdade; cabe-lhe submeter-se àquilo que Deus revelou.
Isso confronta diretamente a tendência humana de relativizar a verdade. Pois a verdade não é construída, mas é revelada.
E isso molda a vida do crente.
Primeiro, nos chama à confiança. Podemos descansar nas promessas de Deus, porque Ele não mente.
Segundo, nos chama à submissão. Devemos alinhar nossos pensamentos e nossa vida à verdade de Deus.
Terceiro, nos chama à integridade. Se pertencemos ao Deus da verdade, devemos viver em verdade.
Mas, novamente, é necessário manter o equilíbrio bíblico.
O homem não vive na verdade por capacidade natural. O mesmo Deus que é verdadeiro é aquele que opera no crente, iluminando o entendimento e inclinando o coração à verdade.
Assim, a vida em verdade não é apenas uma exigência, é fruto da graça.
Deus não apenas revela a verdade, Ele conduz o Seu povo nela.
Portanto, conhecer a verdade de Deus é ter um fundamento firme para a fé, para a vida e para a esperança.
É saber que, em um mundo instável, há um Deus absolutamente confiável.
Rev. Julio Pinto
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