"Entrando no templo, expulsou os que ali vendiam, dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa será casa de oração. Mas vós a transformastes em covil de salteadores." (Lucas 19.45-46)
A primeira grande atitude de Cristo após sua entrada em Jerusalém foi purificar o templo. O Senhor não suportou ver a adoração sendo substituída pelo comércio. Aquele lugar, separado para a glória de Deus, havia sido transformado em instrumento de lucro. A indignação de Jesus revela que Deus não considera pequena a corrupção do culto. O mesmo Cristo continua andando entre os candeeiros de sua Igreja e continua zelando pela santidade de sua casa.
Essa passagem é extremamente atual.
Primeiro, porque a Palavra de Deus é permanente. O pecado muda de aparência, mas não de essência. O templo de Jerusalém já não existe, porém a tentação de transformar a religião em negócio permanece viva. Aquilo que Cristo condenou no primeiro século continua sendo abominável diante de seus olhos no século XXI.
Segundo, porque Pedro advertiu que surgiriam falsos mestres que fariam exatamente isso: "Também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias" (2 Pedro 2.3). A profecia se cumpre sempre que líderes transformam o púlpito em balcão de negócios, comercializando a esperança, vendendo promessas de cura, campanhas por prosperidade, "sementes financeiras", objetos supostamente ungidos ou milagres anunciados como se estivessem sob seu controle. Nenhum homem possui a agenda da soberania de Deus. A graça não está à venda, o Espírito Santo não é mercadoria e o favor divino jamais pode ser comprado.
Terceiro, aproximam-se novamente as eleições, e esse pecado também invade muitas igrejas. Há líderes que negociam o apoio político de suas comunidades como quem negocia um patrimônio particular. Em vez de pastorear o rebanho de Cristo, oferecem milhares de votos em troca de favores, verbas, cargos, influência ou benefícios institucionais. Depois de fechado o acordo, utilizam o púlpito para pressionar, constranger e até ordenar aos membros em quem devem votar, como se fossem donos da consciência do povo de Deus. Trata-se de uma perversão da autoridade pastoral. O rebanho pertence a Cristo, não ao pastor. O voto pertence à consciência do cristão, cativa às Escrituras, e não aos interesses de quem transformou a igreja em um curral eleitoral. O púlpito jamais foi instituído para promover candidatos, mas para proclamar o Evangelho. Quando votos se tornam moeda de troca, a Igreja deixa de servir ao Reino de Deus para servir aos reinos deste mundo.
Que cada cristão examine cuidadosamente onde congrega. Uma igreja fiel anuncia Cristo; não vende bênçãos, não comercializa a fé e não leiloa a consciência de seus membros. A casa de Deus continua sendo casa de oração. E o Senhor que expulsou os cambistas do templo continua julgando toda tentativa de transformar sua Igreja em mercado religioso ou instrumento de poder político.
Rev. Julio Pinto
Nenhum comentário:
Postar um comentário
A todos os leitores peço que deixem seus comentários. Todos os comentários estarão sendo analisados segundo um padrão moral e ético bíblicos e respondidos à medida que se fizer necessário.