sábado, 21 de novembro de 2015

O cristão e a teologia do “eu”.


    Já se tornou comum na América Latina, local onde a Teologia da Libertação é amplamente aceita e difundida por inúmeros setores da sociedade como algo benéfico para ela e sendo essa uma sociedade  oprimida: dos pobres, dos negros, das mulheres e dos homossexuais.  Na terra tupiniquim essa teologia caiu como uma luva.                 Várias placas abraçaram essa teologia, de modo que hoje, ser cristão aqui é algo tão banal quanto dizer que no Brasil tem muito brasileiro.  O cristão pode se dizer do espírita kardecista, espírita de terreiro, católico, evangélico (não importa se judaizante, membro de seita, pentecostal, neopentecostal, tradicional ou reformado).

Há algum tempo  conhecia a linha de pensamento de Augusto. Ao presenciar um debate nas redes sociais sobre seu cristianismo, e alguns defendendo suas ideologias,  percebi o quanto cristãos têm se envolvido com sua(s) tese(s). Ler sua entrevista à Ultimato foi o que impulsionou a escrita deste artigo.  Duas questões me vieram a mente: Augusto Cury, cristão? Ultimato divulgando Augusto Cury? Uma vez que o termo cristão diz respeito a alguém tão genérico nesses dias, ok, Cury é cristão. E da mesma forma a Ultimato tem todo o direito de publicá-lo e fazê-lo ainda mais notório.

No entanto, podemos qualificar esse cristianismo de Cury através de suas premissas. Como minha intenção é escrever este artigo direcionado a cristãos reformados não vou me deter em explicações das premissas básicas dessa teologia. Mesmo assim, se algum leitor necessitar de maiores esclarecimentos, terei prazer em fornecê-los.

Em sua resposta à primeira pergunta, Cury conclui que transtornos psicológicos são causados por fatores físicos, emocionais, descontrole da mente, traumas, perdas, sofrimento por antecipação, conflitos familiares. Esse tipo de análise é justamente o que se espera de um médico. Alguém que de fato não tem conhecimento de causa teológica, bíblica, espiritual. O problema da raça humana começa em Gênesis quando Adão quebra o pacto. Os problemas decorrentes deste ato, sejam físicos, psíquicos, familiares, etc. são de origem espiritual, tão somente.  Tratar destes problemas com chazinho, remédios, técnicas budistas ou de controle da mente (que aliás em essência são a mesma coisa), podem trazer melhoras? Claro que sim. Se não trouxessem não existiriam tantas pessoas fazendo uso delas. A questão é: resolve o problema do homem? Absolutamente NÃO! Não se resolve o Problema Espiritual do homem destas maneiras. Paulo ao escrever aos coríntios afirma:  “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente ( 1 Coríntios 2:14). Não é definido aqui no texto que este homem espiritual, diz respeito a qualquer homem que se julgue espiritual, religioso ou qualquer outro título que empunhe para si mesmo. Este título deve ser analisado dentro do contexto bíblico como um todo. Diz respeito ao homem convertido de fato.

 Para alguém que se diz cristão, me estranha o fato de Cury destacar em sua entrevista que ele doou o método freemind (mente livre? De que?). Me lembrou muito a oração do fariseu que orava de si para si mesmo e se  furtou ao direito de exercer humildade cristã (Mateus 6.3). Mas segundo a era do marketing, qual o problema de um pouco da autopromoção?

A segunda pergunta é fantástica: “2. Muitos relacionam a religião com fanatismo e, consequentemente, com desequilíbrios emocionais e mentais. Que contribuições o Cristianismo poderia dar para nossa saúde mental e emocional?”  Cury: “O fanatismo, o radicalismo, a rigidez, a necessidade neurótica de estar sempre certo, são sintomas de doenças psíquicas. Se as religiões e as ciências humanas tivessem estudados as ferramentas psicológicas que Jesus utilizou na educação da emoção dos seus alunos ou discípulos, a humanidade não seria a mesma.” 

Em primeira mão pensei se a resposta com respeito ao fanatismo... e a necessidade de sempre estar certo foi uma resposta de autoanálise. Mas fiquei me perguntando se os verdadeiros cristãos que leram esta entrevista prestaram a atenção ao que foi dito aqui. Na pergunta a revista se refere ao cristianismo, na resposta Cury enfatiza que “as religiões” deveriam abraçar técnicas (ferramentas) que Jesus usou. Ora, isso é nada menos que ecumenismo.  Todos os caminhos levam a Deus? Esta é a conclusão final com esse pensamento malévolo. Não existe uma só religião no mundo que pregue o reconhecimento de Cristo como Senhor (sem paralelos) e a necessidade  arrependimento (metanóia-abandono)  dos pecados, e a declaração solene por meio da fé recebida de forma exclusiva do próprio Deus (dom de Deus), de que Ele ressuscitou a Cristo de entre os mortos. Sem a expressa posição, reconhecimento e confissão não há salvação independentemente da cor de sua bandeira.

Certamente uma leitura parcial e subjetiva dos atos de Jesus Cristo levam à comoção e ao engano sobre o que de fato vem a ser fanatismo, radicalismo, ou mesmo ser acusado de ser um bitolado. Primeiramente vamos à justificativa filológica dos apelidos: radicais e fundamentalistas. A palavra “radical” vem de raiz. Em outras palavras o sujeito chamado de radical está sendo comparado ao sujeito que tem raízes. O sentido da palavra radical não é aquele sentido usado pela mocidade de nossos dias para expressar que alguém é super legal, ele faz coisas incríveis. Pois quando querem dizer isso, eles dizem: Vejam o fulano, ele é radical. Não é esse o sentido da palavra que usamos aqui. Da mesma forma o fundamentalista é aquele que tem fundamento. Desta forma os dois apelidos podem ser usados para expressar a mesma coisa, pois o sujeito radical ou fundamentalista é aquele que se se fundamenta, ou está enraizado em uma ideia, em uma crença no caso dos crentes. Quanto ao termo bitolado este só pode ser usado para aqueles que não possuem argumento para suas ações, palavras ou pensamentos. Em outras palavras, fazem por que fazem, mas não sabem o motivo que as levou para se comportarem daquela forma e quando arguidos seus argumentos são evasivos e não possuem fundamento, não possuem raiz. Por isso, daqui por diante estarei usando as palavras radicalismo e fundamentalismo como sinônimas.

 Assim sendo, se você é uma pessoa que se diz crente, mas suas respostas são do tipo: por que gosto... por que me identifiquei... por que eu acho Jesus Cristo um cara legal... por que eu gostei da mensagem do evangelho...por que eu gosto do culto da igreja tal... por que idolatria é pecado... Apesar de algumas delas serem dadas na mais pura sinceridade e tiradas da própria Bíblia, nenhuma delas pode servir para responder à pergunta do motivo que te levou a ser crente. Todas estas respostas não possuem qualquer fundamento firme, é puro sentimentalismo e a sua religião é vã.

 Quando o salmista no capítulo 1 fala do justo ele o faz contrastando com o ímpio. V.3 “Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem-sucedido.4 Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa.” Ele compara o justo com a árvore plantada junto às correntes de águas. Este justo é comparado com aquilo que tem raiz, que se alimenta sempre. Ao contrário ele também compara o ímpio com a palha que o vento dispersa, ou a leva para onde quer, ou seja, não tem raízes. Para o ímpio ou para o crente relapso é fácil acusar o verdadeiro crente de radical, pois eles mesmos não têm raízes. Quando o ímpio, ou o falso crente acusa o verdadeiro crente de radical, ou fundamentalista ele está fazendo o que a Psicologia chama de transferência. Projeta seu defeito de não ter a Bíblia de fato como regra de fé e prática, mas a psicologia ou outra ciência qualquer, acusando o crente de ser fundamentalista, pois ele lê a  psicologia, ou qualquer outra ciência  com os óculos da bíblia, pois seu fundamento (fundamentalista), sua raiz (radical), é a Bíblia e nada mais. O acusador transfere seu defeito para o outro e o acusa. O defeito do não crente é exatamente o fato de não ter raízes de não ter fundamento e olha para aquele que tem e para não ficar por baixo transforma o radical, o fundamento como algo ruim, o que não é.

O ímpio ou o falso crente se sente como aquele que de fato não tem raízes, sua mente luta todos os dias para ser livre (freemind). Mas a Palavra nos convoca a sermos escravos, escravos de Cristo. De modo que não há liberdade alguma na raça humana. Por que se de outro modo for, se não se é escravo de Cristo, ainda se permanece como escravo dos próprios pecados. (Rm 6.6; 6.17; 6.20 ; Tt 3.3; 2 Pe 2.19x I Co 6.20;  2 Co 10.5, 23).  

A ferramenta escolar é redundante e ineficaz, uma vez que o que de fato é causador de todas as mazelas humanas não está sendo tratado, o pecado. Sem o tratamento adequado tudo se torna apenas paliativo. É como se o homem que depois de adulto ainda, como criança, não retém sua urina na cama à noite. Levado por um longo  tratamento psicológico, não resolve a questão, mas passa a sentir muito orgulho do que faz. No final das contas os tratamentos psicoemocionais sem o tratamento espiritual, biblicamente são o maior engodo da história. Tratam das consequências, mas não do mal enraizado. Mas fazer o que? Precisa-se justificar a venda de livros e as consultas, e sem falar nos anos de pesquisa e desenvolvimento científico.

 “Muitos religiosos fundamentalistas cometeram atrocidades em nome de Cristo, feriram, excluíram, mataram. Enfim, criaram um Cristo a imagem e semelhança da sua vaidade. Se de fato conhecessem o homem que dividiu a história, a humanidade não seria manchada de sangue, violência e hipocrisia ao longo das eras. Jesus foi “o poeta da generosidade” e da inclusão social. Investiu tudo o que tinha nos que pouco tinham. Nunca pressionou ninguém a segui-lo. Não queria mentes adestradas, mas mentes livres que o amasse o seguisse espontaneamente.”  

Aqui na própria resposta, à pergunta sobre qual a contribuição da psiquiatria para o conhecimento bíblico encontramos a negação da própria resposta: NADA. Na resposta encontra-se um desserviço à leitura da Escritura. A leitura da Bíblia é algo bem amplo, todos devem ter acesso à ela. Mas daí a criar doutrinas e interpretações, essa é outra questão.

Por que uma única Bíblia e tantas religiões e denominações?

Esta é uma resposta ao mesmo tempo simples e complicada. É simples porque tudo gira em torno da hermenêutica (ciência que define os pressupostos para interpretação) usada para interpretação dos textos bíblicos. Cada religião, e por sua vez cada denominação dentro delas, usa um método de hermenêutica particular de interpretação. E se torna complicada porque podemos destrinchar cada seguimento hermenêutico a fim de entender o que acontece, como aconteceu e acontecerá para o surgimento de tantas denominações.

Para que possamos olhar a hermenêutica individual de cada segmento, primeiramente devemos destacar diversos ângulos de como a Bíblia pode ser encarada.

·         Podemos olhar para ela como um livro qualquer, perceber nela alguns belos cânticos, um monte de estórias interessantes e quiçá algumas poesias e meros ensinamentos morais, até mesmo acadêmicos/científicos;

·         podemos olhar como se ela fosse o reflexo dos pensamentos religiosos de um povo antigo;

·         você pode pensar que a Bíblia contém  algumas mensagens de Deus e descartar aquelas que não forem de sua conveniência;  

·         você pode não definir que se trata de uma revelação progressiva e se perder em um emaranhado de pensamentos religiosos de diversos grupos neotestamentários;

·         pode também conceituar a bíblia crendo que há um grande número de mitos, e que o trabalho do pregador é extrair estes mitos para ter uma mensagem pura;

·         ou você pode considerar que a Bíblia é uma fonte de autoridade, revelada por Deus, mas colocar paralelas outras fontes de revelação, igualmente ou superiores a ela.

·         ainda você pode considerar que a Bíblia é uma fonte de autoridade revelada por Deus e que nada, nem ninguém possa substituir, suprimir, ou até mesmo igualar a sua autoridade e que ela é suficiente em si mesma.

Para entendermos melhor vamos dividir as religiões que aceitam a Bíblia como sendo a verdade de Deus revelada aos homens em três grupos maiores que são a Igreja Católica (I.C.A.R.), a Igreja Evangélica Pentecostal com suas diversas denominações, que será analisada juntamente com a Neopentecostal também com suas denominações e a Igreja Reformada (igrejas oriundas da reforma do século XVI) idem. Os outros grupos que não aceitam a Palavra como fonte de autoridade revelada por Deus, de cara, serão descartados, pois não é nosso propósito elucidá-los aqui.

A I.C.A.R. tem em sua base hermenêutica o princípio de que a tradição da igreja tem valor igual ou superior às Escrituras (Bíblia); bem como a palavra do papa que é entendida como sendo autoritativa e equivalente também à escritura. Assim sendo, podemos entender como pode acontecer de existir práticas estranhas à Palavra de Deus dentro da igreja católica como, por exemplo, a veneração aos santos e o uso de imagens de escultura que são doutrinas baseadas em livros tradicionalmente históricos, contudo não inspirados, que são os livros apócrifos acrescidos a Bíblia no concilio de Trento há apenas cinco séculos atrás. Até então, estes livros eram considerados apenas históricos, enquanto  os livros inspirados fazem parte do cânon bíblico desde o final do segundo século para o Novo Testamento e de, pelo menos, cinco séculos antes de Cristo para os últimos livros do Antigo Testamento, e de mais de vinte séculos para os primeiros escritos. Pois estas práticas se relacionam com a tradição destes livros históricos e não com a Bíblia, causando assim um choque de idéias entre o campo da tradição e o campo da revelação (Bíblia). (Gálatas 1.6)

As igrejas pentecostais e neopentecostais se aproximam bastante em sua hermenêutica. Crêem que a Bíblia é a Palavra revelada de Deus e que deve ser a nossa regra de fé e prática. Mas ambas colocam a experiência espiritual de cada indivíduo como parte desta revelação de Deus, como regra de fé e prática para serem seguidas e praticadas. Aqui neste ponto há um divórcio entre as duas. As pentecostais chegam ao máximo de igualar a experiência (pragmatismo) à revelação em autoridade; e as neopentecostais colocam o pragmatismo acima da autoridade da Revelação Escrita. É evidente que se questionados por esta ótica a negação será inevitável, mas na prática é exatamente o que acontece. (Mateus 24.24; 2 Pedro 2.1)

Em situações vividas por membros destas igrejas, mesmo que seja algo regido única e exclusivamente pela emoção, o que é cem por cento dos casos, são colocados como verdades espirituais vívidas, válidas e com o mesmo peso de autoridade da Palavra ou acima dela.   (Gálatas 1.8)

Com base na chamada “sensibilidade” do crente (cretino) ele pode desencadear uma nova religião, ou uma nova denominação fundamentado não na Palavra, mas na sua experiência pessoal, na sua visão pessoal da Escritura. Ou seja, as igrejas neopentecostais e as pentecostais estão calcadas no subjetivismo em parceria com a Palavra, se é que isso seja possível. Contudo, a Palavra de Deus é clara quando afirma que o coração e desígnio do homem são totalmente corrompidos pelo pecado (Jeremias 17.9).

Como confiar em uma hermenêutica corrompida pelo pecado do homem?  O que acontece é que vemos que o universo de denominações pentecostais e neopentecostais é tão grande quanto o número de indivíduos que as fundaram baseados em suas experiências pessoais. É uma discrepância tão absurda quanto à hermenêutica da igreja Católica. Na verdade, tanto aquela como essas inserem significados e interpretações estranhos à Escritura como um todo. Uma iguala ou sobrepõe a tradição à Escritura, enquanto as outras igualam ou sobrepõem a experiência pessoal à Escritura.

Em todos os casos acima o ajuste da Bíblia às experiências se torna inevitável, quando o que seria certo e  necessário é que tanto a tradição como a experiência individual deveriam ser passadas pelo crivo da Escritura, e não o inverso como acontece. Não quero de maneira nenhuma por à prova aqui a sinceridade em querer buscar a Deus de cada uma destas pessoas inseridas nestas igrejas, mas quero enfatizar o que Paulo alertou em 1 Timóteo 4:7  "Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas. Exercita-te, pessoalmente, na piedade." Como fazer isso? Paulo dá a chave em 1 Coríntios 14:29:  "Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem". E o padrão de julgamento, ou o padrão de aferição não é o entendimento pessoal de cada profeta, mas a própria Palavra de Deus como registrado em 1 Pedro 4:11: "Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus"; os oráculos a que Pedro se refere é a Palavra escrita de Deus como podemos confirmar em Romanos 3:2  “... porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus"; e também em Hebreus 5:12:  Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido". 

Quanto às igrejas reformadas que mantêm seu corpo doutrinário baseado no ensejo da reforma que tinha como um de seus principais pontos SOLA SCRIPTURA, já podemos entender sua hermenêutica só com este ponto, ou seja, só a Escritura. Para estas igrejas só a Palavra de Deus é que pode ditar as regras de interpretação dela mesma. Regras simples baseadas neste princípio nos levam a entregar à Escritura sua devida autoridade como Palavra Revelada de Deus, como única regra de fé e prática dos crentes. Neste caso, a experiência do crente não é descartada, mas ela é submetida à Escritura, no e em seu todo, para sua validação.

Os olhos de Cury ainda estão cegos pela ciência. Ele quer enxergar o mundo, os homens, o próprio Deus e Sua Palavra através dos olhos da ciência isso é corromper a suficiência e autoridade da Escritura. Ele usa como exemplo o fato de Jesus ter chamado ao seu traidor de amigo. Dizendo com isso que Jesus foi afável, e transformou o pequeno traidor em grande? Hããã? Humanamente falando isso é óbvio, mas e da perspectiva do Criador para sua criatura? Transformou-o em grande para então  lança-lo no inferno? Isso é sadismo. Na verdade dessa perspectiva, chama-lo de amigo foi a pior coisa que poderia lhe ter acontecido. O peso da condenação foi ainda maior. Na parábola acerca do juízo final (das bodas)  em Mateus 22.12, o homem que não estava vestido com as vestes apropriadas foi chamado pelo Rei (Jesus) de “amigo” e nos versículo seguintes:  “ Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes. 14 Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos.” (Mt 22.13-14). O que se vê aqui é justamente o que se passou com Judas e Cristo, o texto evidencia a soberania de Cristo sobre suas criaturas, não exaltou  o traidor.

“Os ensinamentos do maior educador da história é um convite a sabedoria, a tolerância e a saúde emocional.” Gostaria de saber onde estava isso com respeito aos fariseus e aos vendedores no templo? Onde estava isso quando Cristo afirma a condenação eterna e sem perdão de seus acusadores (Mateus 12.22-32). Esses e outros acontecimentos registrados.

A cegueira dos cristãos  adeptos de Cury é tamanha que vêm em suas palavras um testemunho de conversão. A Ultimato o questiona se ele é cristão e qual a experiência de fé que ele teve. Sua resposta é bem esclarecedora: “Fui um dos maiores ateus que pisou nesta terra. Mas depois de estudar a personalidade de Jesus sob o crivo da ciência, percebi claramente que ele não cabe no imaginário humano. Tornei-me um cristão sem fronteiras. Mas não defendo uma religião, e dentro das minhas limitações procuro como escritor através do Freemind contribuir com a saúde emocional de todos os homens. Escrevo para dezenas de milhões de pessoas, inclusive para acadêmicos e ateus.“   Não é necessário ser um gênio, ou um expert em teologia para ver que a resposta incutida nas palavras de Cury é: SOU UM CRISTÃO GENÉRICO E NÃO TENHO NENHUMA EXPERIÊNCIA DE FÉ. Não há qualquer declaração de Cristo como Senhor, não há qualquer reconhecimento de ser pecador, não há qualquer declaração acerca da ressurreição de Cristo. Essencial para que tivesse ocorrido salvação nas palavras de Paulo em Romanos 10.9-10. Suas palavras quando afirma:  “depois de estudar a personalidade de Jesus sob o crivo da ciência, percebi claramente que ele não cabe no imaginário humano”, são palavras de um cientista qualquer, não de um cientista convertido. É necessário ter fé (dom de Deus) no coração para aceitar a Cristo como Senhor, e Cury afirma que os olhos que ele usou para ter um conceito diferente de Cristo não foi a fé, mas o “crivo da ciência”. Com toda a segurança afirmo: Cury, pelas suas palavras não é, nem nunca foi um cristão de fato, mas de conveniência. Um falso profeta é o que ele é.

À medida que lemos o restante da resposta, como se não fosse possível, mas acontece, a convicção de que ele não é um cristão verdadeiro segundo as Escrituras cresce cada vez mais:  “Tenho amigos íntimos e preciosos no protestantismo, no catolicismo, no budismo em outras religiões. Acho importante que as pessoas através de suas religiões busquem ao Deus Vivo.” De fato Jesus ensinou: “não te peço que os tires do mundo, mas que os livre do mal”. O isolamento na sociedade não é o que um verdadeiro cristão deve buscar. Pelo contrário, Jesus mesmo foi acusado pelos fariseus de comer com publicanos e pecadores. Mas daí a se ter amigos íntimos no catolicismo, budismo e outras religiões? Isso é ultrapassar o limite que as Escrituras nos dão: “Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tiago 4:4 ). Amigos íntimos compartilham ideias e um amigo verdadeiro exorta a outro quando esse errar. Mas o que o ímpio tem a dizer quando um cristão verdadeiro peca? Absolutamente nada, a não ser escandalizar-se. Ele está condenado ao inferno, vai dizer o que a um cristão pecador a caminho do paraíso? Algo a ensinar? Nestes casos o papel do crente não é de amigo, mas de Atalaia (Ezequiel 3.17; 33.1-20).

“Mas não podemos esquecer que uma pessoa é verdadeiramente madura quando ama os que pensam diferente e tem um caso de amor com a humanidade, como amplamente fez Jesus, caso contrário irá atirar pedras. “ Algumas questões são pertinentes aqui:  1.  Quem ou o que define a maturidade de um ser humano? A ciência ou a Palavra de Deus? E o comportamento esperado desse ser humano maduro é definido novamente por quem? A ciência, ou a Escritura? E esse amadurecimento diz respeito a amar os que pensam diferente significa aceitar o comportamento imoral do próximo, ou alertá-lo de estar indo ao inferno? Jesus amou amplamente a humanidade? Ou apenas aos que de fato já eram seus? Veio ao mundo salvar ao mundo, ou salvar os seus? A salvação é universal, ou dos eleitos?

 “A única vez que ele aceitou estar acima dos homens foi quando tremulava sobre um madeiro. Ele desculpou seus torturadores e abraçou o condenado ao seu lado como um príncipe, mesmo sem usar os braços e ainda protegeu sua mãe com a expressão “mulher, eis ai teu filho”. Parece fria a sua resposta, mas foi carregada de afeto. Lembrou-se que Maria era a mulher das mulheres, mas um dia ela o perderia. Pediu que Joao cuidasse dela em seu lugar. Ele foi Freemind, teve uma mente livre, mesmo quando o mundo desabava sobre ele. Quem reagiu como ele na história? Freud, Einstein, Marx, Spinosa, Sartre, Kant, Hegel?”

Estas palavras de Cury acima mostra o quão arrogante o ser humano pode ser.  Fundamentado em que Cury afirma que a “única vez que Jesus aceitou estar acima dos homens foi quando tremulava sobre um madeiro”? Duas posições precisam ser distintas aqui, uma é o comportamento de Cristo diante do Pai, outra é o comportamento de Cristo diante dos homens. Se ele não se posicionasse acima dos homens Ele não:

1.                   teria discutido teologia quando criança aos doze anos com os doutores do templo.

2.                  teria discípulos

3.                  ceitaria ser chamado de mestre

4.                  aceitaria ser adorado nem por homens, nem por demônios (mais de uma situação)

5.                  condenaria para a eternidade mesmo antes da morte, aos fariseus que o chamaram de belzebu

6.                  repreenderia aos que não cressem nEle.

7.                  expulsaria os ladrões e vendedores do templo

8.                  se autodenominaria Filho de Deus (Filho como sendo ele mesmo Eterno)

9.                  faria uso de parábolas mostrando ser Ele mesmo o Deus encarnado

10.               aceitaria, em mais de uma situação, ter sido chamado de “Filho de Davi” uma designação para o Messias quando viesse. Etc.  

Paulo afirma que a maior humilhação de Cristo foi sua própria encarnação e  a morte cruz, mas não diante dos homens, mas diante do próprio Pai Fp 2.5-9
o absurdo da resposta de Cury chega ao ponto de enquadrar Cristo no seu método Freemind. Aqui o contraditório é escancarado. No início da entrevista ele afirma que Cristo não pode ser enquadrado no “imaginário humano”, mas aqui Cristo é enquadrado no imaginário de Cury, Cristo é Freemind. HEREGE!!!!.  E ainda tem cristão defendendo esta podridão?


Com respeito à julgamento parcial...

                Obviamente se pegarmos textos fora de contextos em qualquer situação podem dar margens à má interpretação. Mas quando um autor, ele mesmo destaca uma conclusão sua, isso é o resumo do que ele mesmo pensa acerca daquele ponto. Sendo assim, pegar uma conclusão feita pelo próprio autor, não é um texto fora de contexto, mas o resumo de todo o seu pensamento acerca daquele ponto. Desta feita, vamos fazer o mesmo destacando conclusões de certos aspectos de escritores bíblicos sobre o mesmo tópico. Por que se tem título de doutor não pode ser contestado? Ainda mais agora... façamos como os bereianos conferindo na Escritura para ver se as coisas são de fato assim...

Mas como ressaltou Paulo em certa ocasião: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; 4 e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.”  (2 Timóteo 4:3-4)

 

Comparações entre algumas frases:

Augusto Cury
Outros quaisquer....
“Resgatar a liderança do eu é fundamental! Nada é tão belo e relaxante quanto alcançar esta meta. Você também pode!”.
 
 
 
 
 
O resgate do eu, para eu mesmo, por mim mesmo, para minha glória !!!!!
Metas de outros:
a.                  ... para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. 1 Coríntios 1:31
b.                   Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Romanos 8:29 (meta divina????)
c.                   ...logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. Gálatas 2:20 (um tal de apóstolo Paulo)
 
 
 Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Mateus 16:24 (já ouvi falar desse aí também... Jesus Cristo)
 
O nosso resgate feito por Cristo, a nosso favor, não para nós nos gloriarmos, nem por meio de nós, tudo para glória de Deus.
“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente.” Amém! Romanos 11:36
“Há pessoas que malham nas academias, cuidam do seu corpo, da sua alimentação, mas descuidam assustadoramente de sua dieta emocional.”
Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, Efésios 2:1 (de novo o tal de Paulo)
 
Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Salmos 1:2 (Nunca vi mais gordo!!!)
 
 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. Mateus 26:41 (esse Jesus)
 
Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. 2 Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; Colossenses 3:1-2 
 
O problema central do homem é emocional? Ou o problema do homem é espiritual? O pecado atingiu todas as faculdades humanas, de modo que se tratar do emocional, sem tratar do pecado, é o mesmo que tomar remédio para dor de cabeça a fim de tratar de um câncer. Troca-se o tratamento da causa pela consequência. Esse é o método integracionista.
Educamos muito mais pelo que somos pelo que falamos
Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; 7 tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Deuteronômio 6:6-7 (Moisés – com esse nome, quem daria crédito?)
 
17 E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo. Romanos 10:17
 
2 prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. 2 Timóteo 4:2
 
4 então, ele me ensinava e me dizia: Retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos e vive; Provérbios 4:4 (um certo ignorante chamado Salomão)
 
A fala não pode ser hipócrita, mas colocar a ação acima dos próprios mandamentos que ordenam a fala... o meio de graça é por meio da fala, da pregação, não é da ação. A ação visa somente mostrar que a pregação, que a fala não é hipócrita. A ação é o testemunho da fala, e não o meio mais eficaz do ensino.

 

Já imaginou ter que ler um livro inteiro deste homem para saber quanta besteira foi dita? Ah pastor.. aprenda de tudo, retenha o que é bom... O problema está nas premissas. Se todo o ensino se baseia em uma premissa Integracionista, que coloca os óculos da ciência para se ler a bíblia, todo o restante está em ruínas, uma vez que a base é formada pelos sentidos humanos onde a ciência se baseia. Sim, todos os sentidos humanos são a base da ciência, seja ela qual for. Se não for, medido, quantificado, visto, apalpado, etc, então a ciência não concebe como sendo algo factível, verdadeiro. Enquanto que a Escritura requer de nós outra posição: “Hebreus 11:6 6 De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.”... É necessário fé. Se eu passo a crer em Deus depois de ter analisado, medido, quantificado, isso não é fé, é ciência. Desta feita como resultado não houve conversão por reconhecimento dos próprios pecados, houve convencimento por falta de argumentos de minha parte e argumentos lógicos da outra parte.

Nosso problema hoje não é diferenciar entre o certo e o errado. Se alguém te chamar a ir a um culto, ou a ler um livro satânico você iria, ou leria? Mas se alguém te chamar a ir a uma igreja onde Jesus é pregado, ou a ler um livro de alguém que diz ser cristão, você o faria? De certo que faria. Mas esse é o evangelho satânico, esse é o falso cristo sendo pregado. A Biblia afirma que Satanás é capaz de se transformar em anjo de luz para enganar se possível os próprios eleitos. Como? Pode ter a certeza de que ele não vai te apresentar algo aterrador, mas algo bem parecido com o evangelho, algo que tente ser casado com evangelho,  algo que te pareça bonito, com algumas ideias bem convidativas. E tenha a certeza de que o mundo está cheio de falsos mestres. Carregam o nome de cristãos, mas são falsos; pregam o nome de cristo, mas o falso cristo. Compare com a Escritura. Perceba suas conclusões se são compatíveis com os ensinos bíblicos.

 

E FICA AQUI O MEU REPÚDIO E DESAPONTAMENTO À ULTIMATO PELA PUBLICAÇÃO DE TAL ENTREVISTA. UM VERDADEIRO DESERVIÇO AO EVANGELHO.

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