sexta-feira, 24 de abril de 2026

Tema 10 - A Independência de Deus (Asseidade): Deus é suficiente em Si mesmo

 “Pois, assim como o Pai tem vida em si mesmo, assim também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo.” (João 5:26)

O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas; nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais.” (Atos 17:24–25)

Quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus...” (Hebreus 9:14)

Ao começarmos a estudar os atributos incomunicáveis, iniciamos por um dos mais fundamentais: a independência de Deus, também chamada de asseidade.

Esse atributo nos ensina que Deus existe por Si mesmo. Ele não depende de nada fora dEle para existir, para viver ou para ser quem Ele é.

Tudo o que existe depende de algo. Nós dependemos de ar, alimento, tempo, circunstâncias. Nossa própria existência é sustentada a cada instante. Mas com Deus é completamente diferente.

Ele tem vida em Si mesmo.

Quando Jesus afirma que o Pai “concedeu” ao Filho ter vida em Si mesmo, isso não significa que o Filho, em algum momento, não possuía essa vida. Não se trata de um começo no tempo, como se o Filho tivesse recebido algo que antes não tinha. Essa linguagem expressa a relação eterna entre o Pai e o Filho dentro da própria Trindade.

O Filho é eternamente gerado pelo Pai, e, nessa relação eterna, possui a mesma vida divina, plena e independente. Ou seja, o Filho não é inferior nem dependente como uma criatura, mas participa plenamente da mesma natureza divina ; tendo, assim como o Pai, vida em Si mesmo.

O mesmo se aplica ao Espírito Santo. Ao ser chamado de “Espírito eterno”, a Escritura aponta que Ele não está sujeito ao tempo nem depende de nada criado. Ele também participa plenamente do ser divino, possuindo em Si mesmo essa vida eterna e independente.

Portanto, Pai, Filho e Espírito Santo são igualmente autoexistentes; um só Deus, plenamente suficiente em Si mesmo.

O apóstolo Paulo reforça isso ao afirmar que Deus não é servido como se precisasse de alguma coisa. Pelo contrário, é Ele quem dá a todos vida, respiração e tudo mais.

Isso muda profundamente a forma como entendemos nosso relacionamento com Deus.

Deus não nos criou porque precisava de companhia. Não nos sustenta porque depende de nós. Não recebe algo que complete Sua existência. Ele é plenamente suficiente em Si mesmo, eternamente satisfeito em Seu próprio ser.

E ainda assim, e isso é maravilhoso! Ele decidiu criar, sustentar e se relacionar conosco.

Portanto, tudo o que oferecemos a Deus não supre uma necessidade dEle, mas expressa nossa dependência dEle.

Nós não acrescentamos nada a Deus. Somos nós que recebemos tudo dEle.

Esse atributo nos conduz à humildade. Não somos necessários para Deus, mas somos completamente dependentes dEle.

E, ao mesmo tempo, nos conduz à confiança. Aquele que não depende de nada é exatamente o único em quem podemos depender plenamente.


Rev. Julio Pinto 

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