“Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.” (Malaquias 3:6)
“Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.” (Tiago 1:17)
Ao avançarmos no estudo dos atributos incomunicáveis, chegamos a uma verdade profundamente consoladora: Deus não muda.
A imutabilidade de Deus significa que Ele permanece o mesmo em Seu ser, em Seus propósitos e em Suas promessas.
Diferente de nós, Deus não se desenvolve, não aprende, não melhora e não piora. Ele não muda de opinião por falta de conhecimento, nem altera Seus planos por erro de cálculo. Tudo o que Deus é, Ele sempre foi e sempre será.
Isso não significa que Deus seja estático ou distante. A Escritura mostra que Ele age, responde, se relaciona e intervém na história. Mas todas essas ações fluem de um ser que é perfeitamente constante.
Deus não muda, mas Ele age de forma coerente com quem Ele é.
Aqui é importante esclarecer uma dificuldade comum. Em alguns textos bíblicos, especialmente no Antigo Testamento, encontramos expressões como “Deus se arrependeu” (por exemplo, Gênesis 6:6; 1 Samuel 15:11). À primeira vista, isso pode parecer contradizer a imutabilidade de Deus.
No entanto, essas expressões não devem ser entendidas como se Deus mudasse de ideia como o homem muda, por erro, surpresa ou falta de conhecimento. A linguagem bíblica, nesses casos, está descrevendo Deus de forma acomodada à nossa compreensão, usando termos humanos para expressar ações divinas.
Nas línguas originais, esses termos frequentemente carregam o sentido de pesar, tristeza ou mudança na forma de agir em relação ao homem, e não uma mudança no ser ou nos propósitos eternos de Deus.
Ou seja, o que muda não é Deus em Si, mas a relação do homem com Deus. Quando o homem muda (por exemplo, do pecado para o arrependimento, ou da obediência para a rebeldia) a forma como Deus trata esse homem também muda. E a Escritura descreve isso como “arrependimento” de Deus, para tornar compreensível essa mudança de administração.
Mas o próprio testemunho bíblico interpreta essas expressões. Em 1 Samuel 15:29, lemos que Deus “não mente nem se arrepende, porque não é homem, para que se arrependa”. Isso nos mostra que tais passagens não podem ser entendidas de forma literal como se Deus mudasse em Sua essência ou em Seus decretos.
Portanto, não há contradição: Deus é imutável, e Sua Palavra é coerente consigo mesma.
Seus propósitos são firmes. Aquilo que Ele determinou não pode ser frustrado. Seus planos não são improvisados, nem sujeitos a revisão.
Suas promessas também são imutáveis. Aquilo que Ele disse, Ele cumpre. Aquilo que Ele prometeu, permanece. Não há instabilidade em Deus.
E é exatamente isso que o texto de Malaquias nos mostra: o povo não foi consumido não por causa de sua fidelidade, mas porque Deus não muda. Sua aliança permanece firme, mesmo diante da infidelidade humana.
Isso transforma completamente a maneira como vivemos.
Se Deus mudasse, não haveria segurança. Suas promessas poderiam falhar. Seu caráter poderia oscilar. Sua vontade poderia se alterar.
Mas porque Ele é imutável, podemos confiar plenamente.
Aquele que Deus foi ontem, Ele é hoje e será para sempre.
Isso nos chama a duas atitudes.
Primeiro, confiança. Podemos descansar em Deus porque Ele não muda.
Segundo, reverência. Não cabe a nós tentar adaptar Deus às nossas expectativas. Somos nós que devemos nos alinhar a Ele.
A imutabilidade de Deus não é apenas uma verdade teológica, é o fundamento da nossa esperança.
Rev. Julio Pinto
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