domingo, 17 de abril de 2011

Coelhinho da páscoa, que trazes pra mim??

Coelhinho da páscoa, que trazes pra mim??

Vivemos em uma geração de pessoas que crescem ouvindo e vendo nas lojas e televisão que no período chamado páscoa é época de se comer ovos de chocolate, e ensinam as crianças que é o coelho da páscoa quem os trás e isso para elas se torna verdade, mas infelizmente não é. Crescem acreditando em uma mentira mesmo que isso possa até ser divertido e saboroso, por que não? Quem não gosta de chocolate? A questão é que a instituição da páscoa voa no tempo e vai muito além da invenção do chocolate. Quem quiser sinceramente saber o real significado da páscoa terá de pegar sua Bíblia em casa e lê-la. Em qualquer Bíblia se achará este significado, seja ela dita evangélica, seja ela dita católica.
A instituição da páscoa foi o próprio Senhor Deus quem a ordenou. Há muito tempo, os descendentes de um servo do Senhor chamado Israel, saíram da terra de Canaã e se mudaram para o Egito por causa da grande seca e consequentemente fome que se instaurou por aquelas bandas nesse período. Essa descendência de Israel cresceu e se multiplicou no Egito de modo que os egípcios, tomados de medo do povo de Israel, os fizeram de escravos e permaneceram assim durante cerca de 400 anos.
O povo de Israel se viu muito afligido pelo trabalho escravo e viu Deus a aflição daquele povo por causa da opressão do Egito. Deus então escolheu a Moisés, um descendente de Israel que havia sido criado pela filha do faraó rei do Egito. Uma vez vendo Moisés que um egípcio estava maltratando um homem de seu povo, acabou matando ao egípcio e fugiu para o deserto. Lá no deserto Deus o chama e lhe entrega a incumbência de libertar o povo de Israel das mãos de faraó.
No seu empreendimento Moisés levou consigo, sob a ordem e poder de Deus, dez pragas a fim de que com estas pragas faraó acabasse cedendo e deixando o povo israelita partir do Egito. No dia em que a última praga viria, Deus dá um mandato a Moisés, e esse mandato era que se instituísse a páscoa. Podemos ver esta instituição sendo feita no livro de Êxodo capítulo 12 nos versículos de 3 a 11. Para achar este texto na Bíblia é bem fácil: Êxodo é o segundo livro da Bíblia; os capítulos são os números grandes e os versículos são os números pequenos. Então, no livro de Êxodo se procura o número doze grande e quando acha-lo inicie sua leitura no número 3 pequenino.
A páscoa aconteceria pouco antes (no mesmo dia) em que a última praga viria. Deus havia dito a Moisés que a última praga seria a morte de todos os filhos mais velhos de cada casa. Haviam alguns elementos que representavam a páscoa naquele primeiro dia dela: o cordeiro que deveria ser morto e o seu sangue passado nas portas. Este símbolo da pascoa era justamente o que o anjo da morte veria quando viesse àquela casa para matar ao primogênito e quando visse o sangue ele passaria por cima daquela casa e não traria a morte. (Lemos isso no texto de Êxodo capítulo 11, versículos 4 e 5 e também em Êxodo capítulo 12 versículos 11 ao 14). Mas havia também outros símbolos da páscoa, o pão sem fermento, chamado pão asmo com as ervas amargas, e o próprio cordeiro que deveria ser comido assado ao fogo (como lemos em Êxodo capítulo 12 versículo 8). E Deus havia ordenado também que esta comemoração deveria ser perpétua, ou seja, para sempre.
Quando Jesus estava na terra e havia chegado o período da páscoa, sendo ele judeu e descendente de Israel, ele chamou aos seus discípulos para que fossem preparar a páscoa. Ele sabia que esta seria a sua última páscoa, pois estava para ser morto. (Lemos esse fato em Mateus capítulo 26 do versículo 17 até o 19 – Lembre-se que o evangelho Segundo Mateus é o primeiro livro do Novo Testamento – está bem depois do meio da Bíblia).
É chegada então a hora de se comemorar a páscoa. Depois de haverem comido, conforme a ordem que Deus havia dado a Moisés, centenas de séculos atrás, Jesus está para iniciar uma nova etapa na história. Aqui então vou copiar o texto da Bíblia como lá está. Se na sua Bíblia estiver o texto com algumas palavras diferentes, isso não importa, pois, o sentido do que está escrito é o mesmo. Está no livro de Mateus capítulo 26 do versículo 26 ao 28. Assim está escrito: “26 Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. 27 A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; 28 porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.”
Ora, Jesus estava comemorando a páscoa com os discípulos. Na primeira vez que a páscoa aconteceu, Deus estabeleceu uma aliança com Moisés. Ele havia dito que a casa onde o sangue do cordeiro estivesse no portal da casa, a morte não entraria. Mas este sangue era de um animal, e o animal foi morto e comido. Preste bem a atenção nas palavras de Jesus quando ele afirma com um pedaço de pão em sua mão de que aquele pão estaria representando o seu corpo (isso é o meu corpo) o pão não se transformou no corpo de Cristo de fato, pois Cristo estava bem ali e o seu corpo estava inteiro. Em um segundo momento Jesus toma um cálice de vinho nas mãos e diz que aquele vinho era a representação do seu sangue (isso é o meu sangue). Não era o próprio sangue de Cristo, pois o seu sangue ainda corria em suas veias.
Mas vejam que no versículo 28, Jesus reestabelece uma nova aliança na páscoa. Não era nova no sentido de ser uma aliança inédita, mas nova no sentido de ser feita em novos moldes.  Um molde que substituiria o antigo feito com Moisés de que eles teriam de matar o cordeiro, comê-lo assado com pão ázimo e ervas amargas. Cristo estabelece novos símbolos da páscoa, pão e vinho. Mas o pão já fazia parte da antiga ceia, não teria, então na nova aliança símbolos que substituíssem o cordeiro, o sangue e as ervas amargas? Claro que sim. Da mesma forma que as ervas amargas representavam o sofrimento do povo no Egito por causa da escravidão, houve o sofrimento de Cristo exatamente no dia da páscoa, na chamada Sexta feira santa, ou sexta feira da paixão de Cristo, o dia em que Ele foi crucificado. Mas e quanto ao sangue do cordeiro, não tem nenhum substituto na nova aliança? Sim, também tem. Cristo afirmou que o seu sangue era o sangue da nova aliança, ou seja, o sangue que substituiria o sangue do cordeiro. Mas e o corpo do animal sacrificado? Cristo também afirmou que o pão representaria o seu corpo, sacrificado em favor de seu povo.
Da mesma forma que o sangue do cordeiro na antiga aliança feita com Moisés evitou que a morte entrasse na casa onde houvesse o sangue nas portas, o sangue de Cristo também livrará da morte do inferno a todo aquele que aceitar o seu sacrifício, de modo que o seu sangue o protegerá da condenação infernal. Cristo é o cordeiro da páscoa e Paulo afirma isso quando estava ensinando à igreja de Corinto, no livro da 1ª carta do apóstolo Paulo aos Coríntios no capítulo 5 versículo 7 que Cristo é o cordeiro pascal, ou seja o cordeiro da páscoa. Por isso não precisamos mais fazer qualquer tipo de sacrifício nos nossos dias para a expiação de nossos pecados, basta aceitar exclusivamente a Cristo como seu único Senhor para ser salvo e ter um lugar no paraíso. É o que o apóstolo Paulo afirma quando escreve sua carta aos Romanos no capítulo 10 versículos 9 e 10. (Lembre-se que tanto a Primeira carta aos Coríntios e a carta aos Romanos encontram-se no Novo Testamento, depois do livro do evangelho segundo Mateus. _ Mas preste atenção ao procurar o livro de Primeira Carta aos Coríntios, pois são duas e poderá confundir-se).
A páscoa então traz como símbolos o pão e o vinho, fazendo-nos lembrar do sacrifício de Cristo na cruz até que Ele retorne. É o que o apóstolo Paulo ensina na sua primeira carta aos Coríntios no capítulo 11, versículo 26.
Mas e o coelhinho da páscoa e os ovos de chocolate como invadiram essa celebração cristã que havia sido instituída pelo próprio Senhor Jesus? Inicialmente alguns alegam que o coelho por ter uma grande fertilidade, simboliza o renascimento uma nova vida, assim como os ovos. Contudo a fertilidade era adorada na antiguidade em dezenas de rituais pagãos. Entre eles estes símbolos da páscoa são uma alusão a esses antigos rituais pagãos onde a deusa Ishtar ou Astarte, ou ainda Astarote (associada outro deus pagão chamado Baal, plural baalins - citado no livro de Juízes capítulo 2 versículo 13) Este livro é do Antigo Testamento, está no princípio da Bíblia. Em rituais a esta deusa, representada em figura humana, em toda primavera se utilizavam ovos pintados e lebre “o coelho” como símbolos da fertilidade. A lebre, coelho, era sacrificada e a deusa através de suas entranhas previa o futuro. A deusa utilizava-se de rimas para compor seu ritual onde dizia: “Lebre de Eostre, o que suas entranhas trazem de sorte pra mim?” A versão original da cantiga atual: “coelhinho da páscoa que trazes pra mim?”. Era considerada principalmente a deusa da fertilidade, onde os rituais em sua adoração consistiam de orgias sexuais e até sacrifícios de crianças (DIT, AT, 1718b).
A verdadeira páscoa hoje, poucos a conhecem, e quando tem a oportunidade de conhecer a verdadeira, preferem permanecer cegos, e o pior de tudo, recitando cantigas e fazendo uso de símbolos pagãos para comemorarem uma páscoa mentirosa que tem tudo haver com o lucro do comércio e das fábricas de chocolate que se aproveitam da crendice e da tradição pagã inserida na cultura popular.
Agora deixo algumas perguntas: 1ª Não comemoramos a páscoa todas as vezes em que participamos da ceia? 2ª Se isso não for verdade em nossas vidas como podemos afirmar que somos servos do Senhor Jesus? 3ª Como servos do Senhor Jesus e conhecedores destas verdades devemos comprar ovos de páscoa, símbolos de um ritual pagão, para nossos filhos crentes?
Que Deus tenha misericórdia de nossas vidas.
 

Rev. Júlio César Pinto



Fonte da informação sobre a deusa astarote (astarte) ou como na antiga canção: Eostre encontram-se em vários sites de origem pagã, dentre eles: http://www.magiazen.com.br/magia-na-origem-do-coelho-da-pascoa.html
Deusa Astarote fazia parte do culto cananeu. "Deusa do sexo e da guerra, uma representação vívida do paganismo em suas manifestações mais perversas". DIT, AT, 1718-1718b

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