Israel x gentios
Dois povos, duas expectativas?
A cruz de Cristo não apenas reconciliou indivíduos com Deus, mas também unificou definitivamente povos outrora separados, derrubando toda barreira que os distinguia espiritualmente; Israel x restante do mundo (gentios). Como está escrito: “Ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derrubado a parede da separação que estava no meio” (Efésios 2:14). Por isso, qualquer tentativa de restabelecer distinções redentivas entre povos representa não apenas um equívoco interpretativo, mas uma regressão teológica que obscurece a suficiência da obra consumada de Cristo.
A ideia de que existam dois povos distintos (Israel x gentios) com dois planos paralelos enfraquece a unidade da redenção e desloca o centro da história da salvação, que é Cristo, para uma nação, Israel. A Escritura, porém, reafirma com clareza o eixo cristocêntrico de todas as coisas: “...porque dele, por ele e para ele são todas as coisas” (Romanos 11:36). Assim, não há espaço para a centralidade de qualquer nação ou etnia no plano redentivo, pois tudo converge em Cristo.
Quando expectativas escatológicas são transferidas da consumação da obra de Cristo para eventos geopolíticos, o que ocorre é substituição da esperança bíblica por especulações humanas.
O clamor da Igreja não é por uma sequência de eventos intermediários elevados à condição de esperança final, mas pela vinda do próprio Senhor: “Maranata! Vem, Senhor!” (1 Coríntios 16:22).
Dessa forma, a fidelidade bíblica exige o resgate de uma escatologia centrada em Cristo, na qual a Igreja, composta de todos os povos, é uma só em Cristo Jesus, e a esperança última não está em distinções restauradas, mas na plena manifestação daquele em quem todas as promessas de Deus encontram o seu “sim” e o seu “amém”.
É como eu disse em outro lugar: "Apocalipse não pode ser lido com os olhos voltados para o noticiário".
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