sábado, 14 de outubro de 2023

ONDE ELA ESTÁ?

  

Procurei em todo lugar. Procurei na relação familiar

Procurei nela, neles, no trabalho, procurei no lar.

Instado, procurei na sede, na fome, na angústia, na fobia.

Cego, procurei na ansiedade, na tristeza e na alegria.

 

Onde ela está?

 

Trôpego, de novo, continuava sem saber onde encontrar

Vacilante suspirava, torto, manco, sem mais onde vasculhar

Entediado, cansado, relutante sigo sondando o olhar

Na mulher, no filho, na filha, no gesto, no gosto a saborear

 

Onde ela está?

 

Na saúde, na doença, na riqueza, ou na pobreza

No vício, no amor, no ódio, no odor

Por ela procuro penso que por obstinação ou destreza

Calado, gritante, até na amálgama em PATHOS o portentor

 

Onde ela está?

 

Não está na Sophia, nem nos seus amigos

Não está no monte, nem mesmo na boa sorte

No lago, ou na fonte, desapareceu seus ritos

Em seu lugar sobreveio a sombra da morte

 

Onde ela está?

 

Semiótica já responde para o próprio coitado

A franqueza se foi e quem se importa com sinceridade?

O que vale não são fatos ou origem de significado

Vale é a perversão da mente que pretende esconder a verdade.


Onde ela está? 


Verdade, para onde se foi? Qual seu esconderijo?

Na narrativa da  mente doentia tudo é relativo

 Esconder-se do Absoluto, é a razão do coração altivo

Diz o insensato: Tenho absoluta certeza disso. 




rev. Júlio César Pinto

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Entre o céu e o inferno.

                     Nascemos numa perspectiva dicotômica da vida. Não existem meios termos, não existem isenções, não existe imparcialidade. Tudo está, em todo tempo, sendo encaminhado para duas realidades opostas: o céu e o inferno.

                   Nossas decisões e indecisões, nossos passos, pensamentos, palavras, angústias, alegrias, tristezas, ódios, amores, omissões, tudo, desde o nosso nascimento até o momento de nossa morte, caminha para o céu, ou para o inferno.

               No centro de tudo e para onde tudo concorre está O Criador. Fora dessa dicotomia, acima dela, está Sua perfeita moral e, a partir dela, exige que aqueles feitos conforme à sua imagem e semelhança, também se ocupassem, se preenchessem, se moldassem à ela. Mas, foram tomados de assalto pela concupiscência do próprio coração.

               A partir desse momento, a criação é incapaz de fazer e ser à imagem de seu Criador como havia sido criada; ainda assim, ela continua sendo responsabilizada a ser e fazer. Sabendo de nossa incapacidade, O Criador providencia, fora do tempo, antes mesmo dele existir, o meio eficaz de sermos vistos perfeitamente morais, perfeitamente santos. E, para tanto, nos dá o necessário, entre o céu e o inferno, para que sejamos vistos tais como Ele é, não todos, mas apenas aqueles escolhidos por sua soberania e majestade.

               O Eterno, que subsiste em Três, proporcionou o único meio necessário para que alcancemos a perfeição. Enviou a Segunda Pessoa, em carne, em semelhança de homem: Perfeitamente moral, Perfeitamente Santo, Perfeitamente homem, Perfeitamente Deus para ser a redenção dos escolhidos. E esses, entre o céu e o inferno, escolhem por vontade determinada na eternidade, que aceitam sua redenção, sua mediação se tornando perfeitamente morais e santos por meio Dele, por causa Dele e para Ele.

               Tal escolha determina o fim, o local da eternidade: céu ou inferno? Mas afinal, o que há antes disso, antes do céu e o inferno? A terra? Não, não falo do local, mas me refiro ao tempo. Entre o céu e o inferno temos única e exclusivamente o tempo como nosso aliado, ou nosso inimigo. Como aliado se ouvirmos a voz do Criador e aceitarmos seu Único Meio; e o tempo servirá como inimigo se não atentarmos para nossa origem, para nossos dias, e para qual será nosso fim.  

Rev. Julio César Pinto

terça-feira, 5 de setembro de 2023

CRENTE X CRENTE


                Depois de dezessete anos no ministério, convivendo com milhares de pessoas, podemos resumir as mais variadas personalidades a dois tipos apenas; e é acerca desses dois tipos que vou tecer um breve comentário.

                Quando chegamos em uma igreja e começamos a desenvolver relacionamentos, ao mesmo tempo começamos a enxergar quem é quem dentro desse contexto. As pessoas interagem de duas formas distintas.

                Essa interação é vista no comportamento posterior ao ensino recebido. Uma das reações que podemos ver é o interesse no ensino recebido. Elas questionam com a finalidade de saber um pouco mais, querem aprofundar no assunto. De mesma sorte se lembram de alguns casos e procuram tirar a dúvida quanto a relação do que vivenciaram com aquilo que foi ensinado.

                Ainda esses, quando se veem confrontados com o ensino, analisam a própria maneira de ser, de falar, de agir, de pensar, passando a repudiar a si mesmo mediante o incômodo do Espírito causado pela Palavra de Deus impulsinando o indivíduo à santificação.

                A última observação que farei desse tipo de crente é o seu sentimento com respeito ao pastor. Esses, não enxergam o pastor como ameaça, nem mesmo têm pensamento do tipo: “Não tenho medo dele...”; “Não devo nada a ele...”, ou ainda: “Ele não tem nada a ver com a minha vida”. E quando não pensam dessa forma, atendem à ordenação divina.

Dessa maneira, tais crentes que não pensam dessa maneira, respeitam o pastorado, respeitam a figura do pastor, pois entendem corretamente o que é a figura do pastor: O pastor é apenas um porta-voz da Palavra de Deus. E, como tal, o princípio do Quinto Mandamento se aplica na figura pastoral, o que vale igualmente para os oficiais da igreja diáconos e presbíteros.

É sobre esse tipo de crente que a Palavra de Deus afirma: *2 Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas vieram a existir, diz o SENHOR, mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra. (Isaías 66:2)*. Acaso não é por meio do ensino pastoral que a Palavra aflige o pecador, abate o espírito altivo e faz tremer a alma de pavor do inferno diante da Palavra exposta?

O outro tipo de crente que podemos ver, deles não há muito o que dizer. De fato, não há o que temer da figura pastoral, mas a maneira como ele enxerga isso e continua vivendo sua vida, sem buscar intensamente mudanças significativas, desprezando o ensino, isso só demonstra uma total falta de temor dos princípios bíblicos trazidos por ele. Esse tipo, ao ler esse texto, seu primeiro pensamento será de desprezo. 

Não há muito o que se dizer acerca desse tipo, exceto que se comportam como joio e continuando assim o inferno será seu recanto. Lá será o lugar onde o choro será compulsivo com incessante arrependimento porém, tarde demais.  


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Palestra proferida no Retiro da IPA de 21/02/2023

 O livro que nos foi dado como base para estas palestras não encerra essa questão da masculinidade bíblica aqui na carta aos Efésios. Mas, devido à brevidade do tempo, escolhi não me estender além desse texto Bíblico, uma vez que meu propósito aqui será, tão somente, expor o que o próprio texto que o autor usou como base para mostrar qual é a base da masculinidade Bíblica no casamento. Além disso, eu também vou me restringir na exposição do texto no que concerne ao papel da mulher, pois esse será o assunto do pr. Luciano.

Efésios 5:23-33

23 porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. 24 Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido. 25 Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, 26 para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, 27 para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito. 28 Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. 29 Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja; 30 porque somos membros do seu corpo. 31 Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. 32 Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja. 33 Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite ao marido.

 Podemos ver no início desta seção da carta aos Efésios, onde até o momento que a antecede, que Paulo vinha falando de como Deus, em sua Soberania, Majestade e Eternidade já havia designado como é que seria a sua igreja. Uma igreja composta de pessoas de todo o mundo, seu povo, o Israel espiritual que iniciou no passado com a nação de Israel, os descendentes de sangue de Jacó; mas que, no momento exato da história, com a vinda de Cristo e o posterior derramamento do Espírito Santo, possibilitou oficialmente a entrada de gentios nessa nação.

E nessa nação, nesse Israel espiritual chamado de Igreja, não existem privilégios entre pessoas de nações diferentes, não existem privilégios de quadros sociais diferentes, não existem privilégios de sexos diferentes, o que existe nessa igreja são papéis diferentes. Não há distinção, pois todos pecaram e todos estão carentes da glória de Deus e quaisquer pessoas que tenham sido eleitas, de qualquer nação, serão salvas por um único e mesmo modo: A salvação pela graça por meio da fé em Cristo Jesus.

 Após essa caminhada percorrida na carta pelo apóstolo, ele deu início no capítulo 5 falando acerca do modo de viver da igreja e começou então, a tratar grupos que compunham a igreja daquele tempo, e que também são os mesmos grupos que hoje existem na igreja.

 Assim, Paulo iniciou falando acerca do menor grupo existente, o núcleo básico da igreja que também é o núcleo básico da sociedade: o casal, marido e mulher, macho e fêmea. E, podemos ver, que ele começou falando especificamente acerca do modo como a mulher deve se comportar no relacionamento conjugal, falando ele acerca da total submissão da esposa ao seu marido, e fez uso do casamento entre um homem e uma mulher como figura para falar da realidade de Cristo, como sendo o noivo, e sua Igreja como sendo a noiva.

Desta maneira começamos a perceber o quanto a instituição do casamento é algo considerado santíssimo a Deus, justamente pela comparação que o apóstolo faz da relação de Cristo e igreja para com a relação entre marido e mulher.

Então, chegamos na parte onde, agora, Paulo se volta para o segundo participante do menor grupo da igreja, o marido.

23 porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. 24 Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido.

Aqui, no versículo 23 Paulo está reiterando a primazia do marido sobre a mulher, mas apontando agora para as virtudes aguardadas do marido em relação àquela que lhe é submissa, a esposa.

A perspectiva de Deus em relação ao matrimônio diz respeito à natureza tanto do homem como também da mulher. Tanto um, quanto outro, são posicionalmente e pessoalmente iguais. Ambos foram criados à imagem e semelhança de Deus, ambos possuem as mesmas necessidades espirituais, ambos com a mesma responsabilidade e capacidade de conhecerem e glorificarem a Deus.

Em perspectiva divina, homem e mulher são iguais em essência e posição, contudo possuem papéis distintos atribuídos a cada um na própria criação.

Entretanto, o movimento feminista tem feito uso de um texto bíblico para afirmarem a igualdade em todas as coisas entre homem e mulher, inclusive no tocante aos papéis a serem desempenhados na igreja.

Na interpretação que fazem desse assunto na Escritura, o movimento feminista escolheu um texto chave para defesa de sua ideologia de gênero, e afirma que todos os outros textos que tratam do relacionamento entre marido e mulher devem ser interpretados à luz desse texto. Eu me refiro ao texto de Gálatas 3:28

28 Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.

O problema de se fazer uso desse texto como crux interpretum, é que, via de regra, o crux interpretum é um texto usado fora de seu contexto para forçar uma doutrina supostamente bíblica.

E quando olhamos para o contexto desse versículo de gálatas, veremos o seguinte: Gálatas 3:23-28

23 Mas, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se. 24 De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé. 25 Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio. 26 Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; 27 porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. 28 Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.

Percebam que o contexto desse versículo usado como crux interpretum pelo movimento feminista não está direcionado à uma igualdade de papéis dentro da igreja, ou igualdade de papéis no lar, o texto está falando de justificação, de salvação em Cristo. Marido e mulher tão somente são diferentes na autoridade.

Voltando então ao texto de Paulo aos Efésios, a comparação do homem com Cristo mostra que, além da primazia sobre a mulher, assim como Cristo tem sobre a igreja é feita aqui para demonstrar que a maior responsabilidade no casamento está sobre os ombros do marido. Aqui ele é posto como o salvador de sua esposa.

E no que diz respeito à submissão da mulher e da autoridade do marido, Deus ordena que sua esposa seja submissa ao seu marido. Certamente poderão acontecer momentos em que a sugestão da esposa deverá ser acatada pelo marido, se esse assim entender que o melhor a ser feito é seguir a sugestão dada por ela.

O que vemos aqui em Efésios é de que o Marido, em seu papel biblicamente másculo, reside em liderar o seu lar e tomar as decisões.

A direção espiritual do casal reside sobre o marido; é ele quem deve orientar sua esposa em todos os aspectos da vida. E esta orientação deve seguir uma direção: é para salvar o corpo; isto é, o marido deve buscar de forma solícita proporcionar o melhor bem possível para sua esposa.

Nós vemos em Gênesis a omissão de Adão, lá no jardim do Éden, ao presenciar sua mulher ser tentada por satanás e simplesmente não fazer nada, não a protegendo, não assumindo sua posição ordenada por Deus de guardar esse Jardim que era sua casa. E o resultado dessa omissão foi a literal desgraça para toda humanidade e, resultando também na maldição para toda a criação de Deus.

 A comparação entre Cristo e o marido como sendo Cristo o Salvador do corpo, isso não torna o marido o salvador dos pecados da esposa, pois um pecador não pode salvar a outro pecador. Mas tal comparação exige que o marido tenha virtudes no relacionamento conjugal, assim como as virtudes de Cristo em relação à igreja.

 A esposa, submetendo-se ao marido, obviamente esse sendo um crente em Cristo Jesus, terá condições de conduzir o seu casamento a bom termo. E aqui nos aponta à manter o casamento firme, seguindo adiante, rumo à salvação eterna.

 Justamente nesse texto surgiu uma heresia, da parte dos mórmons – que são da IGREJA DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS. Naquela seita, havia uma doutrina herética, onde diziam que a mulher somente seria salva por meio de seu marido, com base nesse texto. E que, por isso, como sempre, em qualquer lugar, há mais mulheres do que homens, eles, então, pregavam que a poligamia seria algo aceitável diante de Deus para que as mulheres pudessem ser salvas. E com esse discurso, as mulheres membros daquela seita, aceitavam que o marido tivesse quantas esposas eles pudessem sustentar.

 A Igreja católica também possui sua heresia no tocante ao casamento. Em sua interpretação acerca da salvação dos homens, a igreja católica afirma que uma das formas de ser salvo é ter praticado todos os sacramentos, que para eles não se trata apenas de batismo e ceia, mas, para eles, ao todo são sete sacramentos dos quais o casamento é um. Assim, nessa heresia, o casamento entre um homem e uma mulher os conduziria à salvação.

 Ao invés disso, o que a Escritura nos mostra e é o que já mostramos anteriormente: que a salvação é somente pela graça, por meio da fé em Cristo Jesus.

25 Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela,

 Paulo agora, deixa de lado o papel da esposa em relação ao marido e se volta para demonstrar o outro lado da moeda do casamento. O papel do marido em relação à esposa.

 E a primeira ordem com relação ao marido é que ele ame sua esposa da mesma maneira que Cristo amou a igreja. Percebam que não existe nenhuma condição imposta à mulher para que o marido tenha que amar a sua esposa. O amor é aqui demonstrado como algo tão sublime quanto o amor de Cristo pela igreja.

 Outro dia mesmo falei com um irmão acerca do que é a igreja. Eu disse a ele: a igreja é lugar de pecadores arrependidos, e é exatamente isso que demonstra o tamanho do amor de Cristo por sua igreja. Mesmo a igreja sendo composta de homens e mulheres pecadoras, ainda assim, Cristo amou tanto a sua igreja que Ele deixou a sua glória, se tornou em semelhança de sua própria criatura, passou fome, frio, calor, tristeza, dor e por fim uma morte violenta na cruz; um amor sacrificial, mesmo nós ainda sendo pecadores. Isso é a graça de Cristo sobre sua igreja.

 E é justamente com essa comparação que Paulo faz do amor de Cristo para com a igreja, que assim também deve ser o amor do marido por sua esposa. É buscando todos os dias, continuar tratando, protegendo, sustentando mesmo que ela seja uma pessoa cheia de defeitos e que você conhece cada um deles.

26 para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, a igreja santificada por Cristo é a igreja chamada, separada do mundo, para Ele mesmo; para que a igreja pudesse, dia após dia, depois de ter seus pecados perdoados, após ter ouvido a mensagem do evangelho e se arrependido, tomando a direção contrária a que seguia no mundo; crescendo no conhecimento e na graça do Senhor Jesus Cristo por meio da Escritura Sagrada.

 E a lavagem de água é uma clara referência ao batismo. É o que se segue como sacramento apontado por Cristo e continuado pelos apóstolos como vemos em Atos 2.37-39. Mas, é tão certo que o casamento não salva, assim também é tão certo que o batismo por si mesmo não salva. O símbolo externo da salvação não garante que o indivíduo, de fato, seja salvo.

 Sendo o batismo a forma de expressar exteriormente a aliança com Deus, tendo sido colocado no lugar da circuncisão, o mesmo que era possível acontecer a alguns homens circuncidados, também é possível acontecer a alguns cristãos batizados. E do que estou falando? Falo de poderem carregar em si mesmos o símbolo externo da salvação, sem que, de fato tenham sido salvos. É assim na igreja o joio no meio do trigo, assim como acontecia a alguns no meio de Israel.

 Deuteronômio 10:15-16 Tão-somente o SENHOR se afeiçoou a teus pais para os amar; a vós outros, descendentes deles, escolheu de todos os povos, como hoje se vê. 16 Circuncidai, pois, o vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz.

Deus, por meio de Moisés, anunciou à nação israelita que a circuncisão que de fato importava, não era a circuncisão da carne do prepúcio, mas era a circuncisão do coração, ou seja, a verdadeira conversão. Então, da mesma forma que a circuncisão não assegurava verdadeira conversão, do mesmo modo o batismo não lava a alma de seus pecados, é necessária da mesma forma a conversão do coração.

  E tal conversão não é uma ação do próprio sinal da aliança, que hoje é o batismo. Não existe no batismo qualquer poder inerente a ele mesmo. Pois, a conversão é obra exclusiva do Espírito Santo, como havia dito Cristo que convenceria pessoas de todo o mundo acerca do pecado, da justiça e do juízo.

E, o próprio Espírito é que faz uso do sinal externo do batismo assegurando tão somente ao verdadeiro cristão obras resultantes de Suas ações em comunicar-lhes os benefícios da obra de Cristo.

 26...por meio da palavra

Este final do versículo não aponta para algo que seria dispensável, pelo contrário. A palavra de Deus não poderia ficar de fora desse versículo, uma vez que é justamente ela que nos aponta quais são os sacramentos e também é ela que irá nos direcionar para longe de superstições acerca da santificação.

 É justamente aí a diferença entre aqueles que possuem de fato a Escritura como regra de fé e prática daqueles que colocam outras coisas ao lado da Palavra, ou ainda pior: acima da Palavra como, por exemplo, as tradições religiosas que não têm qualquer proveito para santificação.

E, muitas delas, não são apenas inaproveitáveis, mas também são tradições pagãs que demonstram uma religiosidade vil e distante do propósito de Deus para salvação do crente. Como afirmou Calvino: A única diferença entre os santos e as invenções dos ímpios está na Palavra.

27 para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.

A palavra em si mesma, também não tem qualquer proveito se não for aplicada por Cristo, através do Espírito Santo na vida dos crentes. A condução da santificação pelo Espírito na vida do crente, mostrando a ele onde precisa caminhar, e onde não pode caminhar, em sua jornada nessa terra, até que ele alcance a coroa da vitória. Cristo santifica sua igreja, por meio do Espírito para que ela seja apresentada e Ele mesmo. Ele santifica a igreja para Ele.

O que vemos no catolicismo e até mesmo em algumas igreja ditas evangélicas é que o sacramento se avulta acima da Palavra como se nele residisse algum tipo de encantamento, ou poder peculiar. A força do sacramento, não está no sacramento, mas está na Palavra que testifica a veracidade do sacramento, e isso tão somente na vida dos eleitos.

Cristo nos lava, e nos aponta que sejamos marcados externamente com o batismo, para que tenhamos vida santa, e não para voltarmos atrás, como antes, assim como a porca lavada volta a revolver-se no lamaçal.

A igreja vem sendo lavada, purificada, assim como a esposa se ornamenta para seu esposo. Mas aqui, o próprio Cristo, purifica para si mesmo sua igreja.

 28 Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. 29 Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida,

• Falar do amor próprio, do cuidado de si mesmo, – da mesma forma amar a esposa

• Deus criou o casamento para que os dois se tornassem uma só carne... quem ama a esposa a si mesmo se ama..

• A falta de amor para com a esposa demonstra a falta de amor próprio

• Criou o casamento, para que ambos se tornassem santos, e ali na sociedade ser o menor grupo da igreja e o menor grupo da própria sociedade.

• Veja que há no homem um princípio a ser cultivado perante a sociedade, que é justamente o amor ao próximo do qual Jesus afirmou: Isaías 58:6-7 Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? 7 Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante?

• Igualmente, e em maior profundidade, o marido deve amar sua esposa, como a seu próximo, como a ele mesmo.

• Quando Jesus aponta para os dois grandes mandamentos ele diz: Mateus 22:37-39 ... Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento". 38 Este é o grande e primeiro mandamento. 39 O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo

• Percebam que numa sociedade, o próximo mais próximo de nós mesmos são as esposas. Está aqui o mesmo princípio de amor ao próximo como a si mesmo no casamento, quem ama a esposa, ama a si mesmo.

29...como também Cristo o faz com a igreja;

de forma clara e sublime, mais uma vez o marido deve seguir a exemplo de Cristo o seu amor sacrificial por ela, cuidando, dando-lhe o necessário, adornando, velando por ela.

30 porque somos membros do seu corpo. 31 Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne.

Não há nenhum exagero em dizer que somos carne e ossos de Cristo. A comparação parte de onde a mulher fora tomada de Adão: Gênesis 2:23 E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada.

Da mesma forma que a mulher foi tomada de Adão para se tornar parte de seu corpo, assim também nos tornamos membros de Cristo, nascemos dele. O novo nascimento provém da graça de Cristo e por isso nos tornamos parte de seu corpo.

E ademais, o vínculo matrimonial não faz com que o crente se torne dispensado de outras leis divinas como, por exemplo, o honrar pai e mãe, nesse caso, é vital para perpetuidade da própria santificação. Deixar pai e mãe para constituir família, não exime ao homem de honrar a ambos, pelo contrário, é com sua ação que ele se torna exemplo para os próprios filhos. E seu exemplo tão pouco o libera da obrigação de encaminhar os filhos no mesmo ensino, no mesmo ensejo de santificação

32 Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja.

Paulo exclama a grandiosidade desse mistério de como se dá essa união mística entre Cristo e a igreja. Diante de nós, talvez, nos seja proporcionado na eternidade, entendermos um pouco mais do que agora sabemos acerca dessa união com Cristo que infunde na igreja sua própria vida e poder, mas como se dá essa questão, é o que ficará para sabermos na glória, se assim Deus quiser.

33 Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite ao marido.

uma submissão voluntária da parte das esposas, sempre virá uma devida reverência do marido.

• Marido omisso x tomada de decisões.

• Papel do marido como esposo, lidera sua esposa sendo sustentador, cuidador, provisor

Nós somos os responsáveis pela condução de nosso lar, nossas esposas e nossos filhos.


terça-feira, 24 de janeiro de 2023

O TEMPO E O VENTO

O tempo e o vento são contos do Veríssimo

Duas palavras com significado sempre unido

Pois de fato a vida voa

Como vento que no canto entoa


A Bíblia sempre associa essas duas palavras, ela afirmava: 

“Lembra-se de que eles são matéria, 

vento que passa e já não retornaria.” 

Assim o salmista já declarava


Ou como o profeta:

“Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; 

todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como um vento, nos dissaparia.”


Esta é a realidade que precisamos jamais esquecer  um só momento,

pois essa pode ter seu fim num piscar de olhos, não precisará de fomento. 

Passamos três anos de nossas vidas: alguns procurando conhecimento, 

enquanto outros, literalmente, gastando seu tempo. 


O tempo é diferente para cada um

Na roça o dia para mais de um

Na cidade podemos ter vinte e oito horas 

Parecem mais um breve chá de senhoras



O P.K. por muitos não foi valorizado

Muitos alunos jamais aqui calcaram

Em outras paragens, aqui não pisaram

Sem ter aproveitado seu bocado


Por pouco esse ano pudemos aproveitar

E aqui seis meses outros tempos deslumbrar

O futuro chega rápido e logo o presente se torna passado

E jamais podemos esquecer o tempo aqui desfrutado


O tempo é ouro que jamais compramos

O tempo é vida que jamais recobramos

O tempo é investimento que não celebramos

O tempo é dádiva divina e a Ele glorificamos