segunda-feira, 10 de agosto de 2026

QUANDO O AMOR PELOS OUTROS NOS FAZ CHORAR

 “Tenho grande tristeza e incessante dor no coração; porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne.

Romanos 9.2–3

Há palavras que revelam a profundidade de uma alma. Romanos 9.2–3 é uma delas.

Paulo não fala de maneira fria sobre aqueles que ainda não receberam o Messias. Ele carregava “ grande tristeza e incessante dor no coração ”. Seu sofrimento não era apenas intelectual; era a expressão de um amor profundamente fascinado por seus compatriotas.

E então ele usa uma palavra fortíssima: anátema .

O termo indica alguém colocado sob maldição, separado, destinado à destruição. Paulo chega a dizer que desejaria ser anátema, separado de Cristo, se isso pudesse resultar na salvação de seus irmãos segundo a carne.

Isso não significa que Paulo realmente pudesse trocar sua salvação por eles, nem que desejasse abandonar Cristo. O próprio contexto da carta mostra que nada poderia separá-lo do amor de Deus em Cristo (Rm 8.35–39). Trata-se da maneira mais intensa de expressar quanto seu coração desejava a salvação de seu povo.

Paulo havia feito progresso pela graça e, com razão, não conseguiu contemplar a perdição alheia com indiferença.

Aqui existe uma pergunta para nós:

A salvação que recebeu pela graça tem produzido em nós amor pela salvação dos outros?

É possível conhecer a doutrina, defender a verdade e, ainda assim, perder a compaixão. Paulo nos mostra outro caminho. A verdade não tornou seu coração indiferente; a graça o tornou profundamente sensível.

Ele não poderia salvar seus irmãos. Não poderia tomar o lugar deles diante do juízo. Somente Cristo poderia fazê-lo. Mas poderia chorar por eles, orar por eles e anunciar-lhes o Evangelho.

O verdadeiro amor parceiro não relativiza a verdade para evitar a tristeza. Também não usa a verdade como desculpa para esconder a falta de amor.

A verdade nos faz olhar para Cristo; o amor nos faz desejar que outros também o encontrem.

Que Deus nos livre de uma fé que se satisfaça em saber que fomos realizados pela graça, mas não se importa com aqueles que ainda precisam ouvir o Evangelho.

Que o Senhor nos dê algo do coração de Paulo: um coração quebrado pela condição espiritual dos outros e disposto a servi-los para que conheçam a Cristo.


Rev. Julio Pinto 

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