“Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.” (Isaías 6.3)
“Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo...” (Apocalipse 15.4)
“Assim, meus amados, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Filipenses 2.12–13)
Ao avançarmos no estudo dos atributos comunicáveis, chegamos agora a um ponto central: a santidade de Deus não é apenas mais um atributo entre outros, mas a perfeição que qualifica todos eles.
Dizer que Deus é santo é afirmar que Ele é absolutamente separado de tudo o que é criado e, sobretudo, de tudo o que é pecaminoso. Ele é puro, perfeito e moralmente irrepreensível.
Mas a santidade de Deus vai além de uma separação negativa do pecado. Ela expressa a excelência positiva do Seu ser. Deus é santo porque tudo o que Ele é, é perfeito em grau absoluto.
Por isso, a Escritura não diz apenas que Deus é santo, ela repete: “Santo, santo, santo”. Deus é plenamente, infinitamente e perfeitamente santo.
É nesse sentido que a santidade governa todos os atributos divinos.
O amor de Deus é santo. Sua justiça é santa. Sua misericórdia é santa. Seu poder é santo. Nada em Deus está fora dessa perfeição absoluta.
Isso impede qualquer distorção no nosso entendimento. Deus não ama de forma injusta, nem exerce justiça sem pureza, nem manifesta poder de maneira arbitrária. Tudo o que Ele faz está perfeitamente alinhado com Sua santidade.
Essa verdade também revela algo essencial sobre o pecado.
O pecado não é apenas uma falha moral, é uma afronta direta à santidade de Deus. É por isso que Deus não pode tratar o pecado com indiferença. Sua santidade exige que o pecado seja julgado.
Ao mesmo tempo, essa mesma santidade se manifesta na obra da redenção.
Deus não salva ignorando o pecado, mas tratando-o plenamente. Na obra de Cristo, vemos a santidade de Deus sendo satisfeita e, ao mesmo tempo, a graça sendo revelada.
E é exatamente aqui que a santidade de Deus se conecta diretamente com a vida do crente.
A Escritura não apenas revela que Deus é santo, ela ordena: “Sede santos” (1 Pedro 1.16).
Isso significa que a santificação envolve responsabilidade real.
O crente é chamado a:
- obedecer
- mortificar o pecado
- buscar a justiça
- viver de forma coerente com o caráter de Deus
A ordem é clara: “desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor”.
No entanto, esse chamado não estabelece autonomia humana. O próprio texto imediatamente afirma que “Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar”.
Ou seja, a responsabilidade do homem é real, mas sua capacidade é derivada.
Deus não santifica o homem sem o envolver, mas o homem nunca se santifica sem Deus operando nele.
A graça não apenas exige: ela capacita.
É nesse sentido que se pode dizer, como na tradição agostiniana, que o regenerado agora “pode não pecar”. Não por força própria, mas porque foi vivificado pela graça.
Assim, a santificação é:
- obra de Deus em sua causa
- e obra do homem em sua experiência
Deus opera interiormente, inclinando a vontade, iluminando o entendimento e fortalecendo o coração. O homem, então, responde ativamente, vivendo em obediência.
Essa dinâmica evita dois erros:
- o passivismo, que espera santidade sem esforço
- e o moralismo, que busca santidade sem dependência
E o que isso importa para nós?
Primeiro, nos chama à reverência. Deus não pode ser tratado de forma leviana. Sua santidade exige temor.
Segundo, nos chama ao arrependimento. O pecado deve ser combatido de forma consciente e diligente.
Terceiro, nos chama à ação. A vida cristã é uma luta real contra o pecado e um esforço constante por santidade.
Mas, ao mesmo tempo, tudo isso acontece na dependência absoluta da graça de Deus.
Portanto, conhecer a santidade de Deus não apenas nos informa, ela nos transforma dia após dia até aquele momento da nossa morte, ou da vinda de Cristo, o que vier primeiro.
A santidade divina nos mostra quem Deus é, quem nós somos, e como devemos viver diante dEle.
Rev. Julio Pinto
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