sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

SABATISMO - DOUTRINA OU HERESIA?

ESTUDO BÍBLICO - 
O SHABBATH CRISTÃO
·                   TEXTO (COLOSSENSES 2.16-17)
16. Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, 17. porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.
·                   INTRODUÇÃO
           Meus caros leitores a questão que gira em torno do sábado, definitivamente, não é tão pacífica quanto imaginamos que deveria ser. Infelizmente, tem havido muita discussão e muita confusão a este respeito no seio da igreja evangélica. Existe um grupo de pessoas chamado de Adventistas do Sétimo Dia, por exemplo, que fazem um verdadeiro “cavalo de batalha” por causa do sábado. Anos atrás chegou às minhas mãos uma publicação adventista, que afirmava de maneira ousada e veemente, que o número da besta era o domingo, e que todos aqueles que guardavam o domingo estavam adorando a besta de Apocalipse.
           Com frequência muitos irmãos são abordados por sabatistas e questionados acerca do porquê de observarem o domingo e não o sábado – o sétimo dia da semana. Infelizmente, muitos dos nossos irmãos não estão preparados para darem aos questionadores a razão da esperança que neles há (1 Pedro 3.15). Um dos argumentos mais utilizados por eles, é que não existe nenhum mandamento específico de Jesus e dos apóstolos no sentido de que, agora, a igreja deveria observar o domingo, e não o sábado. Uma publicação intitulada Enganado (Duped) afirma o seguinte: “Nenhuma referência bíblica ao primeiro dia da semana fala sobre a mudança do Sábado para o Domingo”.[1] Eles afirmam que o imperador romano foi quem inventou a guarda do domingo, e que a Igreja Católica Apostólica Romana deu continuidade a esta prática.[2] Este argumento se torna um verdadeiro problema para as pessoas que não são treinadas em teologia. De fato, queridos irmãos, a mudança do sétimo para o primeiro dia da semana não se baseia num mandamento divino direto. Até porque não é necessário nenhum mandamento divino direto.  Em teologia, para a formulação e estabelecimento de doutrinas. Uma doutrina pode ser formulada a partir da dedução da teologia bíblica, da analogia e do exemplo histórico. Este ponto, inclusive, é bem afirmado pela Confissão de Fé de Westminster: “Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado pela Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela”.[3] Meus irmãos, observem que existem várias doutrinas cristãs cruciais que não são baseadas em um mandamento direto, mas em um estudo cuidadoso de toda a Bíblia e no uso correto da dedução, como por exemplo, a Trindade, a duas naturezas de Cristo, o fechamento do cânon, o batismo infantil, e etc. Então, uma doutrina que é lógica e claramente deduzida do ensinamento das Sagradas Escrituras não é menos verdadeira ou importante do que uma declaração direta da Escritura.
           Outro argumento utilizado pelos adventistas é que em todo o livro de Atos dos Apóstolos nós encontramos o apóstolo Paulo entrando nas sinagogas no sétimo dia da semana (Atos 13.14; 14.1; 17.1-2; 18.4; 19.8). Eles afirmam que o próprio apóstolo Paulo deu continuidade à observância do sabbath judeu, isto é, o sétimo dia da semana. Refutar este argumento é a coisa mais fácil que existe, meus irmãos. Basta que analisemos cuidadosamente as passagens citadas. Quando fizermos isso ficará bem claro que, o único propósito de Paulo ao entrar nas sinagogas no dia de sábado era pregar o evangelho aos judeus incrédulos. “A ideia de que Paulo ia para as sinagogas judaicas aos sábados para adorar por crer num sabbath do sétimo dia é absurda. Por que Paulo adoraria com não-cristãos, com incrédulos?[4]
             Nosso primeiro passo será a consideração das alegações sabatistas, de que a observância do sétimo dia continua. Veremos se isto se coaduna com o todo do ensino bíblico. Veremos como o sétimo dia da semana deixou de ser obrigatório. Em seguida, é preciso que nos questionemos também acerca de como o domingo se tornou do dia de guarda para os cristãos. Uma coisa é dizer o porquê do sábado não ser o dia de guarda. Outra coisa completamente diferente é dizermos o porquê de o domingo ser esse dia.

·                   EXPOSIÇÃO DO ASSUNTO
I – O TERMO “SÁBADO”
            A primeira grande confusão que os sabatistas fazem, meus irmãos, é quanto ao termo “sábado”. Eles afirmam que este termo é nada mais nada menos do que o nome exato de um dia da semana. A dinâmica do raciocínio deles é mais ou menos a seguinte: A Bíblia, de Gênesis a Apocalipse fala sobre o sábado. No Antigo Testamento o dia que deveria ser guardado pelo povo de Deus era o sábado. No Novo Testamento vemos Jesus e os seus discípulos entrando nas sinagogas no dia de sábado. Hoje, nós temos em nosso calendário um dia da semana chamado de “sábado”, então, isso quer dizer que, o dia que deve ser guardado pela cristandade em nossos dias é esse “sábado”?
            O grande problema com esse raciocínio, é que ele confunde um conceito com o nome de um dia. O termo hebraico “shabbath” (tB'v;), significa literalmente, “cessar, desistir, descansar”.[5] É bem verdade que este conceito está intimamente relacionado com o sétimo dia em si, visto que o numeral “sétimo” em hebraico é y[iybiv., possui a mesma raiz de “shabbath”. Não obstante, a prova de que o termo não está preso a um dia pode ser obtida a partir do entendimento de que, em Israel, havia o que era chamado de Ano Sabático: “Disse o SENHOR a Moisés: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando entrares na terra, que vos dou, então, a terra guardará um sábado ao SENHOR” (Levítico 25.1-2). Interessantemente, o “sábado” mencionado elo Senhor não é apenas um dia, mas sim o ano, como o restante da passagem nos mostra: “Seis anos semearás o teu campo, e seis anos podarás a tua vinha, e colherás os seus frutos. Porém, no sétimo ano, haverá sábado de descanso solene para a terra, um sábado ao SENHOR; não semearás o teu campo, nem podarás a tua vinha. O que nascer de si mesmo na tua seara não segarás e as uvas da tua vinha não podada não colherás; ano de descanso solene será para a terra” (vv. 3-5).
              Percebam, irmãos, o “sábado” em questão não é apenas um dia da semana. O “sábado” de Levítico 25.1-5 é todo o período de um ano, 365 dias. Isso porque em Israel não existia apenas a contagem de semana de dias. Existia também o que era chamado de “semana de anos”, ou seja, um período de sete anos. Nesse período, o sétimo ano era chamado de “sábado” ou “ano sabático”. Durante todo o ano a terra deveria descansar. Não se poderia plantar, colher ou fazer qualquer outra coisa na terra. Ela deveria ser usada para o sustento dos estrangeiros, demais pobres e aos animais de Israel.
             No verso 8, nós encontramos o período de tempo chamado de “semana de anos”: “Contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos, de maneira que os dias das sete semanas de anos terão quarenta e nove anos”. A grande pergunta que devemos fazer aos sabatistas, aos Adventistas do Sétimo Dia, é por qual razão eles não passam o período de um ano completo sem fazer absolutamente nada? Afinal de contas, o sábado também é aplicado pelo Antigo Testamento ao período de um ano. Já que eles fazem tanta questão de se agarrarem à íntegra da letra dos textos veterotestamentários, eles deveriam ter sido coerentes e terem passado os anos de 1995, 2002 e 2009 sem trabalhar, sem fazer comida, sem pegar em dinheiro. Deveriam fazer a mesma coisa em 2016. A grade questão é: Por que não fazem? Porque o seu método interpretativo das Sagradas Escrituras é defeituoso.
Então, irmãos, a primeira coisa que vocês precisam compreender a fim de fazerem calar os sabatistas, é que shabbath não é um nome de dia. É um conceito, que no Antigo Testamento foi identificado com o sétimo dia, mas não apenas com ele, também com o período de anos.


II – A CESSAÇÃO DO SÉTIMO DIA DA SEMANA
2.1. O argumento paulino
                Precisamos ler novamente a passagem de Colossenses 2.16,17, para entendermos o ensinamento de Paulo a respeito: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo”. O que nós precisamos entender aqui, é que o apóstolo Paulo não está afirmando que a necessidade de se guardar um dia de descanso não mais existe a partir do Novo Testamento. Na verdade, Paulo está nos dizendo que “não podemos observar o sábado judeu (ou judaico) do sétimo dia. Em outras palavras, Paulo anula a observância do sétimo dia, mas não o princípio envolvido na lei do sábado”.[6]
                Para compreendermos o porquê disso, precisamos observar o pano de fundo da Epístola aos Colossenses. Paulo está contra-atacando uma heresia híbrida que havia misturado a doutrina judaizante da salvação pelas obras, que incluía a observância da lei cerimonial com a filosofia ascética do gnosticismo, com a adoração aos anjos e abstinência de certos alimentos e prazeres materiais e físicos.
                Então, em Colossenses, o objetivo de Paulo é afirmar a soberania e a supremacia de Jesus Cristo, o Salvador e Legislador. No início do versículo 16, ele repudia toda e qualquer doutrina que proíba o consumo de certos alimentos, considerados por muitos como imundos (cf. vv. 20-23). A Bíblia ensina que o cristão pode comer e beber com moderação qualquer coisa que Deus tenha dado (Salmo 104.15; Marcos 7.19; 1 Timóteo 4.3-6; Atos 10.14-16).
No restante do versículo 16, Paulo aborda o assunto dos dias: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de [...] dia de festa, ou lua nova, ou sábados”. Irmãos, o que Paulo está fazendo aqui? Ele está anulando o princípio da guarda do descanso ou o ensinamento judaizante do sétimo dia? Paulo está dizendo que o cristão não tem a mínima obrigação de observar o ritualismo judaico. Os três termos usados por Paulo são rituais judaicos. Levítico 23 faz um comentário detalhado desses termos. Os versos 1-3 tratam do sábado semanal: Disse o SENHOR a Moisés: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: As festas fixas do SENHOR, que proclamareis, serão santas convocações; são estas as minhas festas. Seis dias trabalhareis, mas o sétimo será o sábado do descanso solene, santa convocação; nenhuma obra fareis; é sábado do SENHOR em todas as vossas moradas”. Em Colossenses 2.16, Paulo chama isso de “sábados”. Do verso 4 ao verso 44, Moisés fala sobre as grandes festas de Israel: Páscoa, Pães Asmos, Pentecostes e Tabernáculos. Paulo se refere a estas ocasiões como “festas”. Quando fala da “lua nova” Paulo está se referindo a um holocausto que acontecia por ocasião da lua nova de cada mês: “As suas libações serão a metade de um him de vinho para um novilho, e a terça parte de um him para um carneiro, e a quarta parte de um him para um cordeiro; este é o holocausto da lua nova de cada mês, por todos os meses do ano” (Números 28.14).
                De acordo com Paulo, ninguém pode nos julgar ou nos condenar por não observarmos estes ritualismos judaicos. E, percebam, que Paulo associa os sábados com as demais cerimônias do Antigo Testamento.
               A razão do argumento de Paulo está no versículo 17: porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo”. Todas as cerimônias do Antigo Testamento eram sombra de Cristo. Os rituais do Antigo Testamento preanunciavam a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo. “A pessoa e a obra de Cristo estão atrás de todas as observâncias cerimoniais do Antigo Testamento: as festas, os sábados da lua nova e o sábado do sétimo dia como o original divino”.[7] Outro exemplo desta verdade era o Templo. Cristo afirmou que ele é o verdadeiro templo, a verdadeira habitação de Deus com o seu povo (João 2.19). Isso quer dizer que, até mesmo o sábado, o sétimo dia da semana, era algo que apontava para Cristo. No sábado do fim da semana, o povo aguardava a vinda do Messias, o verdadeiro doador do descanso. Tendo sido cumprido em Cristo, o sábado não é mais obrigatório para o cristão.


2.2. Os elementos cerimonial e moral do Quarto Mandamento
2.3. Evidências históricas
III – A MUDANÇA PARA O PRIMEIRO DIA DA SEMANA
II – A EXIGÊNCIA DA CONTINUAÇÃO DA GUARDA DO SÁBADO
            III – O PRIMEIRO DIA DA SEMANA


            Uma palavra de advertência se faz necessária aqui. Apesar do crente não mais ser obrigado a guardar o sétimo dia da semana, a argumentação do apóstolo Paulo não diz que ele abre mão do dever moral de se observar um dia em sete. Isso quer dizer, meus irmãos, que “há um elemento moral no quarto mandamento, pois faz provisão para a adoração de Deus”.[8] Entendamos, que no quarto mandamento há um elemento cerimonial (o sétimo dia da semana) e um elemento moral (a adoração a Deus). O elemento cerimonial diz respeito à aplicabilidade do mandamento ao Israel físico que havia sido libertado do Egito. O elemento moral diz respeito a algo que é válido para todas as pessoas em todas as épocas.
              Nós temos a convicção de que o dia de descanso é uma obrigação moral e perpétua. Tal convicção parte de Gênesis 2.1-3. Percebam, queridos irmãos, que o estabelecimento do descanso está associado com o estabelecimento de outros dois mandatos criacionais: o trabalho (Gênesis 1.24; 2.15) e o casamento (Gênesis 2.18-25). Assim como são permanentes o trabalho e o casamento, o descanso também o é.

             Sobre a alegação adventista, de que o domingo é uma invenção da Igreja Católica Romana e do imperador romano Constantino, nós podemos responder que se trata de uma absurda ignorância dos fatos históricos. A Igreja Católica Romana teve a sua instauração oficial no ano de 590 d.C., com a ascensão do papa Gregório Magno.Constantino chegou ao poder unificado do Impèrio Romano em 312 d.C. Por qual razão estas informações são interessantes? Porque existe um documento primitivo, datado de mais ou menos 150 d.C., chamado Didaquê ou Instrução dos Doze Apóstolos, que afirma o seguinte: “Reuni-vos no dia do Senhor para a fração do pão e agradecei (celebrai a eucaristia), depois de haverdes confessado vossos pecados, para que vosso sacrifício seja puro”.[9] Interessantemente, uma das principais orientações do autor do Didaquê, era para que os cristãos procurassem se diferenciar dos judeus. Por exemplo, tratando dos dois dias de jejuns semanais, o autor dá a seguinte orientação aos cristãos: “Vossos jejuns não tenham lugar com os hipócritas[10]; com efeito, eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana; vós, porém, jejuai na quarta-feira e na sexta”.[11]
                Além do Didaquê, Inácio de Antioquia, discípulo do apóstolo João, escreveu o seguinte ao povo de Magnésia (atual Manisa, Turquia): “Não sejam enganados com doutrinas estranhas, nem com fábulas antigas. Pois se ainda vivemos de acordo com a lei judaica, estamos admitindo que não recebemos a graça”. Em seguida, ele chama os seus leitores de “aqueles que haviam alcançado a posse de uma nova esperança, não mais observando o sábado”.[12] Na mesma carta,                Inácio diz o seguinte, confrontando o domingo com o sábado judaico: “O Dia do Senhor, no qual, também, nossa vida surgiu por meio dele e de sua morte, fato este negado por alguns – é o mistério pelo qual recebemos a fé”.[13] Para Inácio, observar o dia do Senhor é reconhecer que a salvação é, pela morte e ressurreição de Jesus, uma observância do shabbath.
              Outros Pais da Igreja do século II poderiam ser citados, para mostrar que a afirmação sabatista é completamente desprovida de fundamentação histórica, como por exemplo, Justino Mártir, Irineu de Lyon, Clemente de Alexandria, e Tertuliano (início do século III).
Então, queridos irmãos, creio que através da conceituação do termo hebraico tB'v;, do argumento paulino da cessação do cerimonialismo judaico e das evidências históricas aqui apresentadas, fica claro que a reivindicação adventista não se sustenta. Eles, na verdade, estão desprezando a pessoa e a obra de Jesus Cristo ao se prenderem àquelas coisas que nada mais eram do que “sombra”. A questão, irmãos, é que para os adventistas as ordens apostólicas não têm nenhum peso. O que Paulo disse, para eles não tem nenhum valor. Um escritor adventista chamado Richard Lewis afirmou o seguinte: “Seja enfatizado que, mesmo se fosse encontrado apoio apostólico para o domingo, ainda o cristão bíblico não o poderia aceitar. Nem mesmo um apóstolo poderia mudar a lei de Deus”.[14] Ele não reconhece a autoridade apostólica inspirada como autoridade do próprio Deus. Isso porque para os adventistas o que vale é o que Ellen G. White afirmou. Para eles, as profecias de Ellen White têm autoridade divina e têm precedência sobre a autoridade apostólica. No mínimo, isso é uma atitude por soberba. No máximo, é heresia.[15]

               Irmãos, não basta afirmar que ninguém tem mais a obrigação de guardar o sétimo dia da semana. Dizer apenas isso pode dar a impressão de que a obrigação moral do dia de descanso não mais existe. Outro erro que devemos evitar, é o cometido por João Calvino, que afirmou o seguinte: “A tal ponto, contudo, não me prendo ao número sete que obrigue a Igreja à sua servidão, pois não haverei de condenar as igrejas que tenham outros dias solenes para suas reuniões, desde que se guardem da superstição”.[16] O erro de Calvino consiste, em que “nenhum homem ou igreja tem a prerrogativa de estabelecer um dia para outros”.[17] Teólogos contemporâneos têm afirmado que o descanso é apenas um princípio, não existindo mais nenhum dia específico. Para eles, o crente tem o arbítrio de escolher o seu próprio dia. Michael Horton, por exemplo, afirma o seguinte: “Contudo, desejo dizer que a minha convicção é que o quarto mandamento pertence ao que chamamos de parte ‘cerimonial’ da lei em vez de ‘moral’ [...] Sugerir que o quarto mandamento, então, é parte da lei cerimonial em vez de ser parte da lei moral, é dizer que ele não mais obriga os cristãos”.[18] A mesma linha é seguida pelos colaboradores de D. A. Carson, que, em Do Shabbath para o Dia do Senhor afirmam a premissa de que “o domingo é ‘um novo dia de adoração que foi escolhido para comemorar o evento único e histórico-salvador da morte e ressurreição de Cristo”.[19]
            Então, se somos proibidos de adorar no sétimo dia e não podemos legislar um dia, a única alternativa é que Deus já legislou um novo dia. Como, então, Deus revelou à Igreja a mudança de dia? Mais uma vez, é útil examinarmos a afirmação da Confissão de Fé de Westminster: “desde o princípio do mundo, até à ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo, foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado de dia do Senhor (= domingo), e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão”.[20]
           Qual foi a base da mudança do dia? Para respondermos a esta pergunta, precisamos ler a passagem de Hebreus 4.9,10: Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas.

2ª PARTE
·                   INTRODUÇÃO
           
           Em primeiro lugar, nós vimos que o termo “sábado” ou “shabbath”, não tem como conceito fundamental o sétimo dia em si. O conceito por trás do termo “shabbath” é o do descanso, Além disso, apesar da palavra hebraica utilizada (tB'v;) ter paralelo com o numeral “sétimo” (y[iybiv.), não é o sétimo dia em si que é referendado, mas sim a regra de descansar após um ciclo de seis. Isso, logicamente, se harmoniza com o conceito do sábado cristão, o domingo, trabalhamos seis dias e, ao final desse ciclo, descansamos.
          Em segundo lugar, nós vimos que, de acordo com o apóstolo Paulo, em Colossenses 2.16,17, ninguém deve nos julgar por causa de comida e bebida, dias de festa, lua nova, ou sábados. Por que? “Porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir...”. O descanso do sétimo dia da semana era uma sombra da realidade gloriosa que seria concretizada na pessoa de Jesus Cristo. Paulo nos ensina que, “não podemos observar o sábado judeu (ou judaico) do sétimo dia. Em outras palavras, Paulo anula a observância do sétimo dia, mas não o princípio envolvido na lei do sábado”.[21]     Todas as cerimônias do Antigo Testamento eram sombra de Cristo. Os rituais do Antigo Testamento preanunciavam a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo. “A pessoa e a obra de Cristo estão atrás de todas as observâncias cerimoniais do Antigo Testamento: as festas, os sábados da lua nova e o sábado do sétimo dia como o original divino”.[22]
            Vimos também uma palavra de advertência quanto à afirmação paulina, em Colossenses. Apesar do crente não mais ser obrigado a guardar o sétimo dia da semana, a argumentação do apóstolo Paulo não diz que ele abre mão do dever moral de se observar um dia em sete. Isso quer dizer, meus irmãos, que “há um elemento moral no quarto mandamento, pois faz provisão para a adoração de Deus”.[23] Entendamos, que no quarto mandamento há um elemento cerimonial (o sétimo dia da semana) e um elemento moral (a adoração a Deus). O elemento cerimonial diz respeito à aplicabilidade do mandamento ao Israel físico que havia sido libertado do Egito. O elemento moral diz respeito a algo que é válido para todas as pessoas em todas as épocas.
              Por último, vimos que desde o seu nascedouro, a Igreja Cristã passou a observar o domingo, como sendo o dia de descanso. Tratamos da alegação absurda dos Adventistas do Sétimo Dia, no sentido de que, o domingo é uma invenção da Igreja Católica Romana e do imperador romano Constantino. Existe um documento primitivo, datado de mais ou menos 150 d.C., chamado Didaquê ou Instrução dos Doze Apóstolos, que afirma o seguinte: “Reuni-vos no dia do Senhor para a fração do pão e agradecei (celebrai a eucaristia), depois de haverdes confessado vossos pecados, para que vosso sacrifício seja puro”.[24] Interessantemente, uma das principais orientações do autor do Didaquê, era para que os cristãos procurassem se diferenciar dos judeus. Por exemplo, tratando dos dois dias de jejuns semanais, o autor dá a seguinte orientação aos cristãos: “Vossos jejuns não tenham lugar com os hipócritas[25]; com efeito, eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana; vós, porém, jejuai na quarta-feira e na sexta”.[26]
               Além do Didaquê, Inácio de Antioquia, discípulo do apóstolo João, escreveu o seguinte ao povo de Magnésia (atual Manisa, Turquia): “Não sejam enganados com doutrinas estranhas, nem com fábulas antigas. Pois se ainda vivemos de acordo com a lei judaica, estamos admitindo que não recebemos a graça”. Em seguida, ele chama os seus leitores de “aqueles que haviam alcançado a posse de uma nova esperança, não mais observando o sábado”.[27] Na mesma carta, Inácio diz o seguinte, confrontando o domingo com o sábado judaico: “O Dia do Senhor, no qual, também, nossa vida surgiu por meio dele e de sua morte, fato este negado por alguns – é o mistério pelo qual recebemos a fé”.[28] Para Inácio, observar o dia do Senhor é reconhecer que a salvação é, pela morte e ressurreição de Jesus, uma observância do shabbath.
               Outros Pais da Igreja do século II poderiam ser citados, para mostrar que a afirmação sabatista é completamente desprovida de fundamentação histórica, como por exemplo, Justino Mártir, Irineu de Lyon, Clemente de Alexandria, e Tertuliano (início do século III).
Resta-nos lembrar, queridos, que para os adventistas, o dia descanso continua sendo o sétimo não porque eles amem as Sagradas Escrituras, mas somente porque foi isso que Ellen G. White, sua “papisa” determinou. Somente por isso eles observam a guarda do sétimo dia.
Mas, e agora? Não basta saber por que não guardamos o sétimo dia. Precisamos conhecer a razão, ou as razões pelas quais nós, juntamente com a grande maioria da cristandade, observamos o primeiro dia da semana. Existe alguma regulação bíblica nesse sentido? Nós cremos que sim. Passemos ao nosso texto.
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           EXPOSIÇÃO DO ASSUNTO
I – A CONTROVÉRSIA ATUAL
                Não basta afirmar que ninguém tem mais a obrigação de guardar o sétimo dia da semana. Dizer apenas isso pode dar a impressão de que a obrigação moral do dia de descanso não mais existe. Outro erro que devemos evitar, é o cometido por João Calvino, que afirmou o seguinte: “A tal ponto, contudo, não me prendo ao número sete que obrigue a Igreja à sua servidão, pois não haverei de condenar as igrejas que tenham outros dias solenes para suas reuniões, desde que se guardem da superstição”.[29] O erro de Calvino consiste, em que “nenhum homem ou igreja tem a prerrogativa de estabelecer um dia para outros”.[30] Teólogos contemporâneos têm afirmado que o descanso é apenas um princípio, não existindo mais nenhum dia específico. Para eles, o crente tem o arbítrio de escolher o seu próprio dia. Michael Horton, por exemplo, afirma o seguinte: “Contudo, desejo dizer que a minha convicção é que o quarto mandamento pertence ao que chamamos de parte ‘cerimonial’ da lei em vez de ‘moral’ [...] Sugerir que o quarto mandamento, então, é parte da lei cerimonial em vez de ser parte da lei moral, é dizer que ele não mais obriga os cristãos”.[31] A mesma linha é seguida pelos colaboradores de D. A. Carson, que, em Do Shabbath para o Dia do Senhor afirmam a premissa de que “o domingo é ‘um novo dia de adoração que foi escolhido para comemorar o evento único e histórico-salvador da morte e ressurreição de Cristo”.[32]
                Então, se somos proibidos de adorar no sétimo dia e não podemos legislar um dia, a única alternativa é que Deus já legislou um novo dia. Como, então, Deus revelou à Igreja a mudança de dia? Mais uma vez, é útil examinarmos a afirmação da Confissão de Fé de Westminster:
Desde o princípio do mundo, até à ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo, foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado de dia do Senhor (= domingo), e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão.[33]

               Qual foi a base da mudança do dia? Para respondermos a esta pergunta, precisamos ler a passagem de Hebreus 4.9,10: “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas”.

            Meus irmãos, esses versículos fazem parte da conclusão de uma exortação, que teve início em 3.7 e termina em 4.13. E a primeira verdade que não pode deixar de ser percebida por nós, é que o autor de Hebreus escreveu esta carta com o propósito de encorajar os cristãos judeus que se sentiam tentados a voltar para o judaísmo. Ele não queria, de forma alguma, que os seus leitores retomassem as antigas práticas, incluindo a proibição de certos alimentos e bebidas, a guarda das festas e do sétimo dia da semana. O autor deseja deixar claro que, em Cristo Jesus, Deus cumpriu todos os seus propósitos pactuais.
            Na exortação que tem início em 3.7, o autor ensina aos cristãos hebreus, que é necessária muita perseverança da parte deles. “Se voltarem ao judaísmo, estarão abandonando a realidade plena do evangelho por sombras e tipos, e não entrarão no descanso de Deus”.[34] Então, ele conclui a sua exortação com trecho que lemos em 4.9,10: “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas”.
            Mas, o quê, exatamente, é que o autor está dizendo aqui? Contra a noção daqueles que dizem que nenhum dia é necessário mais hoke, observem quando ele diz: “resta um repouso. Aqui entra a questão que, frequentemente, aponto: Nossa tradução não nos ajuda. A razão disso, queridos irmãos, está no fato de que o autor usa a palavra grega sabbatismo,j, que, literalmente, quer dizer “guarda de um descanso”[35], ou “guarda do sábado”.[36] Esta palavra, em todo o Novo Testamento, é usada apenas aqui. Não se sabe se foi o autor de Hebreus quem inventou esse termo. Isso porque outro autor a usá-la, foi o filósofo e prosador grego, Plutarco de Queronéia, que viveu entre 46 e 126 d.C. Na obra Moralia, Plutarco usa a palavra sabbatismo,j, para “descrever descanso religioso supersticioso”.[37]
               Qual a importância dessa palavra para o nosso estudo? Simplesmente, queridos irmãos, está no fato de que o autor tem em mente aqui a guarda de um dia. Muitas pessoas dizem que, com a vinda de Cristo ninguém mais está debaixo da obrigação de guardar um dia de descanso, visto que, em Jesus, já fomos introduzidos no descanso eterno. Mas, esse argumento é por demais fraco. De fato, o autor de Hebreus fala do descanso no qual fomos introduzidos pela obra de Cristo. Como se nos restasse apenas o descanso eterno. Interpretam até mesmo essa passagem de Hebreus 4.9 dessa forma. Mas está errado. Nos capítulos 3 e 4, o autor usa outra palavra mais geral para falar do descanso de Deus, o descanso eterno em que se deve entrar. Ele usa a palavra kata,pausij. Irmãos, se ele quisesse ensinar meramente que não há mais nenhuma obrigação de se guardar um dia, mas que Cristo nos introduziu no descanso eterno, no qual devemos consumar a nossa entrada mediante a fé, por que ele não usou simplesmente a palavra sabbatismo,j?
                Ele usa sabbatismo,j porque, além de se referir ao descanso espiritual, a palavra também fala de uma observância religiosa, de uma guarda de um dia, de uma observância de um sábado. Então, irmãos, percebam que, o Novo Testamento não anula a obrigação moral da guarda de um dia, mas a exige claramente. Então, irmãos, o livro de Hebreus ensina claramente que permanece um sábado cristão. A. W. Pink, após analisar o versículo 9 de Hebreus 4, afirmou o seguinte:
Aqui, então, está uma clara, positiva e inequívoca declaração do Espírito de Deus: “Portanto, resta uma guarda de sábado”. Nada poderia ser mais simples, nada mais ambíguo. O que é surpreendente é que esta afirmação ocorre na própria epístola cujo tema é a superioridade do Cristianismo sobre o Judaísmo; escrita e endereçada àqueles que são chamados de “santos irmãos, participantes da vocação celestial”. Por isso, não pode ser negado que Hebreus 4.9 se refere diretamente ao sábado cristão. Daí que, solene e enfaticamente declaramos que qualquer homem que diz que não há sábado cristão critica diretamente as Escrituras do Novo Testamento.[38]

               Então, queridos, “assim como o povo de Deus da Antiga Aliança tinha a promessa do descanso futuro juntamente com seu dia de descanso, o povo do Novo Pacto de Deus, a igreja, também tem a promessa de descanso futuro com seu dia de descanso religioso”.[39]

            Irmãos, além de estabelecer o princípio de que ainda permanece uma guarda de sábado no presente, Hebreus 4.9,10 também estabelece o dia para a observância do domingo como sábado cristão. Vejam o versículo 10: “Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas”. Observem irmãos, resta uma guarda de sábado “porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou das suas obras, como Deus das suas”.
             Irmãos, isso é extraordinário! De quem o autor aos Hebreus está falando no versículo 10? Queridos, ele está falando aqui de Jesus Cristo! De maneira bem específica, ele está falando do descanso de Jesus de sua obra redentiva por ocasião da sua ressurreição! O autor compara o repouso de Cristo de sua obra da redenção com o descanso de Deus da obra da criação. Alguns dizem que ele está falando do povo de Deus.[40] Mas tal entendimento é impossível! Literalmente, o versículo 10 deve ser traduzido assim: “Pois o que entrou no seu repouso, também ele próprio descansou de seus trabalhos, assim como Deus descansou dos seus labores”.[41] Uma das melhores traduções em inglês, a King James Version, traduz assim o texto: “Pois ele que entrou no seu descanso, ele também cessou de suas próprias obras, como Deus das suas”.[42] A referência é a “ele” que descansou de uma vez por todas.[43]
                Existem três razões muito fortes, pelas quais não podemos interpretar esse versículo como falando do crente ou do povo de Deus, de uma maneira geral, mas sim como uma referência à obra de Cristo Jesus.[44] Em primeiro lugar, é completamente inapropriado comparar as obras e o descanso do crente com as obras e o descanso de Deus. “Como não é próprio comparar a obra de um pecador com a obra de Deus, também é impróprio comparar os dois descansos”.[45] O descanso de Deus na criação não foi apenas um cessar de atividades, mas também uma feliz contemplação de sua obra. Deus olhou para sua obra e se alegrou com ela. Diferentemente do crente, que descansar significa para ele, não a contemplação de suas obras – que são más –, mas sim um rompimento abrupto com todo o pecado.
A segunda razão, queridos irmãos, é que quando o autor quer falar do povo de Deus, ele usa o plural, como por exemplo: “Temamos, portanto, que sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado [...] Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso” (v. 1,11). O uso do pronome singular “aquele” ou “ele” sugere alguém que não seja o povo de Deus. John Owen diz o seguinte: “Uma simples pessoa é aqui expressa; sendo uma sobre cuja descrição as coisas mencionadas são afirmadas”.[46]
                  Isto nos leva à terceira razão. Observem a diferença entre o verso 10 e o verso 11: “Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas. Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso”. O versículo 10 fala de um descanso já consumado, já realizado, enquanto que o versículo 11 fala sobre a responsabilidade que os crentes ainda têm de entrar “naquele descanso”. São referências distintas!
                  Então, queridos irmãos, há uma relação de comparação entre o descanso de Deus na criação e o descanso de Jesus Cristo na sua ressurreição. Essa compreensão fornece um paralelo entre a obra da criação e a obra da redenção. Quando Deus concluiu a criação, ele descansou no sétimo para declarar a sua obra concluída, para se deleitar nessa obra, e para prometer o descanso eterno a Adão no Pacto das Obras. De igual modo, Deus, o Filho, descansou de sua obra da redenção no primeiro dia da semana como sinal de que a sua obra estava concluída, tinha sido realizada objetivamente e que nada restava para ser feito. Assim como a conclusão de uma obra instituiu o sétimo dia, a conclusão de outra obra instituiu a observância do primeiro dia.
                  Com a ressurreição de Cristo a ordem das coisas muda. No Antigo Pacto, a ordem era trabalhar seis dias e descansar no sétimo. Isso se dava em função de que os santos do Antigo Testamento ainda esperavam o cumprimento da obra messiânica. É por isso que para eles, os dias de trabalho vêm primeiro, e o dia de descanso vem depois. Mas, com a ressurreição de Jesus, nós olhamos para a obra já realizada por Cristo. É por isso que celebramos, primeiramente, o descanso. Quero citar aqui, queridos irmãos, as palavras de um dos grandes teólogos reformados, Geerhardus Vos:
                  O povo de Deus do Antigo Testamento tinha de tipificar em sua vida os desenvolvimentos futuros da redenção. Consequentemente, a precedência do labor sucedido pelo descanso tinha de ter expressão em seu calendário. A igreja do Novo Testamento não tinha que desempenhar tal função típica, porque os tipos haviam sido cumpridos. Mas ela tem um grande evento histórico para comemorar: a realização da obra por Cristo e a sua entrada e de seu povo por meio dele no estado de descanso ininterrupto.[47]

                   Irmãos, isso é extraordinário! Isso nos mostra que guardar o sétimo dia é, na verdade, uma absurda falta de compreensão teológica do caráter e natureza da obra da redenção realizada por nosso Senhor Jesus Cristo.

·                   CONCLUSÃO
          Quando entendemos isso, meus irmãos, podemos compreender a razão pela qual a Igreja Primitiva se reunia no primeiro dia da semana com o propósito de partir o pão, celebrando a Ceia do Senhor. Nós estamos distante deles cerca de mais de dois mil anos. Isso quer dizer que, nós não conhecemos nem reconhecemos o profundo sentimento que a Igreja Primitiva teve da importância extraordinária da aparição e, especialmente, da ressurreição de Jesus Cristo.
Por que os encontramos reunidos no primeiro dia da semana? Porque eles compreenderam perfeitamente a grandeza do evento ocorrido no domingo. Eles compreenderam de uma forma como nenhum de nós, em pleno século XXI, é capaz de compreender.
Meus irmãos, devemos amar o domingo, o dia que aparece no Novo Testamento como “o dia do Senhor” (Apocalipse 1.10), isto é, o dia que pertence ao Senhor. Por qual razão ele pertence a Cristo? Por direito da sua ressurreição. E a Igreja, em amor a Cristo e em obediência ao que lhe foi legado pelo evento histórico da ressurreição, deve amar o dia do Senhor.
É por isso que guardamos o primeiro dia da semana! Louvado seja Deus pela obra da Redenção! Amém!




[1] Citado em Brian Schwertley. O Sabbath é Obrigatório na Era da Nova Aliança. p. 1. Extraído do site http://www.monergismo.com.
[2] Este é o argumento da fundadora do movimento, Ellen G. White, na sua obra The Great Controversy, págs. 58, 59. Citado em G. H. Waterman, In: Merrill C. Tenney (Org.), Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã, Vol. 5, (São Paulo: Cultura Cristã, 2008), 274.
[3] CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER, I.6, (São Paulo: Cultura Cristã, 2003), 21.
[4] Brian Schwertley. O Sabbath é Obrigatório na Era da Nova Aliança. p. 6.
[5] Victor P. Hamilton, In: R. Laird Harris, Gleason L. Archer, Jr., e Bruce K. Waltke, Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, (São Paulo: Vida Nova, 2001), 1520.
[6] Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, (São Paulo: Os Puritanos, 2000), 103.
[7] Ibid, 107.
[8] G. H. Waterman, In: Merrill C. Tenney (Org.), Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã, Vol. 5, 273.
[9] Alberto Beckhäuser (Coord.), Coleção Fontes da Catequese: Didaquê, XIV.1, (Rio de Janeiro: Vozes, 1970), 39.
[10] Os “hipócritas” referidos pelo didaquista são os judeus.
[11] Alberto Beckhäuser (Coord.), Coleção Fontes da Catequese: Didaquê, VIII.1, 31.
[12] Citado em G. H. Waterman, In: Merrill C. Tenney (Org.), Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã, Vol. 5, 272.
[13] Citado em R. J. Bauckham, “O Shabbath e o Domingo na Igreja Pós-Apostólica”, In: D. A. Carson (Org.), Do Shabbath para o Dia do Senhor, (São Paulo: Cultura Cristã, 2006), 270.
[14] Richard Lewis, The Protestant Dilemma, (Mountain View, 1961), 103. Citado em Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 114.
[15] O longo comentário do apologeta reformado Gordon H. Clark é interessante. Comentando o capítulo XXI, seção 7 da Confissão de Fé de Westminster, ele afirma o seguinte: “Com a ressurreição de Cristo o dia de descanso e culto foi mudado do sétimo para o primeiro dia da semana. Quem o mudou? A Igreja Romana reivindica ter autorizado a mudança; e os Adventistas do Sétimo Dia se recusam a cultuar no primeiro dia porque a Igreja Romana não tem nenhuma autoridade para mudar um mandamento de Deus. No entanto, mesmo que um edito imperial do quarto século possa ser citado como autorizando a mudança, ela não foi feita por algum imperador ou papa, mas pelos discípulos imediatos de Cristo. 1 Coríntios 16.2 diz, ‘No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for’. Um adventista do sétimo dia me disse que isto não indica nenhuma oferta como um serviço de culto no primeiro dia da semana, mas ao contrário, significa que no primeiro dia cada adorador deveria pôr de lado o que pretendia dar no próximo sétimo dia. Mas considere: se um homem recebe seu pagamento ao término de uma semana de trabalho – na noite de sexta-feira – e então cultua no sábado, parece estranho preveni-lo a separar sua oferta apenas na manhã de domingo. De Atos 20.7 nós sabemos que o serviço de culto cristão, incluindo a comunhão, tinha lugar no primeiro dia da semana. Esse dia era chamado de Dia do Senhor, como podemos inferir de Apocalipse 1.10. Assim, o Novo Testamento deixa perfeitamente claro que os cristãos não observaram o sétimo dia por trezentos anos para mudar apenas no quarto século por meio de um edito imperial ou papal”. Cf. Gordon H. Clark, What do Presbyterians Believe? The Westminster Confession Yesterday and Today, (Phillipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed Publishing, 1965), 199, 200. Minha tradução.
[16] João Calvino, As Institutas: Edição Clássica, II.8.34, (São Paulo: Cultura Cristã, 2006), 158.
[17] Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 115.
[18] Michael Horton, A Lei da Perfeita Liberdade, (São Paulo: Cultura Cristã, 2000), 106. De acordo com informações verbais, Horton posteriormente mudou o seu posicionamento, ao ter contato com a obra do Dr. Joseph Pipa.
[19] D. A. Carson (Org.), Do Shabbath para o Dia do Senhor, informação da contra-capa.
[20] CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER, XXI.7, 177.
[21] Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, (São Paulo: Os Puritanos, 2000), 103.
[22] Ibid, 107.
[23] G. H. Waterman, In: Merrill C. Tenney (Org.), Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã, Vol. 5, 273.
[24] Alberto Beckhäuser (Coord.), Coleção Fontes da Catequese: Didaquê, XIV.1, (Rio de Janeiro: Vozes, 1970), 39.
[25] Os “hipócritas” referidos pelo didaquista são os judeus.
[26] Alberto Beckhäuser (Coord.), Coleção Fontes da Catequese: Didaquê, VIII.1, 31.
[27] Citado em G. H. Waterman, In: Merrill C. Tenney (Org.), Enciclopédia da Bíblia Cultura Cristã, Vol. 5, 272.
[28] Citado em R. J. Bauckham, “O Shabbath e o Domingo na Igreja Pós-Apostólica”, In: D. A. Carson (Org.), Do Shabbath para o Dia do Senhor, (São Paulo: Cultura Cristã, 2006), 270.
[29] João Calvino, As Institutas: Edição Clássica, II.8.34, (São Paulo: Cultura Cristã, 2006), 158.
[30] Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 115.
[31] Michael Horton, A Lei da Perfeita Liberdade, (São Paulo: Cultura Cristã, 2000), 106. De acordo com informações verbais, Horton posteriormente mudou o seu posicionamento, ao ter contato com a obra do Dr. Joseph Pipa.
[32] D. A. Carson (Org.), Do Shabbath para o Dia do Senhor, informação da contra-capa.
[33] CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER, XXI.7, 177.
[34] Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 119.
[35] Thayer’s Greek Lexicon in BIBLEWORKS 6.0. Minha tradução.
[36] Harold K. Moulton, Léxico Grego Analítico, (São Paulo: Cultura Cristã, 2008), 373.
[37] Apud in Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 121.
[38] A. W. Pink, An Exposition of Hebrews. Sermon17: Christ Superior to Joshua (Hebrews 4.3-10). Minha tradução.
[39] Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 125.
[41] Waldyr Carvalho Luz, Novo Testamento Interlinear, (São Paulo: Cultura Cristã, 2003), 769.
[42] King James Version in BIBLEWORKS 6.0 Minha tradução.
[43] O verbo eivse,rcomai, está no particípio aoristo. O tempo aoristo tem o significado de uma ação realizada uma única vez e de uma vez por todas.
[44] John Owen, Works of John Owen: An Exposition of the Hebrews, Vol. 19, Johnstone & Hunter, 1855.
[45] Joseph A. Pipa, O Dia do Senhor, 125.
[46] John Owen, Works of John Owen: An Exposition of the Hebrews, Vol. 19, 413. Minha tradução.
[47] Geerhardus Vos, Teologia Bíblica: Antigo e Novo Testamentos, (São Paulo: Cultura Cristã, 2010), 176, 177.



Estudo feito por Rev. Alan René - IPB 



COMO SE CONSTRÓI UMA DOUTRINA?
Tudo está em como se constrói uma doutrina. A Escritura por si só responde a todas as perguntas. Contudo, cada um naturalmente expressa de forma tendenciosa os textos da Escritura desiquilibrando o texto sagrado. A Bíblia para ser entendida corretamente e para dela se exprimir uma doutrina, nenhum dos textos que mencionam o tema pode servir de CRUX INTERPRETUM. Isto é, pegar um texto, ou uma vertente e tencionar todo o restante da Bíblia a que se interprete de acordo com esta vertente.
Além de serem contemplados todos os textos em questão, a ideia de cada um deles deve estar presente na ideia da doutrina como um todo. Caso contrário, as contradições virão e textos serão explicados de forma tendenciosa, outros, serão negados, outros nem mesmo serão vistos.
Uma doutrina para ser estabelecida de forma coerente com o todo bíblico, não é de todo necessário que ela esteja expressa de forma explícita na Bíblia, e isso todas as denominações cristãs estão de acordo. Mesmo que tentem afirmar que não, na prática funciona assim. As doutrinas podem ser estabelecidas de três maneiras diferentes e todas elas devem o mesmo peso para a doutrina. Pode-se, então estabelecer doutrina a partir de:
1.      Um texto que diz claramente o que é e não existe outro que possa suscitar dúvidas quanto ao que este texto está dizendo, pelo contrário, colaboram com o mesmo sentido do texto em questão. Por exemplo pode ser extraído de uma prática, ou fala direta. 
2.       Um ensino que pode estar sendo dito de forma implícita no texto sagrado, mas que pode facilmente ser depreendido do texto.
3.      Um ensino pode ser deduzido a partir da Escritura e não estar de forma clara no texto Bíblico.

Um exemplo das três situações:

1.      Ensino explícito: “Não coma, por que no dia em que dela comerdes, certamente morrerás”. Aqui de forma clara Deus afirma: “se você comer, você vai morrer”.
2.      Ensino implícito: “Não coma, por que do dia em que dela comerdes, certamente morrerás”.. Posso ver que de forma implícita o texto também ensina que Deus estaria falando a Adão: “Se você não comer, você vai viver”.
3.      Ensino dedutível: A partir deste último texto posso deduzir que a forma que Deus estabeleceu de relacionar-se com a humanidade foi a partir da obediência. Devemos obedecê-Lo.
Temos doutrinas estabelecidas em todas as denominações cristãs desta mesma maneira. Por exemplo: Onde na bíblia se afirma explicitamente que mulher pode participar na ceia, ou que Jesus determinou isso? Em lugar algum. No entanto, todas as mulheres batizadas, em todas as denominações, participam da ceia.
        As denominações que querem dar um maior peso às suas doutrinas quando são confrontadas, se esquecem deliberadamente de seguir as três maneiras de se deduzir um ensino bíblico: explicito, implícito, ou dedutível; a pergunta é porque? A resposta é clara, por que querem defender seu peixe, querem a sardinha mais próxima de seus pratos.
               A questão do sábado não é diferente. Uns querem pender mais para o legalismo do AT, outros querem pender para a libertinagem dizendo: qualquer dia é dia. Nenhum, nem o outro estão corretos. A Bíblia não é desequilibrada entre AT e NT. A graça sempre existiu, desde o primeiro sacrifício de um animal que sua pele serviu para cobrir a vergonha (Pecado) de Adão e Eva já era demonstração típica da graça de que seria necessário o sacrifício de um inocente para cobrir os pecados dos olhos de Deus. Da mesma maneira, Jesus cumpriu toda a Lei estabelecida por Deus no AT. Ainda hoje o ser humano precisa da lei de Deus de forma a ser confrontado com o seu pecado, e ir correndo à Cristo.
               SABATISTAS, Sinto muito, mas a doutrina da defesa do sábado é tendenciosa, apela para a Lei apenas, deixando de observar os preceitos da Lei, suas nuances. Pura heresia. O texto de Paulo aos colossenses fala de forma clara e sonora que ninguém poderia sofrer injúria por não cumprir a lei sabática... Ele fala de forma clara quanto a aspectos cerimoniais do AT explícitos nos textos de Levítico. Da mesma forma existem provas históricas e Bíblicas e explicações claras sobre a vigência da guarda de um dia em sete.
               ADEPTOS DE TODOS OS DIAS, OU DE DIA NENHUM. Sinto muito também. A doutrina da defesa de que não existe um dia especial que se deva dedicar a Deus também é tendenciosa, apela para o relaxamento, o detrimento dos princípios da Lei em favor da graça, quando as duas andam juntas, apesar de propósitos distintos, Pura heresia.  De fato todos os dias são dias de adoração a Deus, por que adoração tem a ver com a realidade de que eu reconheço a Cristo como Senhor, e se eu não faço isso todos os dias, então não posso ser chamado de cristão. Contudo, a Bíblia nos mostra de forma clara que há a necessidade de um dia determinado pelos próprios apóstolos e pela igreja primitiva como sendo um dia em que aconteça a adoração conjunta, e louvor em conjunto com os irmãos em Cristo. É também um dia em que devemos nos concentrar mais apenas naquilo que vai nos trazer conhecimento de Deus e santificação para nossas vidas.  
               

               

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