terça-feira, 2 de agosto de 2011

CRENTE DESVIADO?

“Fulano desviou da igreja, tá no mundão. Ciclano deixou de ser evangélico, agora é...” Estas duas frases demonstram uma única realidade. A primeira delas tem nas entrelinhas o entendimento de que o Fulano perdeu a salvação. A segunda delas aponta para uma falsa idéia de que o Ciclano está melhor do que se estivesse no mundo, diriam: pelo menos está lá. Vamos conversar sobre estas duas idéias.
Quando temos que a salvação depende, de alguma maneira, também do homem, mesmo que em pequena proporção, quando esse cai em pecado, deixa de freqüentar a igreja e passa a ter o mesmo comportamento anterior à sua conversão, costuma-se afirmar que ele está desviado. Desviado como? Desviado de que? O que significa esta palavra, desviado?
A palavra desviado neste assunto pode assumir diversos significados. Conquanto a maioria deles não pode apontar para a realidade que só pode assumir duas posições. Mas, ao contrário do que exclusivamente ela pode significar, a maioria pensa que esta palavra tende a mostrar que o Fulano era um crente fervoroso e por motivos diversos, caiu em pecado, e, portanto perdeu sua salvação. Isso é completamente contrário ao que as Escrituras ensinam. A escritura ensina que a obra de salvação pertence exclusivamente a Deus (veja texto no blog – O tempo de Deus). E se esta obra é exclusiva Dele; e se Deus não falha; logo sua obra de salvação também não pode falhar. A salvação pertence a Deus, é uma obra de Deus e é aplicada na vida dos seus. Não é a obra de salvação do Fulano, é a salvação que o Fulano recebeu de Deus.
Mas foi dito anteriormente que a palavra “desviado” só poderia assumir de fato duas posições reais de significado nesta situação, e são elas:
1. Fulano de fato nunca foi crente; portanto não poderia ter perdido algo que nunca teve, a salvação.
2. Fulano é crente, mas está afastado do convívio com o Senhor. Neste caso o fulano é salvo, mas está em tempo de fraqueza e no tempo de Deus ele será restaurado. (Filipenses 1.6)
De fato, há textos que aparentemente reivindicam a perda da salvação. Vamos a um deles. Hebreus 6.4-6 “É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia.”
Este texto foi motivo de a igreja, nos seus primórdios, ter se dividido com respeito à autenticidade desta epístola. Os novacianos encontraram neste texto uma base para negar o perdão para os que caíssem em pecado. Desta feita, os pais ocidentais preferiram negar a inspiração da carta, pois os novacianos eram seus inimigos. Mas a intenção do apóstolo ao escrever tal texto não visava admitir que não há perdão para os pecadores. Se assim o fosse, quem seria salvo; uma vez que estamos sempre com o pecado à porta e também caímos, uns mais e outros menos?
Ora que quer dizer o apóstolo com “renová-los para arrependimento”? Esta é um das questões. Esta resposta não pode ser outra a não ser aquele arrependimento para o batismo e totalmente ligado a ele, conforme a resposta de Pedro aos seus interrogadores após sua pregação no evento de Pentecostes: “arrependei-vos e cada um de vós seja batizado”. Este arrependimento não se pode repetir é único! Não obstante João nos lembra que: “Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai” (I João 2.1).
O apóstolo, em Hebreus, com tais palavras de exortação leva em tom de ameaça o quão importante é que sirvamos ao Senhor com toda piedade, fugindo sempre do pecado, não dando margem a ele, nem mesmo facilitando as coisas e fatos transcorridos no nosso dia a dia para que ele aconteça.
Por outro lado quando evidenciamos o termo “caíram”, o apóstolo não está falando do ato de pecado que um crente possa vir a cometer e por isso ser perdoado por Deus. Aqui ele se refere a uma total rejeição da salvação que lhe foi oferecida pelo Senhorio de Cristo. Aqui se fala de uma completa aversão e rejeição à mensagem do evangelho.
Com o fato de terem uma vez sido iluminados com faíscas de luz, provaram uma pouca medida da benevolência divina, ou que até mesmo a Palavra de Deus tendo provocado um senso de moralidade mais aguçado do que em outros, não em comparação aos crentes de fato, não significa que estas pessoas de fato eram salvas. A salvação realizada por Deus é eficaz: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou (Romanos 8.29-30). É o que João afirma: “Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco” (1 João 2:19).
Quero evocar o mesmo texto de João citado logo acima para falar daqueles que aderiram a outro sistema de crença. Na verdade eles não são em nada diferentes destes que rejeitaram a fé como referenciados acima. Na verdade a sua religiosidade é que impera pedindo a eles que adotem um sistema de fé qualquer, não importa qual, desde que fale de Deus.
A religião para esses não se trata da verdade revelada na Palavra de Deus, crida e adotada como regra de fé e prática, mas a religião para esses é o sistema de crenças que mais se adapta às suas necessidades imediatas independente do que está escrito.
Para estes cabe o que também Pedro falou no mesmo sentido do texto de Hebreus que esclarecemos, disse Pedro: “Com eles aconteceu o que diz certo adágio verdadeiro: O cão voltou ao seu próprio vômito; e: A porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal” (2 Pedro 2:22).

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