sábado, 14 de outubro de 2023

ONDE ELA ESTÁ?

  

Procurei em todo lugar. Procurei na relação familiar

Procurei nela, neles, no trabalho, procurei no lar.

Instado, procurei na sede, na fome, na angústia, na fobia.

Cego, procurei na ansiedade, na tristeza e na alegria.

 

Onde ela está?

 

Trôpego, de novo, continuava sem saber onde encontrar

Vacilante suspirava, torto, manco, sem mais onde vasculhar

Entediado, cansado, relutante sigo sondando o olhar

Na mulher, no filho, na filha, no gesto, no gosto a saborear

 

Onde ela está?

 

Na saúde, na doença, na riqueza, ou na pobreza

No vício, no amor, no ódio, no odor

Por ela procuro penso que por obstinação ou destreza

Calado, gritante, até na amálgama em PATHOS o portentor

 

Onde ela está?

 

Não está na Sophia, nem nos seus amigos

Não está no monte, nem mesmo na boa sorte

No lago, ou na fonte, desapareceu seus ritos

Em seu lugar sobreveio a sombra da morte

 

Onde ela está?

 

Semiótica já responde para o próprio coitado

A franqueza se foi e quem se importa com sinceridade?

O que vale não são fatos ou origem de significado

Vale é a perversão da mente que pretende esconder a verdade.


Onde ela está? 


Verdade, para onde se foi? Qual seu esconderijo?

Na narrativa da  mente doentia tudo é relativo

 Esconder-se do Absoluto, é a razão do coração altivo

Diz o insensato: Tenho absoluta certeza disso. 




rev. Júlio César Pinto

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Entre o céu e o inferno.

                     Nascemos numa perspectiva dicotômica da vida. Não existem meios termos, não existem isenções, não existe imparcialidade. Tudo está, em todo tempo, sendo encaminhado para duas realidades opostas: o céu e o inferno.

                   Nossas decisões e indecisões, nossos passos, pensamentos, palavras, angústias, alegrias, tristezas, ódios, amores, omissões, tudo, desde o nosso nascimento até o momento de nossa morte, caminha para o céu, ou para o inferno.

               No centro de tudo e para onde tudo concorre está O Criador. Fora dessa dicotomia, acima dela, está Sua perfeita moral e, a partir dela, exige que aqueles feitos conforme à sua imagem e semelhança, também se ocupassem, se preenchessem, se moldassem à ela. Mas, foram tomados de assalto pela concupiscência do próprio coração.

               A partir desse momento, a criação é incapaz de fazer e ser à imagem de seu Criador como havia sido criada; ainda assim, ela continua sendo responsabilizada a ser e fazer. Sabendo de nossa incapacidade, O Criador providencia, fora do tempo, antes mesmo dele existir, o meio eficaz de sermos vistos perfeitamente morais, perfeitamente santos. E, para tanto, nos dá o necessário, entre o céu e o inferno, para que sejamos vistos tais como Ele é, não todos, mas apenas aqueles escolhidos por sua soberania e majestade.

               O Eterno, que subsiste em Três, proporcionou o único meio necessário para que alcancemos a perfeição. Enviou a Segunda Pessoa, em carne, em semelhança de homem: Perfeitamente moral, Perfeitamente Santo, Perfeitamente homem, Perfeitamente Deus para ser a redenção dos escolhidos. E esses, entre o céu e o inferno, escolhem por vontade determinada na eternidade, que aceitam sua redenção, sua mediação se tornando perfeitamente morais e santos por meio Dele, por causa Dele e para Ele.

               Tal escolha determina o fim, o local da eternidade: céu ou inferno? Mas afinal, o que há antes disso, antes do céu e o inferno? A terra? Não, não falo do local, mas me refiro ao tempo. Entre o céu e o inferno temos única e exclusivamente o tempo como nosso aliado, ou nosso inimigo. Como aliado se ouvirmos a voz do Criador e aceitarmos seu Único Meio; e o tempo servirá como inimigo se não atentarmos para nossa origem, para nossos dias, e para qual será nosso fim.  

Rev. Julio César Pinto

terça-feira, 5 de setembro de 2023

CRENTE X CRENTE


                Depois de dezessete anos no ministério, convivendo com milhares de pessoas, podemos resumir as mais variadas personalidades a dois tipos apenas; e é acerca desses dois tipos que vou tecer um breve comentário.

                Quando chegamos em uma igreja e começamos a desenvolver relacionamentos, ao mesmo tempo começamos a enxergar quem é quem dentro desse contexto. As pessoas interagem de duas formas distintas.

                Essa interação é vista no comportamento posterior ao ensino recebido. Uma das reações que podemos ver é o interesse no ensino recebido. Elas questionam com a finalidade de saber um pouco mais, querem aprofundar no assunto. De mesma sorte se lembram de alguns casos e procuram tirar a dúvida quanto a relação do que vivenciaram com aquilo que foi ensinado.

                Ainda esses, quando se veem confrontados com o ensino, analisam a própria maneira de ser, de falar, de agir, de pensar, passando a repudiar a si mesmo mediante o incômodo do Espírito causado pela Palavra de Deus impulsinando o indivíduo à santificação.

                A última observação que farei desse tipo de crente é o seu sentimento com respeito ao pastor. Esses, não enxergam o pastor como ameaça, nem mesmo têm pensamento do tipo: “Não tenho medo dele...”; “Não devo nada a ele...”, ou ainda: “Ele não tem nada a ver com a minha vida”. E quando não pensam dessa forma, atendem à ordenação divina.

Dessa maneira, tais crentes que não pensam dessa maneira, respeitam o pastorado, respeitam a figura do pastor, pois entendem corretamente o que é a figura do pastor: O pastor é apenas um porta-voz da Palavra de Deus. E, como tal, o princípio do Quinto Mandamento se aplica na figura pastoral, o que vale igualmente para os oficiais da igreja diáconos e presbíteros.

É sobre esse tipo de crente que a Palavra de Deus afirma: *2 Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas vieram a existir, diz o SENHOR, mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra. (Isaías 66:2)*. Acaso não é por meio do ensino pastoral que a Palavra aflige o pecador, abate o espírito altivo e faz tremer a alma de pavor do inferno diante da Palavra exposta?

O outro tipo de crente que podemos ver, deles não há muito o que dizer. De fato, não há o que temer da figura pastoral, mas a maneira como ele enxerga isso e continua vivendo sua vida, sem buscar intensamente mudanças significativas, desprezando o ensino, isso só demonstra uma total falta de temor dos princípios bíblicos trazidos por ele. Esse tipo, ao ler esse texto, seu primeiro pensamento será de desprezo. 

Não há muito o que se dizer acerca desse tipo, exceto que se comportam como joio e continuando assim o inferno será seu recanto. Lá será o lugar onde o choro será compulsivo com incessante arrependimento porém, tarde demais.  


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Palestra proferida no Retiro da IPA de 21/02/2023

 O livro que nos foi dado como base para estas palestras não encerra essa questão da masculinidade bíblica aqui na carta aos Efésios. Mas, devido à brevidade do tempo, escolhi não me estender além desse texto Bíblico, uma vez que meu propósito aqui será, tão somente, expor o que o próprio texto que o autor usou como base para mostrar qual é a base da masculinidade Bíblica no casamento. Além disso, eu também vou me restringir na exposição do texto no que concerne ao papel da mulher, pois esse será o assunto do pr. Luciano.

Efésios 5:23-33

23 porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. 24 Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido. 25 Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, 26 para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, 27 para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito. 28 Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. 29 Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja; 30 porque somos membros do seu corpo. 31 Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. 32 Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja. 33 Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite ao marido.

 Podemos ver no início desta seção da carta aos Efésios, onde até o momento que a antecede, que Paulo vinha falando de como Deus, em sua Soberania, Majestade e Eternidade já havia designado como é que seria a sua igreja. Uma igreja composta de pessoas de todo o mundo, seu povo, o Israel espiritual que iniciou no passado com a nação de Israel, os descendentes de sangue de Jacó; mas que, no momento exato da história, com a vinda de Cristo e o posterior derramamento do Espírito Santo, possibilitou oficialmente a entrada de gentios nessa nação.

E nessa nação, nesse Israel espiritual chamado de Igreja, não existem privilégios entre pessoas de nações diferentes, não existem privilégios de quadros sociais diferentes, não existem privilégios de sexos diferentes, o que existe nessa igreja são papéis diferentes. Não há distinção, pois todos pecaram e todos estão carentes da glória de Deus e quaisquer pessoas que tenham sido eleitas, de qualquer nação, serão salvas por um único e mesmo modo: A salvação pela graça por meio da fé em Cristo Jesus.

 Após essa caminhada percorrida na carta pelo apóstolo, ele deu início no capítulo 5 falando acerca do modo de viver da igreja e começou então, a tratar grupos que compunham a igreja daquele tempo, e que também são os mesmos grupos que hoje existem na igreja.

 Assim, Paulo iniciou falando acerca do menor grupo existente, o núcleo básico da igreja que também é o núcleo básico da sociedade: o casal, marido e mulher, macho e fêmea. E, podemos ver, que ele começou falando especificamente acerca do modo como a mulher deve se comportar no relacionamento conjugal, falando ele acerca da total submissão da esposa ao seu marido, e fez uso do casamento entre um homem e uma mulher como figura para falar da realidade de Cristo, como sendo o noivo, e sua Igreja como sendo a noiva.

Desta maneira começamos a perceber o quanto a instituição do casamento é algo considerado santíssimo a Deus, justamente pela comparação que o apóstolo faz da relação de Cristo e igreja para com a relação entre marido e mulher.

Então, chegamos na parte onde, agora, Paulo se volta para o segundo participante do menor grupo da igreja, o marido.

23 porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. 24 Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido.

Aqui, no versículo 23 Paulo está reiterando a primazia do marido sobre a mulher, mas apontando agora para as virtudes aguardadas do marido em relação àquela que lhe é submissa, a esposa.

A perspectiva de Deus em relação ao matrimônio diz respeito à natureza tanto do homem como também da mulher. Tanto um, quanto outro, são posicionalmente e pessoalmente iguais. Ambos foram criados à imagem e semelhança de Deus, ambos possuem as mesmas necessidades espirituais, ambos com a mesma responsabilidade e capacidade de conhecerem e glorificarem a Deus.

Em perspectiva divina, homem e mulher são iguais em essência e posição, contudo possuem papéis distintos atribuídos a cada um na própria criação.

Entretanto, o movimento feminista tem feito uso de um texto bíblico para afirmarem a igualdade em todas as coisas entre homem e mulher, inclusive no tocante aos papéis a serem desempenhados na igreja.

Na interpretação que fazem desse assunto na Escritura, o movimento feminista escolheu um texto chave para defesa de sua ideologia de gênero, e afirma que todos os outros textos que tratam do relacionamento entre marido e mulher devem ser interpretados à luz desse texto. Eu me refiro ao texto de Gálatas 3:28

28 Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.

O problema de se fazer uso desse texto como crux interpretum, é que, via de regra, o crux interpretum é um texto usado fora de seu contexto para forçar uma doutrina supostamente bíblica.

E quando olhamos para o contexto desse versículo de gálatas, veremos o seguinte: Gálatas 3:23-28

23 Mas, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se. 24 De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé. 25 Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio. 26 Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; 27 porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. 28 Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.

Percebam que o contexto desse versículo usado como crux interpretum pelo movimento feminista não está direcionado à uma igualdade de papéis dentro da igreja, ou igualdade de papéis no lar, o texto está falando de justificação, de salvação em Cristo. Marido e mulher tão somente são diferentes na autoridade.

Voltando então ao texto de Paulo aos Efésios, a comparação do homem com Cristo mostra que, além da primazia sobre a mulher, assim como Cristo tem sobre a igreja é feita aqui para demonstrar que a maior responsabilidade no casamento está sobre os ombros do marido. Aqui ele é posto como o salvador de sua esposa.

E no que diz respeito à submissão da mulher e da autoridade do marido, Deus ordena que sua esposa seja submissa ao seu marido. Certamente poderão acontecer momentos em que a sugestão da esposa deverá ser acatada pelo marido, se esse assim entender que o melhor a ser feito é seguir a sugestão dada por ela.

O que vemos aqui em Efésios é de que o Marido, em seu papel biblicamente másculo, reside em liderar o seu lar e tomar as decisões.

A direção espiritual do casal reside sobre o marido; é ele quem deve orientar sua esposa em todos os aspectos da vida. E esta orientação deve seguir uma direção: é para salvar o corpo; isto é, o marido deve buscar de forma solícita proporcionar o melhor bem possível para sua esposa.

Nós vemos em Gênesis a omissão de Adão, lá no jardim do Éden, ao presenciar sua mulher ser tentada por satanás e simplesmente não fazer nada, não a protegendo, não assumindo sua posição ordenada por Deus de guardar esse Jardim que era sua casa. E o resultado dessa omissão foi a literal desgraça para toda humanidade e, resultando também na maldição para toda a criação de Deus.

 A comparação entre Cristo e o marido como sendo Cristo o Salvador do corpo, isso não torna o marido o salvador dos pecados da esposa, pois um pecador não pode salvar a outro pecador. Mas tal comparação exige que o marido tenha virtudes no relacionamento conjugal, assim como as virtudes de Cristo em relação à igreja.

 A esposa, submetendo-se ao marido, obviamente esse sendo um crente em Cristo Jesus, terá condições de conduzir o seu casamento a bom termo. E aqui nos aponta à manter o casamento firme, seguindo adiante, rumo à salvação eterna.

 Justamente nesse texto surgiu uma heresia, da parte dos mórmons – que são da IGREJA DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS. Naquela seita, havia uma doutrina herética, onde diziam que a mulher somente seria salva por meio de seu marido, com base nesse texto. E que, por isso, como sempre, em qualquer lugar, há mais mulheres do que homens, eles, então, pregavam que a poligamia seria algo aceitável diante de Deus para que as mulheres pudessem ser salvas. E com esse discurso, as mulheres membros daquela seita, aceitavam que o marido tivesse quantas esposas eles pudessem sustentar.

 A Igreja católica também possui sua heresia no tocante ao casamento. Em sua interpretação acerca da salvação dos homens, a igreja católica afirma que uma das formas de ser salvo é ter praticado todos os sacramentos, que para eles não se trata apenas de batismo e ceia, mas, para eles, ao todo são sete sacramentos dos quais o casamento é um. Assim, nessa heresia, o casamento entre um homem e uma mulher os conduziria à salvação.

 Ao invés disso, o que a Escritura nos mostra e é o que já mostramos anteriormente: que a salvação é somente pela graça, por meio da fé em Cristo Jesus.

25 Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela,

 Paulo agora, deixa de lado o papel da esposa em relação ao marido e se volta para demonstrar o outro lado da moeda do casamento. O papel do marido em relação à esposa.

 E a primeira ordem com relação ao marido é que ele ame sua esposa da mesma maneira que Cristo amou a igreja. Percebam que não existe nenhuma condição imposta à mulher para que o marido tenha que amar a sua esposa. O amor é aqui demonstrado como algo tão sublime quanto o amor de Cristo pela igreja.

 Outro dia mesmo falei com um irmão acerca do que é a igreja. Eu disse a ele: a igreja é lugar de pecadores arrependidos, e é exatamente isso que demonstra o tamanho do amor de Cristo por sua igreja. Mesmo a igreja sendo composta de homens e mulheres pecadoras, ainda assim, Cristo amou tanto a sua igreja que Ele deixou a sua glória, se tornou em semelhança de sua própria criatura, passou fome, frio, calor, tristeza, dor e por fim uma morte violenta na cruz; um amor sacrificial, mesmo nós ainda sendo pecadores. Isso é a graça de Cristo sobre sua igreja.

 E é justamente com essa comparação que Paulo faz do amor de Cristo para com a igreja, que assim também deve ser o amor do marido por sua esposa. É buscando todos os dias, continuar tratando, protegendo, sustentando mesmo que ela seja uma pessoa cheia de defeitos e que você conhece cada um deles.

26 para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, a igreja santificada por Cristo é a igreja chamada, separada do mundo, para Ele mesmo; para que a igreja pudesse, dia após dia, depois de ter seus pecados perdoados, após ter ouvido a mensagem do evangelho e se arrependido, tomando a direção contrária a que seguia no mundo; crescendo no conhecimento e na graça do Senhor Jesus Cristo por meio da Escritura Sagrada.

 E a lavagem de água é uma clara referência ao batismo. É o que se segue como sacramento apontado por Cristo e continuado pelos apóstolos como vemos em Atos 2.37-39. Mas, é tão certo que o casamento não salva, assim também é tão certo que o batismo por si mesmo não salva. O símbolo externo da salvação não garante que o indivíduo, de fato, seja salvo.

 Sendo o batismo a forma de expressar exteriormente a aliança com Deus, tendo sido colocado no lugar da circuncisão, o mesmo que era possível acontecer a alguns homens circuncidados, também é possível acontecer a alguns cristãos batizados. E do que estou falando? Falo de poderem carregar em si mesmos o símbolo externo da salvação, sem que, de fato tenham sido salvos. É assim na igreja o joio no meio do trigo, assim como acontecia a alguns no meio de Israel.

 Deuteronômio 10:15-16 Tão-somente o SENHOR se afeiçoou a teus pais para os amar; a vós outros, descendentes deles, escolheu de todos os povos, como hoje se vê. 16 Circuncidai, pois, o vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz.

Deus, por meio de Moisés, anunciou à nação israelita que a circuncisão que de fato importava, não era a circuncisão da carne do prepúcio, mas era a circuncisão do coração, ou seja, a verdadeira conversão. Então, da mesma forma que a circuncisão não assegurava verdadeira conversão, do mesmo modo o batismo não lava a alma de seus pecados, é necessária da mesma forma a conversão do coração.

  E tal conversão não é uma ação do próprio sinal da aliança, que hoje é o batismo. Não existe no batismo qualquer poder inerente a ele mesmo. Pois, a conversão é obra exclusiva do Espírito Santo, como havia dito Cristo que convenceria pessoas de todo o mundo acerca do pecado, da justiça e do juízo.

E, o próprio Espírito é que faz uso do sinal externo do batismo assegurando tão somente ao verdadeiro cristão obras resultantes de Suas ações em comunicar-lhes os benefícios da obra de Cristo.

 26...por meio da palavra

Este final do versículo não aponta para algo que seria dispensável, pelo contrário. A palavra de Deus não poderia ficar de fora desse versículo, uma vez que é justamente ela que nos aponta quais são os sacramentos e também é ela que irá nos direcionar para longe de superstições acerca da santificação.

 É justamente aí a diferença entre aqueles que possuem de fato a Escritura como regra de fé e prática daqueles que colocam outras coisas ao lado da Palavra, ou ainda pior: acima da Palavra como, por exemplo, as tradições religiosas que não têm qualquer proveito para santificação.

E, muitas delas, não são apenas inaproveitáveis, mas também são tradições pagãs que demonstram uma religiosidade vil e distante do propósito de Deus para salvação do crente. Como afirmou Calvino: A única diferença entre os santos e as invenções dos ímpios está na Palavra.

27 para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.

A palavra em si mesma, também não tem qualquer proveito se não for aplicada por Cristo, através do Espírito Santo na vida dos crentes. A condução da santificação pelo Espírito na vida do crente, mostrando a ele onde precisa caminhar, e onde não pode caminhar, em sua jornada nessa terra, até que ele alcance a coroa da vitória. Cristo santifica sua igreja, por meio do Espírito para que ela seja apresentada e Ele mesmo. Ele santifica a igreja para Ele.

O que vemos no catolicismo e até mesmo em algumas igreja ditas evangélicas é que o sacramento se avulta acima da Palavra como se nele residisse algum tipo de encantamento, ou poder peculiar. A força do sacramento, não está no sacramento, mas está na Palavra que testifica a veracidade do sacramento, e isso tão somente na vida dos eleitos.

Cristo nos lava, e nos aponta que sejamos marcados externamente com o batismo, para que tenhamos vida santa, e não para voltarmos atrás, como antes, assim como a porca lavada volta a revolver-se no lamaçal.

A igreja vem sendo lavada, purificada, assim como a esposa se ornamenta para seu esposo. Mas aqui, o próprio Cristo, purifica para si mesmo sua igreja.

 28 Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. 29 Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida,

• Falar do amor próprio, do cuidado de si mesmo, – da mesma forma amar a esposa

• Deus criou o casamento para que os dois se tornassem uma só carne... quem ama a esposa a si mesmo se ama..

• A falta de amor para com a esposa demonstra a falta de amor próprio

• Criou o casamento, para que ambos se tornassem santos, e ali na sociedade ser o menor grupo da igreja e o menor grupo da própria sociedade.

• Veja que há no homem um princípio a ser cultivado perante a sociedade, que é justamente o amor ao próximo do qual Jesus afirmou: Isaías 58:6-7 Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? 7 Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante?

• Igualmente, e em maior profundidade, o marido deve amar sua esposa, como a seu próximo, como a ele mesmo.

• Quando Jesus aponta para os dois grandes mandamentos ele diz: Mateus 22:37-39 ... Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento". 38 Este é o grande e primeiro mandamento. 39 O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo

• Percebam que numa sociedade, o próximo mais próximo de nós mesmos são as esposas. Está aqui o mesmo princípio de amor ao próximo como a si mesmo no casamento, quem ama a esposa, ama a si mesmo.

29...como também Cristo o faz com a igreja;

de forma clara e sublime, mais uma vez o marido deve seguir a exemplo de Cristo o seu amor sacrificial por ela, cuidando, dando-lhe o necessário, adornando, velando por ela.

30 porque somos membros do seu corpo. 31 Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne.

Não há nenhum exagero em dizer que somos carne e ossos de Cristo. A comparação parte de onde a mulher fora tomada de Adão: Gênesis 2:23 E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada.

Da mesma forma que a mulher foi tomada de Adão para se tornar parte de seu corpo, assim também nos tornamos membros de Cristo, nascemos dele. O novo nascimento provém da graça de Cristo e por isso nos tornamos parte de seu corpo.

E ademais, o vínculo matrimonial não faz com que o crente se torne dispensado de outras leis divinas como, por exemplo, o honrar pai e mãe, nesse caso, é vital para perpetuidade da própria santificação. Deixar pai e mãe para constituir família, não exime ao homem de honrar a ambos, pelo contrário, é com sua ação que ele se torna exemplo para os próprios filhos. E seu exemplo tão pouco o libera da obrigação de encaminhar os filhos no mesmo ensino, no mesmo ensejo de santificação

32 Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja.

Paulo exclama a grandiosidade desse mistério de como se dá essa união mística entre Cristo e a igreja. Diante de nós, talvez, nos seja proporcionado na eternidade, entendermos um pouco mais do que agora sabemos acerca dessa união com Cristo que infunde na igreja sua própria vida e poder, mas como se dá essa questão, é o que ficará para sabermos na glória, se assim Deus quiser.

33 Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite ao marido.

uma submissão voluntária da parte das esposas, sempre virá uma devida reverência do marido.

• Marido omisso x tomada de decisões.

• Papel do marido como esposo, lidera sua esposa sendo sustentador, cuidador, provisor

Nós somos os responsáveis pela condução de nosso lar, nossas esposas e nossos filhos.


terça-feira, 24 de janeiro de 2023

O TEMPO E O VENTO

O tempo e o vento são contos do Veríssimo

Duas palavras com significado sempre unido

Pois de fato a vida voa

Como vento que no canto entoa


A Bíblia sempre associa essas duas palavras, ela afirmava: 

“Lembra-se de que eles são matéria, 

vento que passa e já não retornaria.” 

Assim o salmista já declarava


Ou como o profeta:

“Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; 

todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como um vento, nos dissaparia.”


Esta é a realidade que precisamos jamais esquecer  um só momento,

pois essa pode ter seu fim num piscar de olhos, não precisará de fomento. 

Passamos três anos de nossas vidas: alguns procurando conhecimento, 

enquanto outros, literalmente, gastando seu tempo. 


O tempo é diferente para cada um

Na roça o dia para mais de um

Na cidade podemos ter vinte e oito horas 

Parecem mais um breve chá de senhoras



O P.K. por muitos não foi valorizado

Muitos alunos jamais aqui calcaram

Em outras paragens, aqui não pisaram

Sem ter aproveitado seu bocado


Por pouco esse ano pudemos aproveitar

E aqui seis meses outros tempos deslumbrar

O futuro chega rápido e logo o presente se torna passado

E jamais podemos esquecer o tempo aqui desfrutado


O tempo é ouro que jamais compramos

O tempo é vida que jamais recobramos

O tempo é investimento que não celebramos

O tempo é dádiva divina e a Ele glorificamos

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

SINOS ECOANDO DO VERBO

 


De uma Criança veio a vida

Para de Seu riso termos paz

Trazendo alento à alma perdida

Pintando os momentos que a memória traz


A Criança que trouxe riso

Manteve o silêncio em um madeiro

Revelando força em seu sacrifício

Desde a eternidade, sendo o prometido Cordeiro 


Ouça, são os sinos ecoando do Verbo

Aos olhos de cada pessoa que valoriza

O ordinário se faz belo

E pela eternidade se torna atraída


Esse som ritma a existência

Os seus ecos fazem o pássaro cantar

Confundindo as leis da ciência

Que tanto sua vinda, morte e ressurreição querem negar!


Com pressa, corremos dia a dia

Tropeçamos e caímos na escada da vida

Cegos, a verdade permanece escondida

Sem percebermos que sem Cruz não há força para vencermos a corrida.


O Eterno decide "beijar a terra"

Como já tinha sido prosado

Para vencer, por nós, a guerra

Cumprindo a lei dos antepassados

 

Não há outro nome

Que possa o nosso pecado cancelar

O Verbo se fez carne para o poder das trevas dissipar

Resplandecendo sua luz a todo homem que a Ele, como Senhor, confessar!


Vivemos ansiosos quanto ao juízo final

E as ovelhas caminham ao Paraíso Celestial

Enquanto aos néscios sua impressão de bem estar 

Lhes dirige os passos até ao inferno chegar...


Manjedoura, cruz e túmulo vazios

Mostrando ao mundo seu glorioso brio

O trono, sim, ocupado

Concedendo vida eterna a quem aceitar seu legado!


Gabriela Martins Pinto ✍️🥰🙏🙌

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Sermão de domingo 17 de outubro de 2010 - Baião PA


 

Mateus 16.13-20

Tendo Jesus saído da margem do lado norte do mar da Galiléia, da região de Tiro e Sidom, da Decápolis, foi então para o território de Magadã, que também recebeu o nome de Magdala ou ainda de Dalmanuta, que poderia se pronunciar também Talmanuta. Em chegando à essa região, logo os fariseus, possivelmente já tendo conhecimento dos milagres da multiplicações dos pães de Jesus, lhe pediram um sinal tal qual seus antepassados tiveram no deserto, o maná: o pão que  desceu do céu para alimentar não dez mil, porém mais de um milhão de pessoas. Jesus lhes mostra que Ele mesmo era o pão vivo que desceu do céu, sendo Ele mesmo o maior milagre que poderiam ver, e ainda disse que o sinal como prova do que Ele estava falando seria o sinal de sua morte e ressurreição após três dias. Mas logo Jesus deixou esta região e aqui inicia o  nosso texto de hoje:

 

13  Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? 14 E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. 15  Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?16  Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. 17  Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. 18  Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19  Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus. 20  Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo.

 

 

 

13  Indo Jesus para os lados de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem?

A destreza de Jesus Cristo em ensinar quem quer que fosse é inigualável, sua técnica, habilidade, autoconfiança, confiança em Deus, e nunca perdeu qualquer chance de ensinar algo é de fato algo que nunca se viu em qualquer pessoa, mesmo naqueles que foram e são considerados verdadeiros gênios. A pergunta que Jesus faz aos seus discípulos poderia levar alguns a imaginar que Jesus estava preocupado com a sua reputação, mas isso é um engano. Jesus nunca se preocupou com a sua reputação, em demonstrar ser Ele grande vulto, em demonstrar ser Ele o verdadeiro Deus. Pelo contrário, ao lermos os evangelhos Jesus tentou se manter e viver sempre de forma discreta.

Muitas foram às vezes que pudemos observar nos grandes feitos de Jesus que ele fugia da popularidade e até mesmo aconselhava veementemente as pessoas que não lhe expusessem à publicidade.  Como foi o caso das pessoas a quem Ele curou quando estava na Sinagoga em Mateus 12.16.

Contrariamente a isso todos aqueles que se preocupavam com a publicidade dizendo-se grandes profetas, ou até mesmo o próprio Messias, esses se auto-entitulavam de alguma coisa. Em Atos 8.9 vemos a um homem chamado Simão que era um mágico, que iludia o povo com os seus truques e a si mesmo popularizava-se fazendo publicidade de si mesmo.

A poucos anos tivemos aqui no Brasil um louco que fazia a mesma coisa, mas ele tinha a audácia de se chamar de Inri Cristo. Dizia ele ser a própria encarnação de Jesus Cristo. E as redes de televisão iam atrás desse homem para coloca-lo em programas e ele se mostrava ao público e se apresentava ao público como sendo o próprio Jesus Cristo. O que o próprio Senhor Jesus nunca fez, se expor à publicidade, esse homem fez, tal como o mágico Simão.

Nos tempos de Jesus Cristo, um homem conhecedor da Lei de Deus, se deixou levar pela publicidade e deixou-se colocar no lugar de Deus, mas o fim desse homem, foi trágico. Herodes certa vez, vestido de traje real se dirigia ao povo e o povo exclamou dizendo: não é a voz de um homem, é a voz de um deus! Herodes deixou que a sua popularidade fosse levada ao extremo de ser comparado ele a um deus e mesmo sendo conhecedor da Lei de Deus permitiu tal coisa, mas o seu fim vemos em Atos 12.23 foi comido de vermes e no mesmo instante morreu.

Jesus se intitula diferentemente desses que acabamos de ouvir. Ao invés de grande vulto, de um deus, Ele se intitula de “Filho do Homem”. De fato era necessário esse reconhecimento por parte não só dos discípulos mas de todos quantos chegassem ao conhecimento o plano de salvação de Deus para a raça humana, de que o próprio Deus se encarnou, tornando-se à semelhança de sua criatura, para que pudesse ser ouvido diretamente, para que a própria raça humana pudesse tocar o Verbo da vida, de que Ele de fato existe e viveu como homem, sofreu como homem, morreu como homem, mas não permaneceu morto, ressuscitou e hoje está ao lado de Deus Pai para rogar por nós, se assim nós o aceitarmos, como nosso Salvador. A humanidade da Segunda Pessoa da Trindade precisa ser conhecida pelos homens, por que assim temos quem de fato pode se compadecer de nossas necessidades, pois Ele sabe como é ser humano. Foi exatamente essa a profecia dada a Satanás quando esse fez a raça humana cair em pecado no Édem. Em Gênesis 3.15, podemos perceber a mensagem de Deus a Satanás que dizia: “Da mulher que você usou para fazer a humanidade cair em pecado, dela virá um homem, que irá destruir as suas obras”. Esse é exatamente um dos motivos que Jesus Cristo adota esse título, de Filho do Homem, para provar que Nele havia si cumprido essa promessa de Deus.

De qualquer forma Jesus tinha um propósito em sua pergunta e ouviu a resposta de seus discípulos:

14 E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas.

 

Algumas pessoas pensavam que Jesus era João Batista havia ressuscitado, como foi o caso de Herodes que havia sido acusado por João Batista de estar em pecado com Herodias, sua cunhada, mulher de seu irmão. Herodias havia pedido a cabeça de João Batista durante uma festa que não era nem um pouco uma festa inocente, mas havia sido preparada com uma finalidade sensual e macabra. Herodes atende ao pedido de Herodias e manda matar a João Batista cortando-lhe a cabeça. E ao ouvir acerca de Jesus e dos milagres que fazia, logo ele pensou que se tratava de João Batista como vemos em Mateus 14.02.

Desta forma algumas pessoas também pensavam ser Jesus Elias. Muitos foram os sinais que o profeta Elias havia feito no passado, até mesmo de ressuscitar um morto e de multiplicar o azeite da viúva, dando-lhe sustento e a seu filho pelo resto da vida. Então algumas pessoas poderiam estar associando os feitos de Elias, aos que Jesus realizava como ressurreição de mortos e multiplicação de comida.

Elias também era tido como o precursor do Messias, como vemos em Malaquias 4.5 “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR”; as pessoas que diziam ser Jesus Cristo o próprio Elias, também poderiam estar interpretando erradamente a profecia de Malaquias, pensando ser Jesus o próprio Elias que retornou dos céus. Mas o próprio Senhor Jesus esclarece que o seu precursor a quem seria chamado de Elias, pela semelhança de seu ministério e poder de Deus, era o próprio João Batista, a voz que clamava no deserto preparando o caminho do Senhor, como também previu Isaías em 40.3.

Outros apontavam a Jesus como sendo Jeremias ou um dos profetas. Havia uma grande semelhança no ministério de Jeremias e os profetas do AT com o ministério de Jesus. Em todos os casos havia grande embate dos profetas com os falsos profetas e discussões e até mesmo a morte dos profetas por que eles teriam enfrentado falsos profetas dentro do próprio povo de Israel.Da mesma forma que Jesus vivia tendo problemas com os fariseus, saduceus e escribas. 

Com respeito à Jeremias, talvez esse grupo que identificava Jesus como sendo Jeremias que ressurgiu dos mortos, estariam pensando em uma lenda que é descrita em 2 Macabeus 2.4-8, que dizia que o profeta Jeremias havia enterrado em uma cova a arca e o altar de incenso. A lenda também dizia que estes objetos Deus os faria retornar ao povo quando o número de seus escolhidos se completasse. E, talvez,esse grupo estaria propenso a esperar que Jesus fosse Jeremias ressurreto dentre os mortos para devolver o que ele havia enterrado como que o tempo da lenda havia se chegado para seu cumprimento.

E ainda havia outro grupo que achava que Jesus não era nada, apenas um profeta qualquer que havia retornado dos mortos.

Mas ainda podemos perceber que faltou uma comparação que o povo, principalmente os inimigos de Jesus, fariseus, saduceus e escribas, fizeram acerca de Jesus. Eles haviam dito que Jesus era Belzebú, ou pelo menos sua encarnação. Notadamente não vemos esta comparação feita pelos discípulos e de certo a omitiram com a finalidade de não entristecer a Jesus.

Mas a pergunta que Jesus, faz acerca de si mesmo aos discípulos, não tinha realmente como foco o pensamento da multidão acerca do Filho do Homem, mas seus discípulos.

 

15 Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?

Era aqui que Jesus queria chegar. Ele de fato não estava interessado na opinião pública, mas na opinião de seus discípulos. Jesus então pergunta: o que vocês pensam que eu sou? Ao escolher doze discípulos dentre os muitos que o seguiam, Jesus tinha um real interesse em viver de forma mais íntima do que com o restante da multidão que o seguia. Ensinar-lhes a verdade acerca do reino de Deus, acerca do propósito de Sua vinda, acerca dos planos de Deus para humanidade. Era salutar que os discípulos tivessem a perfeita noção de quem de fato era Jesus.

Jesus há pouco tempo atrás havia ouvido da boca dos mesmos discípulos a quem ele questionava agora, a mesma resposta à pergunta que agora Ele faz aos discípulos. A única diferença é que na ocasião anterior Jesus não questiona aos discípulos sobre quem eles pensavam ser Ele, mas os discípulos declararam de forma espontânea sobre quem de fato era Jesus. Esse momento foi quando Jesus atravessa o mar da Galiléia sobre as águas e depois entra no barco acalmando a tempestade. E nos diz o texto de Mateus 14:33  E os que estavam no barco o adoraram, dizendo: Verdadeiramente és Filho de Deus!

Uma importante observação é se os discípulos haviam dito isso a poucas semanas atrás, qual o motivo de Jesus perguntar sobre a mesma coisa aos que já lhe haviam declarado ser o Filho de Deus de forma espontânea? Haviam os discípulos se esquecido de suas declarações no barco acerca de Jesus? Quando Jesus faz a pergunta “E vós, quem dizeis que eu sou?”, ele faz a pergunta para o grupo todo não para um somente. Jesus quer saber a resposta do grupo todo. Esta resposta seria a declaração pessoal de cada um acerca de sua salvação. Crer no Senhor Jesus é de forma pessoal e intransferível. O grupo então responde naquele que já havia si mostrado como líder em outras ocasiões, Pedro então responde em nome do grupo, como porta-voz do grupo:

16  Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

A mesma declaração que os discípulos haviam feito no barco, só que diferentemente da outra ocasião não é uma declaração espontânea, mas uma resposta direta a uma pergunta direta. Pedro em nome dos doze discípulos faz uma confissão de fé. Eles já haviam sido circuncidados segundo a aliança estabelecida em Abrão. Já haviam sido batizados com água, qual a necessidade da declaração direta ao próprio Senhor Jesus? Há uma grande diferença aqui. A declaração feita no barco pelos discípulos não tinham um elemento muito importante: a primeira eles disseram: “verdadeiramente este é o Filho de Deus”, mas na segunda disseram: “Tú és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Quando Pedro usa o título Cristo, para se referir a Jesus, ele está se referindo a Jesus como aquele que havia sido prometido, o Ungido de Deus, o mediador da aliança que haveria de vir. Esse mediador que havia sido prometido, era justamente quem conduziria o povo de Deus ao seu encontro, era quem eliminaria toda a desavença de todo ser humano com Deus por causa do pecado, e que o tivesse como seu único mediador, mas esse mediador não era um ser humano comum, era o próprio Deus encarnado, o Filho de Deus, a segunda pessoa da Trindade. E contrariamente ao próprio título que Jesus usa para si, Filho do Homem, eles dizem, não, não é Filho do Homem, mas , “Filho do Deus vivo”.

Declarar a Cristo como sendo o próprio Deus encarnado, Filho de Deus Pai, é exatamente a declaração que todo ser humano deve fazer com a própria boca. Sem essa declaração não há salvação. É necessário, nos diz Paulo em Romanos 10.9 que declaremos com a boca que cremos em Jesus Cristo, que o confessemos como nosso Senhor e Salvador, a fim de que sejamos salvos.

Mas alguém poderá lembrar-se de que o traidor estava dentre aqueles que declararam ser Jesus o Filho de Deus. Judas estava no meio dos doze e também fez a declaração sobre crer em Jesus. No entanto, além de trair a Jesus ainda tirou a própria vida. A simples declaração de que se crê no nome de Jesus não é suficiente! A declaração feita com a boca deve mostrar daquilo que o coração está cheio: da fé em Jesus Cristo. É exatamente como Paulo descreve no versículo 10 de Romanos 10. “porque com o coração se crê para a justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação”. Isso de fato não aconteceu com Judas, ele apenas disse com a boca, não creu com o coração.

Ao ouvir a declaração pelo porta-voz do grupo, Jesus logicamente não dá a resposta apenas para Pedro, como porta-voz do grupo, Pedro recebe a contra-resposta para todo o grupo:

 

17  Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.

A pronta resposta de Jesus à declaração do grupo  dada por meio de Pedro trás alguns traços que merecem comentário. Primeiramente Jesus declara que de fato é feliz (sendo uma felicidade segundo Deus) de quem faz esta declaração, e Jesus chama a Pedro por seu nome completo. Simão Barjonas, que quer dizer, Simão Filho de Jonas. Ao ouvir da boca de Pedro, de que o Filho do Homem, era de fato o Filho do Deus vivo, Jesus então está lhe respondendo: Simão, homem, Filho de homem, você é bem aventurado por que não foi a carne da qual você veio quem te revelou, não foi a tradição humana, mas o Deus vivo que está no céu do qual você disse e sabe de quem sou Filho é quem te revelou.

Jesus não está dizendo que Deus sussurrou aos ouvidos de Pedro sobre quem era Jesus. Mas que os meios de graça, como a Palavra revelada de Deus, a Escritura Sagrada, bem como o próprio testemunho de Jesus Cristo, como o Verbo de Deus, a Palavra encarnada de Deus, como João declara, é quem revelou à Pedro e aos demais apóstolos quem Jesus era de fato. Como podemos ver na oração de Jesus quando ele fala acerca dos apóstolos em João 17.8.

De fato a preocupação de Jesus era ouvir dos discípulos sobre sua fé Nele. E pelas palavras do Senhor a revelação não tem outro meio a não ser a própria Palavra de Deus. É como o autor de Hebreus nos fala em Hebreus 1.1. que Cristo é a suprema revelação do próprio Deus.

 

18  Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

 

Essa é uma importante declaração de onde surgiu uma divisão no cristianismo. Desde o entendimento sobre esse texto que foi distorcido pela igreja no quarto século depois de Cristo, até ao século XVI, depois de Cristo, a igreja permaneceu na obscuridade tendo como dirigente da igreja, como cabeça da igreja àquele que diz ser substituto de Pedro para conduzir a igreja. Nesse período que já fugia ao período dos apóstolos em três séculos com a morte de João por volta do ano 98 d.C. a igreja entendeu que deveria ter um dirigente universal da igreja, um cabeça da igreja na terra por causa desse texto.

Por todo esse tempo a igreja foi negligente, talvez até por conveniência de manter o povo sob seu controle, inclusive os impérios, com relação a esse texto. Mas já fazem quatro séculos que a igreja retornou ao entendimento correto desse texto, não pela igreja que o distorceu, mas pela igreja que nasceu do protesto do entendimento errado não somente desse texto, mas de vários outros, a igreja que foi reajuntada com a Reforma Protestante retornando ao ensinamento puro de Jesus Cristo e dos apóstolos.

Jesus é bem claro ao dizer: “Tú és Pedro”. Ele se dirige a Pedro na segunda pessoa do singular, “tú”; e também Jesus é bem claro ao dizer: “e sobre esta pedra”, a palavra “esta” é um pronome demonstrativo que é usado na terceira pessoa do singular. A palavra “esta”, portanto, em momento algum poderia estar se referindo a Pedro. Se assim quisesse, Jesus teria de dizer: “Tú és Pedro, e sobre ti edificarei a minha igreja”. E não foi isso que o Senhor disse, Ele disse: “és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. Mas se Jesus não estava se referindo a Pedro, a quem poderia estar se referindo como pedra principal de uma edificação, a edificação da Igreja?

Ora, naquele momento Pedro havia acabado de dar uma importante declaração, uma confissão sobre ser Jesus o enviado de Deus ao mundo para salvação de todo aquele que Nele cresse. Esta declaração é de fato a pedra principal da edificação da igreja. Cristo é e sempre foi a Pedra Angular da Igreja. Todo aquele que confessa a Cristo como Senhor e no coração crê que Deus o ressuscitou dentre os mortos é salvo. Em outras palavras, passa a fazer parte do reino de Deus, fazer parte de sua igreja. Cristo é a própria pedra fundamental de construção de sua igreja, como Paulo fala diretamente à igreja de Éfeso dizendo que eles fazem parte de uma construção (a igreja) e que Cristo é a pedra principal dessa construção: Efésios 2:20  edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular;

Cristo, a pedra principal, a pedra angular de construção da sua própria igreja.

O próprio Pedro entendeu claramente a declaração de Jesus naquele momento. Ele também afirmou dizendo: 1 Pedro 2:4-7 Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, 5 também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. 6 Pois isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado. 7 Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para os descrentes, A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular.

Ademais, quando vemos o primeiro concílio da igreja registrado na Escritura, após a morte de Cristo e sendo tratada uma questão doutrinária, Pedro, assim como outros tiveram sua participação deixando cada um seu argumento. Contudo, quem toma as rédeas de tal concílio para determinar o desfecho e determinar como a igreja deveria proceder dali para frente não foi Pedro, mas Tiago que agiu como moderador do referido concílio. O evento foi registrado no livro de Atos  15.1-29; vejamos o parecer de Tiago finalizando a discussão: Atos 15:19-21 19 Pelo que, julgo eu, não devemos perturbar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a Deus, 20 mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue. 21 Porque Moisés tem, em cada cidade, desde tempos antigos, os que o pregam nas sinagogas, onde é lido todos os sábados.

A esta questão, não podemos, de forma alguma, conferir a Pedro, ou a qualquer outro homem um status de vigário de Deus na terra. Isso é tomar o lugar de Cristo, uma vez que foi Ele mesmo quem afirmou: Mateus 28:18 18 Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Não a representatividade de Cristo na terra,  mas sua autoridade delegada, pelo que mesmo vimos nesse registro de Atos 15, foi direcionada ao concílio, não a uma pessoa. Além do que já vimos que no próprio texto onde Cristo afirmou “...sobre esta pedra edificarei a minha igreja..” dizia ele acerca da afirmação de Pedro, de que “Ele é o Cristo, o Filho do Deus vivo...”. Querendo com isso afirmar que o próprio Cristo é a principal Pedra da Igreja, jamais poderia ser um homem qualquer, senão o próprio Deus encarnado.

 

 19  Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.

Cristo havia acabado de dizer que a igreja seria construída tendo como Pedra principal Ele mesmo. E logo em seguida Jesus fala da função da igreja no mundo. Ali Pedro como porta-voz do grupo recebe a incumbência. Quando se fala que fora da igreja não há salvação, tem uma íntima ligação com esse versículo. É por meio da igreja, ou parte dela na pessoa de um de seus membros que alguém ouvirá a mensagem verdadeira do evangelho.

Ouvindo o evangelho e aceitando a Cristo o novo convertido passa a fazer parte do Reino de Deus. Ouvindo o evangelho e rejeitando aceitar a Cristo, a pessoa não fará parte do Reino de Deus. Mas isso não é poder da igreja ligar ou desligar alguém do reino de Deus. Se alguém não foi feito, não foi ligado aos céus era porque nos céus já havia sido desligado; e o que foi ligado aos céus, é porque nos céus já havia sido ligado.

Em outras palavras os que não aceitama Cristo são de fato os vasos preparados para a perdição. Rm 9.22

 

20  Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo.

Esse versículo de fato nos mostra que Jesus não queria publicidade. Queria manter o seu ministério por tanto tempo quanto fosse necessário. Havia dia e horas marcados para que seu ministério tivesse fim. Se a publicidade fosse grandiosa sua morte seria antes do planejado, daí Cristo seguir cuidadosamente vivo até o momento certo de sua morte. Conforme vemos em Mateus 26.45.

 

Depois de sua morte nada deve permanecer escondido, ou sem publicidade. O evangelho deve ser pregado ao mundo como o próprio Senhor ordenou.

E todo aquele que aceitar a Cristo e confessá-lo como os discípulos o fizeram receberão a vida eterna, ou seja, já haviam sido ligados ao céu, mas aos que não fizerem tal declaração ou não crerem com o coração, é porque já teriam sido desligados do céu. Nunca fizeram e nem farão parte do povo de Deus.