“Sede santos, porque eu sou santo.” (1 Pedro 1.16)
“...vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou.” (Colossenses 3.10)
Após considerarmos os atributos incomunicáveis de Deus (aqueles que pertencem exclusivamente ao Seu ser e que não encontram qualquer analogia na criatura) chegamos agora a uma nova categoria: os atributos comunicáveis.
Os atributos comunicáveis são aquelas perfeições divinas que, embora pertençam a Deus de forma infinita, perfeita e independente, são, em certa medida, refletidas na criatura, especialmente no homem criado à Sua imagem.
Isso não significa que o homem possua esses atributos da mesma forma que Deus. A diferença continua sendo absoluta. Em Deus, esses atributos são essenciais, infinitos e perfeitos. No homem, são derivados, limitados e imperfeitos.
Ou seja, o homem não possui amor, justiça, bondade ou santidade em si mesmo, como Deus possui. Ele participa dessas realidades de forma dependente, como reflexo daquilo que Deus é em Si mesmo.
Essa distinção é fundamental.
Se não fosse assim, ou elevaríamos o homem ao nível de Deus, ou rebaixaríamos Deus ao nível da criatura. A doutrina correta mantém ambos nos seus devidos lugares: Deus como fonte absoluta; o homem como participante dependente.
Além disso, esses atributos comunicáveis não são qualidades autônomas no homem. Eles não existem de forma neutra. Só são verdadeiramente compreendidos e vividos quando relacionados ao próprio Deus.
O amor humano, por exemplo, só é verdadeiro quando reflete o amor de Deus. A justiça humana só é reta quando está alinhada à justiça divina. Fora disso, tudo se corrompe.
Portanto, os atributos comunicáveis não apenas nos ensinam quem Deus é; eles também revelam quem o homem deve ser diante dEle.
E é exatamente nesse ponto que a santidade se destaca como um dos atributos comunicáveis.
A santidade de Deus não é apenas um atributo entre outros, mas uma perfeição que permeia tudo o que Ele é. Deus é santo em Seu ser, em Sua vontade, em Seus atos e em Seus decretos.
Ser santo significa que Deus é absolutamente separado de tudo o que é comum, criado e, sobretudo, de tudo o que é pecaminoso. Ele é puro, perfeito e moralmente irrepreensível.
A Escritura afirma isso de forma direta: “Sede santos, porque eu sou santo”.
Aqui vemos claramente o caráter comunicável desse atributo. Deus não apenas é santo; Ele exige santidade do Seu povo.
Mas, novamente, é essencial manter a distinção: a santidade em Deus é perfeita, essencial e imutável. No homem, ela é derivada, progressiva e dependente da graça.
O homem não produz santidade por si mesmo. Ele é chamado a participar da santidade de Deus, sendo transformado conforme a Sua imagem.
Essa transformação não é superficial. Ela envolve o ser inteiro: mente, vontade e afetos. A santidade não é apenas comportamento externo, mas uma conformidade real com o caráter de Deus.
E isso tem sérias implicações.
Primeiro, a santidade de Deus revela a gravidade do pecado. O pecado não é apenas erro, é oposição direta ao caráter santo de Deus.
Segundo, ela estabelece o padrão da vida cristã. O crente não é chamado a viver segundo seus próprios critérios, mas segundo o caráter de Deus.
Terceiro, ela mostra a necessidade da graça. Se Deus exige santidade, e o homem não a possui por natureza, então é necessário que Deus mesmo a opere no homem.
Por isso, a santidade cristã não é autonomia moral, mas fruto da obra de Deus na vida do crente.
Portanto, ao tratarmos dos atributos comunicáveis, não estamos apenas estudando doutrina, mas sendo confrontados com o padrão divino para a vida.
Conhecer a Deus nesses atributos é, ao mesmo tempo, compreender Sua perfeição e reconhecer nossa dependência absoluta de Sua graça para refleti-Lo.
Rev. Julio Pinto
Nenhum comentário:
Postar um comentário
A todos os leitores peço que deixem seus comentários. Todos os comentários estarão sendo analisados segundo um padrão moral e ético bíblicos e respondidos à medida que se fizer necessário.