“Deus é amor.” (1 João 4.8)
“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Romanos 5.8)
“Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” (1 João 4.10)
Continuando no estudo dos atributos comunicáveis, chegamos a uma das verdades mais conhecidas e, ao mesmo tempo, mais frequentemente mal compreendidas: Deus é amor.
Essa afirmação não significa que o amor define Deus de forma isolada, como se fosse o Seu único atributo, nem que Deus possa ser reduzido a uma ideia sentimental. Significa que o amor pertence à própria essência de Deus e se manifesta em perfeita harmonia com todos os Seus demais atributos.
O amor de Deus é santo, justo, sábio e soberano.
Isso é fundamental, porque muitas distorções surgem exatamente quando se tenta separar o amor de Deus de Sua santidade e justiça. Um amor que ignora o pecado não é o amor bíblico.
A Escritura define o amor de Deus de forma objetiva: Ele se manifesta na entrega de Cristo.
Deus não apenas declara amor, Ele o demonstra. E o demonstra de forma surpreendente: “sendo nós ainda pecadores”.
Isso significa que o amor de Deus não é resposta ao mérito humano. Não fomos amados porque éramos dignos, mas apesar de sermos pecadores.
O amor de Deus, portanto, é livre, soberano e gracioso.
Ele não é causado por algo em nós. Ele procede inteiramente de Deus.
E mais: esse amor não é apenas uma disposição interna, mas uma ação concreta. Deus enviou Seu Filho como propiciação pelos pecados.
Aqui vemos novamente a perfeita harmonia entre amor e justiça.
O pecado não foi ignorado, foi tratado. A justiça de Deus foi satisfeita, e exatamente por isso o amor pôde ser manifestado de forma plena.
A cruz não é apenas prova de amor, é a definição do amor de Deus.
Isso também corrige uma ideia muito comum: a de que Deus ama a todos da mesma forma.
A Escritura mostra que há uma distinção. Existe uma expressão geral da bondade de Deus para com todos, mas o amor redentor, aquele que salva, é direcionado de forma específica àqueles que são alcançados pela graça.
O amor que salva não é apenas oferecido, é eficaz.
Ele não apenas torna a salvação possível, mas a aplica ao coração, transformando o pecador.
E isso nos leva novamente à dinâmica da vida cristã.
O amor de Deus não apenas nos alcança, ele nos transforma.
Aquele que é amado por Deus é chamado a amar.
Mas, novamente, esse amor não é produzido autonomamente. Ele é fruto da obra de Deus no coração.
O mesmo Deus que nos amou é aquele que derrama o Seu amor em nós, capacitando-nos a amar.
E isso tem implicações profundas.
Primeiro, nos humilha. Não fomos amados por mérito.
Segundo, nos dá segurança. O amor de Deus não muda, porque não depende de nós.
Terceiro, nos transforma. Somos chamados a refletir esse amor na forma como vivemos.
Mas esse amor não é sentimentalismo. Ele é comprometido com a verdade, com a justiça e com a santidade.
Portanto, conhecer o amor de Deus é conhecer o evangelho em sua essência.
É olhar para a cruz e entender que ali Deus revelou, de forma perfeita, quem Ele é.
Rev. Julio Pinto
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