quinta-feira, 23 de abril de 2026

Tema 9 - Atributos Incomunicáveis e Comunicáveis: Deus é único, e nós dependemos dEle

 “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.” (Salmo 90:2)

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.” (Isaías 9:6)

Quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus...” (Hebreus 9:14)

Sede santos, porque eu sou santo.” (1 Pedro 1:16)

Depois de entendermos que os atributos são as perfeições do próprio ser de Deus, precisamos agora organizá-los para melhor compreendê-los. A teologia cristã, ao longo do tempo, fez uma distinção útil: atributos incomunicáveis e atributos comunicáveis.

Essa distinção não divide Deus, mas nos ajuda a perceber duas coisas: aquilo que pertence exclusivamente a Ele e aquilo que, de certa forma, é refletido em nós.

Os atributos incomunicáveis são aqueles que pertencem somente a Deus. Não há nada semelhante a eles no homem. Quando a Escritura afirma que Deus é eterno: “de eternidade a eternidade”, está dizendo que Ele não teve começo, não terá fim e não está sujeito ao tempo como nós estamos.

E essa eternidade pertence plenamente às três pessoas da Trindade. O Filho é chamado de “Pai da Eternidade”, revelando que não é um ser criado, mas o próprio Deus eterno que entrou na história. E o Espírito Santo é descrito como “Espírito eterno”, mostrando que Ele também não está sujeito ao tempo, mas participa da mesma natureza divina, eterna e imutável.

Assim, Pai, Filho e Espírito Santo são igualmente eternos: um só Deus, sem princípio e sem fim.

O mesmo vale para Sua imutabilidade (Ele não muda), Sua infinitude (não é limitado) e Sua independência (não depende de nada nem de ninguém).

Esses atributos nos mostram que Deus é absolutamente distinto de tudo o que existe. Ele não é apenas maior do que nós: Ele é de outra ordem. Isso produz reverência, temor e humildade.

Por outro lado, existem os atributos comunicáveis. São aqueles que, embora pertençam perfeitamente a Deus, também aparecem, de forma limitada e imperfeita, no ser humano. Quando a Bíblia diz “sede santos, porque eu sou santo”, vemos que há algo em Deus que é refletido em nós.

Amor, justiça, bondade, verdade, santidade; tudo isso está em Deus de forma perfeita e, em nós, de forma derivada e limitada. Não possuímos essas qualidades por nós mesmos, mas como imagem do Criador.

Isso nos ensina algo muito importante: aquilo que há de bom em nós não é inerente a nós mesmos. É dependente. É reflexo. Pertence e é intrínseco ao Ser Divino.

Portanto, essa distinção nos conduz a duas atitudes fundamentais.

Primeiro, adoração. Ao contemplarmos os atributos incomunicáveis, reconhecemos a grandeza única de Deus.

Segundo, dependência e transformação. Ao considerarmos os atributos comunicáveis, entendemos que fomos chamados a refletir quem Deus é; não por força própria, mas pela ação dEle em nós.

Assim, conhecer a Deus não apenas eleva nosso entendimento, mas também orienta nossa vida.


Rev. Julio Pinto 

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